Não vai mudar muita coisa

Escolha de Gilmar Rinaldi não altera positivamente os rumos do futebol brasileiro

Por O Dia

Rio - Como se esperava, só pela indicação do coordenador da Seleção não vai acontecer qualquer tipo de revolução ou até renovação de métodos na CBF. Gilmar Rinaldi foi apenas um bom goleiro, um empresário de jogadores que exercia sua função até terça. Vai contar com a colaboração de Gallo, que já trabalhava com Felipão e, sinceramente, o que se pode esperar deles? Apenas a postura e os métodos de sempre adicionados a um manto de suspeita sobre atividades paralelas. Perdeu-se boa chance, depois da catástrofe, de trazer gente nova com organização diferente desde a base. Paciência. Resta esperar que a indicação do novo técnico traga alguma esperança, mas até isso é pouco provável.

Vamos ficar mesmo em torno dos mais cotados no país, como Tite e Muricy, que ganhou mais força com a vinda de Gilmar. Nada mudou no futebol brasileiro e o que vier de bom virá de nossos raros craques. Mas, pensando bem, seria possível uma mudança de verdade com gente como Marín e Del Nero no comando?

Gilmar Rinaldi foi escolhido para cargo na CBFCarlos Moraes

SÓ A CAMISA

Só mudou aparentemente o esquema tático do Flamengo, com três zagueiros, o que não foi suficiente para sequer empatar em casa com o Atlético-PR, que faz um bom trabalho de renovação. Como a maior parte dos times brasileiros, não se vê a menor criatividade no meio-campo e as vaias para Elano foram justas. Os erros da defesa não foram corrigidos e o Flamengo levou o castigo. Não há reforços de peso à vista e a lanterna humilha.Camisa igual à alemã não ganha jogo.

SEM VONTADE

Que o Botafogo tem um elenco ruim, ninguém duvida. Mas ele consegue ficar pior se os jogadores jogam sem a menor vontade. A derrota para o Sport foi assustadora porque o adversário pouco fez e o Botafogo se arrastava em campo, com um goleiro inexperiente e um meio-campo em que o melhorzinho era Mamute! Sheik perdeu o embalo e jogadores como Zeballos e Wallyson apenas batem ponto. Após 45 dias, a figura de Carlos Alberto foi fantasmagórica.

Botafogo foi derrotado no RecifeFutura Press

TRAVADOS

O Fluminense teve o sabor amargo de uma inesperada derrota por uma confluência de fatores: o Criciúma, pelo menos por um bom tempo, jogou com impressionante determinação sob a liderança do eterno Paulo Baier, o árbitro inventou um pênalti absurdo sobre Baier e também porque o Flu mostrou uma certa soberba, demorando demais a entrar no jogo. Nesse campeonato, independentemente de hierarquia, do local e da colocação na tabela, qualquer jogo pode complicar.

RENASCIMENTO

Depois da Copa, a novidade é a volta do cinema italiano, que já viveu época de ouro com Visconti, Fellini e tantos outros, e estava sumido, com uma crise gigantesca. Os problemas persistem, mas há três filmes em cartaz (coisa raríssima) que valem uma conferida: ‘O melhor lance’, do cultuado Giuseppe Tornatore, ‘Viva a Liberdade’, com Toni Servillo, o ator de ‘A grande beleza’, e ‘Os anos felizes’, de Daniele Luchetti. De quebra, o argentino ‘A filha distante’, de Carlos Sorín.

O SÃO PAULO CORRE POR FORA E PODE CHEGAR LÁ

No começo do Brasileirão, Cruzeiro, Atlético-MG, Flu e Inter apareciam como os favoritos e o futebol paulista ainda estava em baixa até porque, pela primeira vez em muito tempo, deixou de colocar um clube na Libertadores. Mas o Corinthians e, ainda mais, o São Paulo reforçaram bem os seus elencos. O São Paulo já tem um técnico vencedor — Muricy — e juntou Ganso, Luís Fabiano, Oswaldo, Alan Kardec e Kaká, entre outros. Nem todos vão acertar mas é um grupo respeitável em um clube de elite, com estrutura. Se der liga, pode até sair daí o campeão brasileiro.

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