Cotas de TV dividem os clubes

Diferença de valores tem complicado situações de algumas instituições

Por O Dia

Rio - Quando o Clube dos 13 funcionava e não era apenas um bloco sem sentido, como hoje, várias batalhas importantes foram ganhas porque os principais clubes do futebol brasileiro estavam unidos. A partir de determinado momento, cotas diferenciadas e mais altas para os clubes de massa como Flamengo e Corinthians causaram ressentimentos e acabaram com aquela convergência inicial.

Criou-se uma imensa distorção porque há quem receba o dobro e até o triplo de outro clube de nível semelhante. Qualquer negociador do mercado sabe que se os demais grandes se unissem para reequilibrar o nível de pagamentos, a TV Globo teria que ceder porque não poderia transmitir somente os jogos de dois ou três clubes. Ocorre que a histórica falta de visão de muitos dirigentes provocou o caos financeiro e muitos ficaram reféns do adiantamento de verbas para sobrevive. Por isso, eles se curvam aos interesses dos que impõem leis perversas que corróem ainda mais os clubes. É uma situação anômala que desfavorece muito quase todos os clubes do futebol brasileiro.

Flamengo tem a maior cota de televisãoAndré Mourão

O ATALHO

Já que o Fluminense fez o favor de traumatizar o seu torcedor com uma vergonhosa eliminação na Copa do Brasil, ganhou o bônus da Sul-Americana, competição que não seduz muito e só chama a atenção no final. Mas ela gera algum lucro, vai atrair pela presença de pesos-pesados como Boca e River e dá uma vaga na Libertadores muito mais facilmente do que no Brasileiro. Por isso, quando enfrentar o Goiás, hoje, é melhor levar tudo a sério desde o minuto inicial.

BURRO

Esse estigma persegue os nossos treinadores e às vezes ele pode ser injusto. Mas, na terça, em São Januário, a irreverência do torcedor tinha sentido porque ele via um bando em campo e as mudanças no segundo tempo não fizeram sentido. O Vasco se afundou em uma péssima exibição. Falta qualidade ao elenco e dificilmente outro profissional irá emplacar. Adílson parece perturbado pelos problemas, mas o drama vascaíno começa na política interna e passa pelo elenco fraco.

Para Adilson Batista%2C Vasco pecou por não definir o jogo Divulgação

SEM PRIVILÉGIOS

Os médicos do Botafogo tiveram toda a razão de reclamar pela falta de pagamento durante meses enquanto parte dos jogadores não ficava tão atrasada. Qualquer norma que privilegie setores cria um clima de desunião e ressentimento. O Flu já penou com isso em recentes tempos quando o grupo da Unimed recebia em dia e a maioria dos jogadores ficava sem nada. Esse problema, aliás, já passou pelo próprio Botafogo em uma recente distribuição de cheques que não chegaram a todos.

UNANIMIDADE

Como sempre disse o imortal Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra e, por isso, é possível afirmar que, no Fluminense de Nelson, essas repentinas manifestações de apoio total a Cristóvão Borges não devem ser levadas muito a sério.Há uma semana, naquela estranha crise, os corredores do clube fervilhavam com notícias sobre a sua iminente queda. Uma boa vitória limpou a barra mas ninguém se iluda com as promessas de contrato longo.

O ESTADUAL NÃO ENGANA MAIS A NINGUÉM

Rubinho pode dar tratos à bola e fingir que está muito preocupado com o futebol do Rio. Ele só faz isso porque os dirigentes dos grandes clubes são ineptos ou, como Roberto, omissos. O próximo campeonato vai perder tempo enorme com 15 jogos, dos quais 11 certamente deficitários para que, depois, tudo se resolva em 20 dias com seis partidas. Tudo previsível porque a tendência é classificar os quatro grandes, a não ser que um deles facilite. O pior é que a Taça GB não tem decisão e será entregue friamente ao líder do turno corrido. Tudo errado.

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