Por fabio.klotz

Rio - Independentemente do resultado futuro na Copa do Brasil, Flamengo e Botafogo proporcionaram aos seus torcedores emoções inesquecíveis esta semana. O Flamengo honrou a sua tradição de fé e de luta arrancando um 3 a 0 na pior circunstância - quando ele é obrigatório. Tudo bem que o árbitro deu uma ajuda ao marcar o segundo pênalti que foi completamente absurdo. Mas de nada adiantaria se não houvesse, em campo, um time aguerrido e concentrado e, nas cadeiras, uma galera que não parava de incentivar. No final das contas, o Flamengo mereceu a classificação.

Flamengo consegue o que parecia impossível e avança na Copa do BrasilAndré Mourão

Já o Botafogo também conseguiu o seu milagre particular, com uma façanha raríssima ao marcar os dois gols da virada aos 49 e 51 min do segundo tempo, nos acréscimos. Um misto de boa sorte, determinação e competência na hora de decidir - apesar dos salários em atraso e das limitações técnicas. Essas proezas se encontram em dois pontos: com o futebol nivelado por baixo tudo pode acontecer e nada é mais tão bizarro. E só a força e a magia do futebol para conseguir, em um momento negativo, deixar, ainda assim, o torcedor em suspense e emocionado.

Sem Jefferson

Sem contar com o seu titular, o melhor goleiro do país, o Botafogo abriu muito a guarda, até porque o reserva Andrey é um garoto com potencial, mas ainda inseguro e precipitado. Não foi bem no primeiro gol e saiu atabalhoadamente no terceiro. O Botafogo é um time imprevisível e confuso que se supera eventualmente. Foi heroico no Ceará, mas nem sempre terá essa chance. Vale o registro do esforço de Edilson, André Bahia, Bolatti e Ramírez.

O erro deu certo

O técnico Vanderlei Luxemburgo pode falar à vontade, mas a sua estratégia para o mata-mata com o Coritiba estava errada tanto que, pressionado pelos torcedores, acabou se reciclando e criou todo um ambiente de reação para o jogo da volta. E tudo acabou dando certo pela fragilidade do adversário, pela arbitragem intimidada e pela força da galera. É possível que, agora, com o time longe do rebaixamento, não surja pretexto para ignorar a Copa do Brasil.

Marco zero

Esse amistoso contra a Colômbia, tomado isoladamente, tem importância pequena. Mas, no contexto, ganha importância especial por se tratar da reestreia de Dunga, da chance para novas caras na Seleção e para começar a atenuar o maior vexame da história do futebol brasileiro. O torcedor nem espera uma bela atuação mas, no mínimo, muita garra para uma boa exibição que limpe um pouco a barra. Teremos um bom adversário pela frente com alguns indiscutíveis talentos.

Fluminense parece estar em deconstrução

O que está acontecendo com o Fluminense? Tudo indica que problemas internos, tanto na área econômica quanto na política, perturbam e dividem os jogadores. Só isso explica os boatos sobre a venda de Cavalieri, a instabilidade de Carlinhos, a solidão de Fred e a indiferença de Walter. Para completar, por que Cristóvão Borges, que teve o seu trabalho merecidamente elogiado há pouco tempo, se perturba com alterações sem sentido e pífias soluções? De melhor do Rio, o Fluminense passa a grande decepção com os fiascos na Copa do Brasil e na Sul-Americana.

Sem pressa

Quem gosta de cinema terá tempo de sobra para não perder as duas ótimas atrações da semana passada que deverão continuar por algum tempo. O novo Woody Allen "Magia ao luar" é uma delícia, uma bela reflexão românica sobre realidade e ficção, e "Lucy", de Luc Besson, um filme sobre os mistérios da existência, do espaço e do tempo. Nas estreias, uma boa promessa é o drama baseado em um best-seller – "Se eu ficar", além de um nacional de qualidade "De menor", de Caru Alves de Souza.

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