Por fabio.klotz

Rio - Bolívar, zagueiro do Botafogo, disse, depois da melancólica derrota para o Inter, que o futebol pune porque seu ataque desperdiçou chances incríveis de gol. O mesmo raciocínio pode ser levado para um nível mais alto do futebol nesse Brasileiro. Cruzeiro e São Paulo estão apenas sendo recompensados pelo bom trabalho dos dirigentes, pela firmeza dos seus treinadores e pela capacidade de investimento.

São Paulo de Ganso colocou fogo na briga pelo BrasileiroDivulgação

O Cruzeiro praticamente não negociou ninguém nos últimos tempos e seu elenco é quase o mesmo que levantou o título em 2013. E, melhor, reforçou-se esse ano e dispõe de um banco de luxo. Seu grande adversário, o São Paulo, custou um pouco mais a se reciclar e teve que mudar certos procedimentos para recuperar a disciplina interna, mas, agora com nomes fortes como Alan Kardec, Kaká, Pato e Ganso, todos excelentes, surge como um esquadrão respeitável. Com um nível geral baixo, ainda se assiste com prazer aos jogos de São Paulo e Cruzeiro, duas grandes forças, símbolos de um bom futebol que rareia cada vez mais.

Pânico

Jefferson, com um certo atraso, liga um sinal de alerta vermelho no Botafogo, preocupado com a sua pífia campanha, embora domingo tenha contribuído com uma falha no primeiro gol. Mas nem sempre querer é poder. Se dirigentes se escondem, salários não são pagos e atacantes não sabem fazer gols, fica difícil, ainda mais que o clube tira jogos de casa para faturar. Faturar para cair? A fórmula alvinegra traz todos os ingredientes que levaram outros grandes ao rebaixamento.

Freud explica

Fred até que voltou a jogar bem e sábado, contra o Palmeiras, lembrou aquele perigoso atacante dos melhores tempos. Mas anda reclamando de tudo e de todos. Na semana retrasada, ameaçou nem entrar mais em campo se não houvesse segurança nos deslocamentos e treinos. Exagerou, mas com alguma razão. Agora, disse que não se pode cobrar tanto porque o elenco é pequeno e não se compara aos melhores. É certo, mas Fred anda meio deprimido. Freud e a Copa explicam.

Duas verdades

Os árbitros reclamam, com razão, que, com tantas câmeras nos jogos, fica impossível escapar dos erros. Só que ninguém está exigindo isso e sabe-se que, na dinâmica do jogo, o olho humano falha. Por exemplo, no Santos x Coritiba, houve acerto na anulação de um gol do Coxa, que parecia legal. Uma bela decisão. Mas, no Fla x Corinthians, o bandeira não viu a posição irregular de Eduardo da Silva. O que se pede é critério, rigor com a violência e arbitragens menos caseiras.

Já cansou

Mais uma vez, surge de forma bizarra a questão do racismo no futebol e logo com um jogador de prestígio, conhecido há mais de uma década e campeão do mundo, como Ronaldinho. Um político no México voltou a usar a palavra "macaco" para extravasar a irritação por um engarrafamento, esquecido que o dia foi anormal exatamente em função da comoção da torcida. Vai pagar caro pela intolerância e pela burrice, seja por uma ação legal, seja pelo desprezo popular.

O que não teria feito Di María na final da Copa?

Essa pergunta se repete na cabeça de quem gosta de futebol e, claro, principalmente dos argentinos. A máquina do tempo não pode voltar e ganhar uma Copa. Por exemplo: e se Ronaldo estivesse em campo na final de 98 com totais condições físicas? Ou se a Alemanha tivesse Ballack na decisão de 2002? Certamente com Di María, a Argentina poderia ter sido campeã no Maracanã. Ele fez falta. No recente amistoso com os alemães arrasou e, agora, no Manchester United, arrebenta. Muito breve será coroado na terra dos reis.

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