Por pedro.logato

Rio - A imposição do medo é, na verdade, a imposição de certo tipo de terror que se torna real nas manifestações públicas contra os dirigentes, nas agressões a jogadores, nas invasões aos clubes e nas ameaças físicas a pessoas envolvidas. No recente caso de racismo em Porto Alegre, o Grêmio poderia ter tomado medidas efetivas para segurar a intolerância da torcida, mas preferiu contemporizar. Nem depois de eliminado da Copa do Brasil. No segundo jogo contra o Santos impressionou, embora por razões mais esportivas, certa desfaçatez dos grupos organizados que perseguiram Aranha. Não se viu interferência do comando do clube.

Esta semana, uma uniformizada do Corinthians invadiu o CT para exigir, aos gritos de ordem, garra ao time, hostilizando alguns. O tempo passa, não se adotam medidas de segurança e nem há vontade política para garantir paz. Só reações esporádicas de limitação na cessão de entradas gratuitas, mas, no geral, persiste o apoio financeiro e, pior, não existe uma triagem que impeça a presença de bandidos travestidos de torcedores. Um dia alguém pagará caro por isso.

Torcidas organizadas seguem com influência no futebolCarlos Moraes

FALSA GREVE

Houve esboço de greve dos árbitros, que seria inédita porque, décadas atrás, aconteceu só uma ameaça abortada. É hora meio ruim para isso, pois os profissionais do setor estão com o prestígio abalado, erram demais e precisam de melhor performance para exigir mais direitos. Pelo que se sabe, ganham relativamente bem e poderiam ter o trabalho facilitado se houvesse diálogo com dirigentes e jogadores. E uma verdadeira profissionalização. A profissão ainda é um bico e isso atrapalha.

POLITICAGEM

Se Vasco e Botafogo têm um futebol complicado por dívidas e desorganização, tudo piora porque, em pleno Brasileiro, um na Segundona, outro na quase degola, há tumulto no processo político. No Vasco, ressurge o fantasma de Eurico, Roberto (foto) está perdido, não há lidera<CW-17>nça e será mesmo que teremos eleições em novembro? O Botafogo tem um presidente esquivo, quatro candidatos e um processo de autofagia em que os inimigos internos são mais combatidos do que os externos.

APRENDIZADO

O Cazaquistão apresentou as dificuldades que já se esperava, embora com estilo diferente, de lances planejados, sem força nos ataques, mas com muitas firulas. O Brasil custou a se adaptar e só com o tempo defendeu-se melhor, impondo a sua maior categoria. Esse Mundial de vôlei é assim mesmo. Até as seleções menos fortes impõem dificuldades e surpreendem. O Brasil vai aprendendo, ainda falta evoluir para conquistar o título, mas tem grande chance de chegar lá.

REVELAÇÕES

A seleção de vôlei, que terá hoje um adversário mais forte na Holanda, não revelou apenas Camila Brait, uma líbero segura em que o time pode confiar depois de décadas com Fabi. Jaqueline atinge o momento mais alto da carreira e funciona bem não apenas na recepção, mas também marcando mais pontos do que costumava. Ela evoluiu nos fundamentos e está se tornando uma jogadora completa. A Seleção só precisa de um capricho maior de Thaísa e Dani Lins.

O CRUZEIRO É FORTE CANDIDATO À TRÍPLICE COROA

Após conquistar o Campeonato Mineiro, o Cruzeiro se deu ao luxo de usar reservas ao disputar, ao mesmo tempo, Brasileiro e Copa do Brasil. Mesmo quando tem dificuldades fora, resolve a parada em casa, onde alia qualidade do time e força da torcida. Se bater o Inter sábado, no Mineirão, ficará com tanta folga no Brasileiro que poderá se dedicar com força à Copa do Brasil, na qual também é favorito. O Cruzeiro é bom exemplo de investimento certo e administração acima da média.

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