Por bernardo.argento

Rio - No esporte, o atleta não precisa se aposentar para se tornar lenda. Postura, disciplina, determinação, raça, além de muitos títulos, fazem que ele entre no rol dos imortais. A levantadora Fofão tem tudo isso no currículo. E de sobra. Na sua trigésima temporada como profissional, aproveita os últimos momentos de uma carreira invejável com todas as conquistas que se possa imaginar, incluindo três medalhas olímpicas.

“No primeiro dia que me apresentei (ao Rexona-Ades), não estava o grupo todo, e já tive aquele friozinho na barriga. É uma história nova que está passando na minha cabeça. Fico pensando: ‘Hoje é a última vez que vou fazer uma apresentação de equipe’. Tudo será a última vez e vou tentar aproveitar da melhor maneira possível”, disse a camisa 7.

FOTOGALERIA: Confira algumas imagens da carreira da levantadora Fofão

Fofão completa nesta temporada 30 anos de carreira Carlos Moraes

Em 1985, com 14 anos, Fofão fez sua primeira temporada como profissional, pelo Pão de Açúcar. Já tinha tentado o basquete, mas o vôlei a seduziu. Na época, Tancredo Neves, avô de Aécio Neves, candidato derrotado à Presidência da República, era eleito (indiretamente) e morreria um pouco antes de assumir. O casal Sinhozinho Malta e Viúva Porcina conquistava o Brasil e a novela Roque Santeiro batia recordes de audiência. Porém, para Fofão, a evolução tecnológica é o que mais lhe chama a atenção.

“Mudou tanta coisa, passei por muitas transformações não só no vôlei, mas em tudo. Acho que, hoje em dia, usamos muito mais a tecnologia. Não tínhamos esse negócio de celular, coisas tão fáceis...”, lembra Fofão, que ressaltou também as mudanças no esporte e nas companheiras.

“Antigamente, as jogadores não se importavam tanto em ter a unha pintada. A vaidade aumentou. Na quadra, o vôlei evoluiu muito. A regra dos pontos corridos facilitou o entendimento e ficou mais interessante. Era um jogo longo e lento. Outro dia eu tentei assistir a um jogo antigo e não consegui. Eram quatro horas de partida. Mudou para melhor”, opinou a levantadora.

Aos 44 anos%2C Fofão será a jogadora mais experiente da Superliga de Vôlei Carlos Moraes

FUTURO AINDA INDEFINIDO

Pobre o futuro, Fofão acredita que não conseguirá largar completamente o esporte que tanto ama, porém, ainda não sabe como fará para ajudar o vôlei.

“Não consigo me imaginar como treinadora, mas não descarto porque muitas coisas podem acontecer na vida. Porém, não coloco em primeiro plano. Pode ser uma experiência e eu gostar ou não”, explicou a craque.

Se o futuro ainda é uma interrogação, uma preocupação atual não a largará nem após o término da brilhante carreira como jogadora: a briga com a balança.

“Se eu ficar no sofá, vou engordar e não quero assistir aos jogos das meninas estando gordinha (risos). Atleta sabe a dificuldade de manter o peso quando nós paramos. Mas vou me cuidar pela saúde”, contou a eterna levantadora. Ela fala de uma de suas primeiras metas ao parar.

“Eu quero descansar um pouquinho e ter uma vida normal. Poder dormir tarde e não ter a obrigação de acordar cedo. Quero conseguir relaxar a cabeça sem saber que vou ter que treinar”, confidenciou.

Depois de 30 anos de uma vitoriosa carreira, Fofão ainda nem deixou as quadras e já escreveu o seu nome na história do esporte brasileiro como uma das maiores atletas de todos os tempos.

Colaborou: Edsel Britto e Luisa Caruso

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