Joinville aposta em profissionalização e consegue sucesso a curto prazo

Há quase dois anos sob o comando do presidente Nereu Martinelli, clube catarinense opta por contratar especialistas em gestão para o departamento de futebol e volta para a Série A

Por O Dia

Santa Catarina - Em 2011, o Joinville se encontrava na Série C do Campeonato Brasileiro e sonhava com o acesso para a Segunda Divisão. Após conquistar a vaga na Série B, o clube catarinense passou a ter uma ambição maior ainda: voltar a elite do futebol brasileiro após 28 anos de ausência. Depois de dois anos batendo na trave, ficando em 6º lugar em 2012 e 2013, o Tricolor Catarinense finalmente alcançou a tão sonhada subida para a Série em 2014, com quatro rodadas de antecedência.

Desde dezembro de 2012 no comando do clube, Nereu Martinelli, atual presidente do Joinville, resolveu apostar em estrutura e profissionalização na gestão do departamento de futebol para atingir a meta sonhada. O empresário trouxe nomes como César Sampaio, campeão do mundo em 1994, para a superintendência de futebol, e Ramon Menezes, ex-jogador do Vasco e com passagem pelo clube catarinense, para a vaga de auxiliar técnico. Para Nereu, não existe fórmula mágica e nem segredo para o sucesso do Joinville, apenas trabalho e responsabilidade.

Há quase dois anos no comando do Joinville, Nereu Martinelli já conseguiu o acesso para a Série ADivulgação

"Não existe segredo, nem fórmula para alcançar o sucesso. O Joinville inicialmente procurou começar a manter uma base de uma equipe de um ano para o outro, com jovens e experientes. Aliado a isso, nos últimos três anos construímos o centro de treinamento, onde atualmente tem concentração. Fazemos a pré-temporada lá, tem alimentação para os atletas, academia moderna e fisiologistas. Nas duas primeiras vezes que disputamos a Série B (2012 e 2013), a primeira foi uma experiência, mas na segunda o objetivo já era subir. Eu assumi em dezembro 2012 e procurei profissionalizar o clube e busquei um profissional para cada departamento para cobrar e administrar. Com isso, o Joinville saiu de 1.800 para 12 mil sócios. No departamento de futebol, em dezembro do ano passado, nós contratamos alguns profissionais entre eles o César Sampaio, Ramon Menezes, que inclusive jogou aqui na Série C", revelou o presidente.

A montagem do elenco atual só começou após a chegada do técnico Hermerson Maria, em dezembro de 2013. Nereu deu total liberdade para o treinador escolher os jogadores que melhor se encaixariam em seu esquema tático durante a temporada. O resultado foi o sucesso com o vice-campeonato estadual e o acesso para a Série A.

"Logo depois, chegou o Hemerson Maria e aí passamos a planejar como seria o elenco para a disputa desta Série B. Definimos o perfil dos atletas e o modelo de jogo que a comissão queria no time. Com isso, fomos em busca do perfil desejado pelo treinador e que se encaixariam no esquema que ele queria. Conseguimos ficar com o vice no estadual e tudo deu certo no Brasileiro".

O presidente também ressaltou que a prioridade neste ano foi investir em estrutura ao invés de gastar com jogadores: "Não adianta você ter uma equipe, se não tem uma estrutura física de qualidade com centro de treinamento, com academia, médicos, alimentação, equipamentos para otimizar performance. Uma coisa está atrelada a outra. O Joinville tem um gestão onde a parte de salário está em dia. Agora tudo isso só deu certo aqui por conta do trabalho com planejamento. A fórmula é trabalho e sincronismo, saber contratar jogadores e profissionais. Sei que acertei, mas errando muito, sou empresário e não homem da bola. Não tem fórmula mágica. Demoramos um pouco mais para subir para o que esperávamos. Já temos uma estrutura razoável e vamos melhorar para o próximo ano. Esse ano, optamos por gastarmos mais com estrutura para conseguir o acesso do que investindo em contratações", revelou o dirigente.

Em 2014, o Joinville teve a concorrência do Vasco, como time de maior expressão na edição atual da Série B. Apesar de ter um rival com mais tradição, a equipe catarinense foi a primeira a garantir uma vaga na elite do futebol nacional. Para Nereu, nem sempre o maior investimento significa melhor resultado dentro de campo.

Campeão mundial em 1994%2C César Sampaio é atualmmente o superintendente de futebol do JoinvilleDivulgação

"Nem sempre o dinheiro no futebol significa melhor resultado. Tenho boa relação com o Rodrigo Caetano (diretor executivo do Vasco), converso sempre. Alguns dos clubes grande hoje em dia não conseguem investir a cota que recebem por conta dívidas antigas de gestões anteriores que comprometem todo o orçamento. O Vasco é um desses exemplos e não conseguiu usar o dinheiro que recebeu para montar o time. Se me perguntasse no início da Série B, o Vasco era o preferido para subir e ser campeão, era o favorito absoluto. Mas segunda divisão é tudo diferente, é mais complicada por conta da logística onde você joga no sábado e logo depois precisa atravessar o país para enfrentar outro time três dias depois. Sem peças de reposição, você acaba ficando pelo caminho e aconteceu isso com algumas equipes esse ano. É uma divisão que o Vasco não jogava há muito tempo, mas mesmo com uma equipe individualmente excepcional tem tido dificuldades. É só você ver o que América-RN e ABC fizeram na Copa do Brasil eliminando grandes equipes da Série A e provou que a divisão é mais equilibrada. Então não tem essa do favorito chegar ao título com facilidade. Todos os que caíram ano passado para a Série B estão lá em cima brigando mas com dificuldades. No nosso caso, foi surpreendente subir tão cedo, mas esperávamos subir de qualquer forma. Se não tivéssemos tidos alguns vacilos nas últimas rodadas, já teríamos conseguido o acesso com 7 ou 8 jogos de antecedência", analisou.

Com o principal objetivo de conseguir o acesso a Série A conseguido, Nereu afirma que o Joinville agora vai continuar brigando com a Ponte Preta pelo título da Segundona e somente após o término do campeonato que começará a pensar no planejamento da equipe para 2015. Com pelo menos 10 jogadores emprestados no elenco, o dirigente sabe que precisará buscar reforços no mercado para manter a qualidade do elenco mas ressaltou que a maioria dos titulares na campanha do acesso tem contratos longos com a equipe catarinense.

"70% da equipe titular tem contrato com o Joinville de 2 a 3 anos do elenco atual e isso tudo não foi feito agora. Ainda não conversei com nenhum atleta depois de conquistarmos o acesso. Tenho entre 10 e 15 atletas emprestados pelo Atlético-PR, Atlético-MG e Botafogo por exemplo, e que eu irei fazer a devolução dos atletas aos clubes. Alguns interessam a permanência e vamos ver como vai ficar. O planejamento de 2015 ainda será iniciado e teremos uma reunião com a direção e com o conselho para ver alguns planos do que será feito. Ainda dependemos de saber o que será oferecido pelos direitos de transmissão dos jogos ano que vem para estipularmos um orçamento. Agora vamos em busca do título da Série já que conseguimos o acesso e temos uma boa chance de disputar com a Ponte. Para nós só faltam quatro rodadas e a partir do dia 30 de novembro vamos começar a ver quem fica e quem precisará vir", afirmou.

Torcida do Joinville fez a festa após retorno do time para Série A 28 anos depois da última participaçãoDivulgação

O acesso do Joinville em 2014 evidencia uma evolução do futebol catarinense. Atualmente com três times na principal divisão nacional (Criciúma, Chapecoense e Figueirense), o estado tem a possibilidade de ter até cinco representantes na Série A em 2015 caso o Avaí também consiga o acesso. Para o dirigente, a principal receita para o sucesso dos times de Santa Catarina é a aposta na gestão dos clubes por profissionais interessados no crescimentos da agremiação e não no lucro.

"Não acredito que vão ter cinco times, mas pelo menos três vão estar. O futebol de Santa Catarina nos últimos anos se desenvolveu e chamou a atenção de outros estados porque as equipes daqui passaram a ser geridas por empresários que não têm interesse de ganhar dinheiro com o futebol e sim em ajudar os times de suas cidades profissionalizando os clubes. Todos seguem a mesma linha de ter uma boa estrutura física e profissionais na gestão, melhorando sempre ano a ano. Claro que sempre existe a dificuldade de segurar a emoção para não misturar com o profissional. Esse é o segredo para o sucesso do estado e acho que isso vai durar por um bom tempo por conta das estruturas que todos construíram", disse.

* Colaborou Edsel Britto

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