Por edsel.britto
Publicado 08/11/2014 21:10 | Atualizado 08/11/2014 21:12

Rio - O Flamengo viajou para Recife tentando esquecer a incrível derrota no Mineirão que até agora não foi digerida. Como aconteceu um pouco com a Seleção, houve excesso de otimismo que acabou se acentuando durante o jogo depois do gol de Everton. É a velha lição jamais aprendida — futebol é traiçoeiro, requer atenção em todos os minutos e, como diria Chacrinha, o programa (ou o jogo) só acaba quando termina.

O resultado voltou a debater a necessidade de reforços mas essa deveria ser a prioridade com qualquer resultado. A essa altura é injusto querer crucificar quase todo o mundo da noite para o dia. O elenco não é indigente como alguns alardeiam, apenas está na média da maioria.

A diretoria não pode fazer loucuras e só deve contratar de acordo com as suas possibilidades.Vanderlei tem acertado mas, como não é perfeito, também toma decisões absurdas como nas entradas de Elton e Mattheus no Mineirão. O ano de 2014 foi difícil para o futebol brasileiro e não perdoou equívocos.

Luxemburgo teve mais acertos do que erros na temporadaMárcio Mercante

DESORGANIZAÇÃO

Na euforia por ser o centro de uma grande decisão nacional com os dois grandes clubes, a torcida mineira é vítima da desorganização do nosso futebol. É um absurdo que cada jogo só possa ter uma torcida, liquidando-se o confronto que, por exemplo, construiu toda a lenda de um Fla-Flu. A decisão de jogar a primeira no Horto só traz prejuízos e apequena o confronto. E ainda há a discussão sobre o peso maior dos gols fora, já que são estádios diferentes.

TUDO É DECISÃO

Nas seis rodadas que faltam, Cruzeiro e São Paulo vão jogar as últimas cartadas na briga pelo título. Os mineiros querem liquidar tudo o mais rápido possível, até para se dedicar à decisão da Copa do Brasil. E o São Paulo de Muricy precisa descontar cinco pontos de diferença, o que parece difícil. Pelo menos hoje, o Cruzeiro tem vantagem por jogar contra o lanterna em casa e é franco favorito. Já o São Paulo, desgastado, terá parada mais dura contra o Vitória, na Bahia.

EMOÇÃO MAIOR

O amigo Fernando Calazans, em “O Globo”, se diz em cima de muro na hora de afirmar se prefere pontos corridos ou mata-mata.Na verdade, essa Copa do Brasil, em poucos jogos, ofereceu momentos eletrizantes mais do que em todo o Brasileiro. Fernando deve estar com nostalgia do mata-mata mas a solução é óbvia: um Brasileiro de pontos corridos, mas em parte, com os primeiros oito fazendo a decisão no estilo mata-mata. Teremos de volta a sensação de uma grande final.

OS DOIS LADOS

Bebeto reclama que seu filho Mattheus foi injustamente hostilizado por causa da derrota do Flamengo para o Atlético-MG. Houve, é certo, exagero em concentrar a revolta no garoto que já entrou com o time perdido. Mas o culpado foi Vanderlei, que não teve sensibilidade para sentir que não era jogo para o estilo de Mattheus. O que não invalida a constatação de que o filho de Bebeto custa a acertar no futebol e não convence ninguém de que um dia irá jogar como o pai.

RAROS MOMENTOS DE UMA CARREIRA MALDITA

Levir Culpi e Marcelo Oliveira atravessam momentos mágicos em suas carreiras. O técnico do Cruzeiro vem de campanhas vitoriosas e está decidindo as duas principais competições nacionais. Se ganhar as duas, será endeusado. Se perder ambas,o que é pouco provável,será contestado.

Levir já passou por experiências amargas e até escreveu um livro chamado “O burro com sorte” aproveitando a ironia de um torcedor. Após quase virar um burocrata, está sendo elogiado como um revolucionário por dar um estilo intenso e corajoso ao Galo. Com um título, voltará a ser um ilustre professor. Mas por pouco tempo.

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