Alex afirma: 'Nosso futebol precisa rever vários conceitos'

Em entrevista, o camisa 10 do Coxa fala sobre carreira e futuro do esporte

Por O Dia

Paraná - Um dos últimos autênticos camisas 10 do futebol brasileiro vai se despedir hoje dos gramados. Aos 37 anos, Alex vai pendurar as chuteiras após cumprir a promessa de encerrar a carreira no clube de coração, o Coritiba. Ao ajudar o Coxa a garantir a permanência na Série A em 2015, o apoiador se despedirá dos torcedores com uma festa no Couto Pereira, contra o Bahia, às 17h.

Os planos de Alex a partir de 2015 são o de curtir a família e lançar a sua biografia. Foram quase 20 anos defendendo seis clubes e a Seleção. Jogador extremamente técnico, Alex foi ídolo de Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahce, mas não deu certo no Flamengo. Foram muitas alegrias e uma decepção: a de ter falhado na busca pelo ouro olímpico.

Alex vai encerrar a sua carreira neste domingoDivulgação

ODIA: Sua biografia sai ano que vem. Como surgiu a ideia? Foi difícil abrir os 20 anos de carreira ?

Alex: Uma vez, lendo a biografia do (tenista André) Agassi, eu pensei: por que não contar a minha história? Quando contava para as pessoas algumas passagens que vivenciei, me diziam: ‘coloque em um livro’. Aí fui apresentado ao então deputado Marcelo Almeida, que me ofereceu de presente o livro. Pensei no Ruy Castro para escrever, mas ele não podia e indicou o Marcos Eduardo Neves, que está terminando a biografia. Falo tudo o que houve e vi durante esses anos, e a importância da minha família.

ODIA: Você teve uma carreira muito vitoriosa, qual o sonho que realizou? E qual a maior decepção?

Alex: O sonho foi o de jogar pelo Coritiba! E a maior decepção foi não ser medalhista olímpico. Mas saio super satisfeito, não sinto falta de nada.

ODIA: Por que optou por se aposentar? Depois que parar, pretende continuar ligado ao futebol?

Alex: Resolvi parar porque não me vejo mais em condições de me divertir no futebol. Vou parar e descansar um pouco com a família.

ODIA: Você fez questão de voltar para o Coritiba, clube do coração. Foi difícil dizer não para Palmeiras e Cruzeiro? Sai satisfeito com o que fez pelo Coxa?

Alex: Foi dificílimo! Tenho um carinho enorme pelos dois clubes. Sou um pouco palmeirense e cruzeirense, mas era um desejo meu antigo jogar pelo Coritiba e saio satisfeito com o que vivi.

ODIA: Você teve passagens vitoriosas por Palmeiras e Cruzeiro, mas no Flamengo foi diferente. O que aconteceu para não dar certo? O que poderia ser diferente?

Alex: O Flamengo vivia um momento administrativo ruim e o clube era um oba-oba enorme. Eu vinha de uma derrota pesada nas Olimpíadas e estava mentalmente morto. Entrei no oba-oba do clube e não joguei absolutamente nada. O que eu poderia fazer de diferente era ter sido comprometido como sempre fui, mas em um clube descompromissado com tudo. Assumo a maioria da “culpa” pelo meu fracasso na Gávea.

ODIA: Palmeiras ou Cruzeiro, em qual jogou melhor?

Alex: Fui feliz nos dois e acho que joguei bem nos dois.

ODIA: Quando foi para a Turquia imaginava conquistar uma idolatria tão grande?

Alex: Não tinha ideia do que iria acontecer. Fui para lá cumprir um contrato de três anos e tudo aconteceu de uma forma espetacular.

Alex opinou sobre momento do futebol Divulgação

ODIA: Seu nome sempre foi especulado na Europa. Por que quis ficar na Turquia?

Alex: Tive chances de sair, mas vivia bem, a atmosfera era fantástica e fui ficando.

ODIA: Você disputou mais de 60 jogos pela Seleção, mas não teve a oportunidade de disputar uma Copa. O que aconteceu? O Felipão te explicou por que não te chamou em 2002?

Alex: Fui preterido pelos treinadores no momento final. O motivo só eles que podem responder por que não fui. Eu tinha certeza de que iria (em 2002), mas o Felipão não me deve explicações, era o treinador e fez as suas escolhas.

ODIA: Como tem visto o panorama atual do futebol brasileiro? É preocupante?

Alex: Se não nos organizarmos amplamente, sim. Temos um belo motivo para nos preocupar. Nosso futebol precisa rever vários conceitos.

ODIA: O 7 a 1 da Alemanha foi um acaso como disseram Felipão e os jogadores?

Alex: O jogo em si, sim. A Alemanha se aproveitou de 10 minutos horríveis e definiu o resultado. Mas a Copa do Mundo não. Fizemos uma Copa ruim em todos os sentidos: técnico-tático e, principalmente, mental. Isso não é acaso, é trabalho. E nisso fomos mal.

ODIA: Dá para acreditar num futuro promissor da geração atual do nosso futebol?

Alex: Dá! Vem uma geração forte.Cabe aos clubes trabalhar melhor esses meninos.

ODIA: Depois da Copa, o ouro olímpico em 2016 é a nova obsessão. Acha que desta vez é possível conquistar?

Alex: Sempre foi possível. Por alguma razão ainda não vencemos. Mais uma vez o trabalho mental será super necessário. A pressão pela medalha de ouro, ainda mais sendo jogado em casa, requer esse trabalho. Mas somos favoritos ao ouro, sim.<MC5><QA0>

ODIA: Qual a importância do Bom Senso para melhorar o futebol brasileiro?

Alex: A importância é abrir essas discussões para que, em um futuro breve, tenhamos melhores condições a todos envolvidos com futebol. Mas é um trabalho de formiguinha, a longuíssimo prazo. Mexemos num vespeiro enorme onde existem muitos laços difíceis de desatar.

ODIA: Devido aos poucos resultados práticos obtidos, acha que está na hora de atitudes mais fortes dos jogadores?

Alex: Não temos muito o que fazer. Podemos, como já fizemos, levantar as discussões.Mas não legislamos e muito menos executamos (as leis). E como falei, tem muito para ser discutido e, principalmente, ser feito. E seguiremos tentando.

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