O final melancólico da trinca

Clubes cariocas jogam última partida do ano sem objetivos

Por O Dia

Rio - Fluminense, Flamengo e Botafogo, mesmo em compartimentos estanques, dão hoje adeus ao Brasileiro de forma melancólica. Todos esquecidos por suas torcidas e que não têm nada a comemorar ou sequer a se interessar.

O Flu não conseguiu emplacar com o seu time, apesar do elenco caro, só ensaiou uma chegada ao G-4 e jamais foi sério candidato ao título. Perdeu a vaga na elite não por conta dos grandes, mas pela falta de vontade diante dos pequenos, que jogam com organização e determinação. Será que isso vai mudar? O Fla, que frequentou a penúltima colocação antes da parada para a Copa, recuperou-se com Vanderlei e ganhou jogos em série, mas não conseguiu sair da zona intermediária — não foi criado nem existe só para escapar do rebaixamento. E isso já irrita sua imensa torcida. Virou uma constante e não uma eventualidade. O Botafogo mergulhou em uma crise devastadora, pior ainda do que se imagina, depois da catastrófica administração de Maurício Assumpção. Está soterrado e quase não ficou pedra sobre pedra.

Fim de ano carioca é melancólicoAndré Mourão

DISTANCIAMENTO

O ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, não é esquecido pelo título do Brasileiro de 1995 e pela participação decisiva na recuperação de General Severiano. Após sair, virou eminência parda, influindo muito e sendo sempre ouvido, o que é natural. Mas não chegou a ajudar na crise financeira. Agora, com a derrota de Thiago, diz que não vai ajudar o novo presidente, decidiu tirar férias e se transformar de vidraça em estilingue. O Botafogo merece mais do que isso.

CABEÇAS DE BAGRE

Não há como aliviar. O Botafogo de hoje é um time de cabeças-de-bagre, pelo menos na sua ‘força’ ofensiva. Com todo o respeito pelo lado profissional, quase todos não têm condições de vestir a camisa alvinegra — basta ver a escalação de hoje contra o Atlético-MG com Murilo, Bruno Correa e Yuri Mamute. Só pode dar errado. O Botafogo já tem padrão de referência: fazer daqui por diante tudo exatamente ao contrário desse lamentável ano de 2014.

JUSTIÇA ÁGIL

O rebaixamento do Vasco, ano passado, traz desagradáveis lembranças que vão desde a falta de um belo goleiro até a briga selvagem, no jogo final, no estádio do Joinville. Mas a decisão de levar a julgamento, com júri popular, os participantes dessas pseudo torcidas já significa avanço na luta contra os que insistem em se aproveitar do futebol para dar vazão a baixarias. O vascaíno Leone Mendes é um dos indiciados e deverá pagar um pouco mais do que cestas básicas.

A PROMESSA

A torcida do Flu foi, de certa forma, surpreendida com a garantia de Peter Siemsen sobre o que seria a boa situação financeira do clube. Segundo ele, se a patrocinadora saísse hoje, estaria tudo bem. Há controvérsias. Em caso positivo, não há muito a se preocupar com o futuro. Mas parece ter havido excesso de otimismo, pois como se explicaria as dívidas com jogadores e fornecedores? É uma afirmação perigosa, duvidosa, que cai no limbo, à sombra da crise tricolor.

Peter Siemsen e o Flu vivem momentos complicadosCarlos Moraes

LEMBRANÇAS ETERNAS DO AMIGO ROBERTO PORTO

Na quinta-feira, veio a notícia mais ou menos esperada, mas sempre sofrida.Robertão morreu e com ele fica a saudade de muitas coberturas em vários veículos de imprensa. Trabalhamos na última fase do Correio da Manhã, que fez bela e surpreendente cobertura da Copa de 70.Depois, já pelo JB, situações folclóricas em uma excursão da Seleção, na Arábia Saudita. E ainda toda a expectativa pela campanha do Botafogo em 1989 — havia um jejum de 21 anos sem títulos. Ele enviou, na decisão, todo o seu imbatível otimismo aos companheiros comentaristas da TV Manchete (João Saldanha e esse colunista). Depois de certo ponto foi mais botafoguense do que qualquer outra coisa e escreveu excelentes livros sobre a sua maior paixão.

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