Por pedro.logato

Rio - Gaúcho como Dunga, Luiz Adriano jogou pela primeira vez na seleção brasileira no amistoso com a Turquia, em outubro. Em três partidas, ainda não balançou as redes, mas sua movimentação chamou a atenção por ser bem diferente de Fred, seu antecessor, que foi chamado de estático na Copa do Mundo. Luiz Adriano defende o atacante tricolor e, com 121 gols marcados em oito temporadas pelo Shakhtar Donetsk, tornou-se o maior artilheiro da história do clube ucraniano. Porém, não descarta se transferir ao fim da temporada, quando se encerra o contrato. Aos 27 anos, seu principal objetivo é se manter na Seleção e garantir que será a principal opção de Dunga para a camisa 9.

Luiz Adriano quer se manter na seleção brasileiraReuters

O DIA: Como foi seu início no futebol?

LUIZ ADRIANO: Eu jogava na escolinha do meu bairro, em Porto Alegre. Fiz teste no Juventude, em Caxias do Sul, passei e tive que sair de lá. Voltei para Porto Alegre e então fui aprovado em um teste no Internacional.
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O DIA: Sempre foi atacante?
LUIZ ADRIANO: Mudei completamente o meu estilo, mas sempre fui atacante. Era mais de cair pelas pontas. Agora sou mais fixo. Mudou muito a maneira de jogar também.
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O DIA: Você está na oitava temporada pelo Shakhtar Donetsk e já é o maior artilheiro da história do clube. Como se motivar?
LUIZ ADRIANO: Temos que continuar ganhando títulos, mesmo já tendo vencido muitos. A maior motivação é a Liga dos Campeões da Europa, que ainda não ganhamos.
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O DIA: Como é sua relação com os torcedores ucranianos? Eles tietam os jogadores tanto como os brasileiros no dia a dia?
LUIZ ADRIANO: Eles me tratam muito bem e sempre pedem para tirar fotos. São bem mais fechados que os brasileiros e acaba que eu é que brinco com eles.
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O DIA: E a guerra? O estádio do Shakhtar Donetsk foi bombardeado recentemente e vocês estão morando, treinando e jogando em Kiev (a distância é de 717 km). Assusta muito?
LUIZ ADRIANO: A gente está bem tranquilo. O pior já passou e não tocamos muito no assunto guerra. Em Kiev, onde moramos, não tem nada.
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O DIA: No início da temporada vários jogadores sul-americanos não se apresentaram ao clube por causa do conflito, mas você foi sem problemas. Não teve nenhum medo?
LUIZ ADRIANO: Medo eu não tive. Conversei muito com a diretoria e com o treinador (o romeno Mircea Lucescu). A situação era só em Donetsk, e não no país todo. Tive tranquilidade de acreditar no pessoal que me garantiu segurança total. Por isso eu vim.
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O DIA: O que foi mais complicado em sua adaptação?
LUIZ ADRIANO: Acho que o mais complicado foi o frio. A adaptação ao futebol ucraniano também não foi fácil, pois é mais brigado, dão carrinho a toda hora. Bem diferente do brasileiro. A comida é boa, temos vários restaurantes italianos e outros por aqui, mas o frio é muito complicado.
Luiz Adriano já fez história pelo time ucranianoReuters

O DIA: Você é artilheiro da Liga dos Campeões com 9 gols, à frente de Messi, Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic e outros craques. Qual é a sensação de disputar com jogadores desse peso?

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LUIZ ADRIANO: Está sendo muito bom. É fruto de um trabalho. Sempre é bom disputar com craques do tamanho de Messi, Cristiano Ronaldo.
O DIA: Você tem contrato até o fim da temporada. Pretende permanecer no Shakhtar Donetsk ou vai tentar novos desafios?
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LUIZ ADRIANO: Se for bom para mim e para o Shakhtar, seria muito importante disputar um outro campeonato. Mas, se tiver que acabar a carreira aqui, também será muito bom. O clube e as pessoas têm muito carinho por mim. Sou muito bem tratado por aqui.
O DIA: Em qual liga você se vê jogando no futuro?
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LUIZ ADRIANO: Não sei. Acho que Campeonato Italiano, Espanhol. Nunca pensei muito nisso.
O DIA: Você tem feito gols pelo Shakhtar há muito tempo. Acha que demorou a ser chamado para defender a seleção brasileira?
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LUIZ ADRIANO: Tudo tem seu momento. Não tive a sorte de ser convocado antes. Acho que era o momento de outros. Agora é o meu. Tudo tem seu tempo.
O DIA: Onde você assistiu a Copa do Mundo?
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LUIZ ADRIANO: Eu vi a Copa do Mundo no Brasil. Só no fim, quando tive que me reapresentar ao Shakhtar, assisti aos jogos durante a pré-temporada que fizemos na Áustria.
O DIA: Como você viu a goleada de 7 a 1 da Alemanha em cima do Brasil?
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LUIZ ADRIANO: Foi muito triste ver uma derrota daquelas, de sete. Muito triste. Mas já aconteceu e espero que as coisas mudem. Já passou, já foi. Temos que erguer a cabeça e dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito.
O DIA: Como foi a experiência de chegar à Seleção?
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LUIZ ADRIANO: Foi muito bom estar na seleção brasileira e jogar. É muito importante para mim. Eu estava esperando a convocação, estava trabalhando muito para isso. Foi legal ter conhecido grandes jogadores que eu não tinha tido a oportunidade de conhecer.
O DIA: Como foi a estreia na Seleção? Rolou trote?

LUIZ ADRIANO: Tem aquela famosa brincadeira de subir na cadeira na hora da refeição e cantar. Cantei um samba do grupo Fundo de Quintal.

Fred foi defendido por Luiz AdrianoReuters

O DIA: O Fred, que atua na sua posição, foi um dos jogadores mais criticados do Mundial. Concorda com as críticas?

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LUIZ ADRIANO: No momento em que o Fred foi convocado, todo mundo dizia que ele merecia. Não acho que perdeu o Fred. Perderam todos, o grupo. Não sei por que falam tanto dele, que estava estático. Todo mundo pedia o Fred na seleção brasileira.
O DIA: Quem é seu grande ídolo no futebol?<EM>
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LUIZ ADRIANO: Tenho vários ídolos. Ronaldo, Romário e Drogba, entre os que vi jogar.
O DIA: Em 2012, você teve a polêmica do fair play ao marcar gol com os adversários parados. Se arrepende?
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LUIZ ADRIANO: Eu me arrependo. Não vi o lance. Pedi desculpas depois. Já pedi, passou.
O DIA: Você tem um sonho no futebol? Qual?
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LUIZ ADRIANO: Meu sonho é continuar sendo convocado para defender a seleção brasileira. Vou lutar para ter novas oportunidades e continuar sendo campeão. E quem sabe ir para um outro centro do futebol.
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