Por pedro.logato
Rio - Um dos últimos românticos do MMA, Lyoto Machida vê a evolução do esporte como algo imprescindível. Adaptar-se às tendências e, especialmente, à crescente transformação física se faz necessário para se competir em alto nível. Talvez por isso o Dragão seja um dos poucos de sua geração a não sucumbir ao declínio, apesar dos seus 36 anos. No entanto, algumas coisas não mudam na cartilha do carateca, herdeiro de uma dinastia. O peso-médio sempre reclamou da autopromoção através da troca de provocações e assim sempre será. O novo e o velho se misturam para fazer o ídolo prosperar.
Após disputa frustrada de cinturão contra o campeão Chris Weidman, em julho, o baiano, radicado no Pará, concentra suas energias sobre CB Dollaway, sábado, no UFC Barueri. Duelo perfeito para provar que o tempo só o faz melhor e que o último revés foi só um erro de cálculo.
Lyoto não se vê em declínioDivulgação

“Acho que é difícil acompanhar a evolução. É preciso estar atento, de olho nas mudanças e nos novos atletas que estão chegando. Estou sempre procurando estudar isso para me manter em atividade, porque lutar é o que eu gosto de fazer”, analisa Lyoto.
Em busca de oportunidades de treino que não possuía mais no Brasil, o Dragão se mudou com a família para Los Angeles, nos EUA, e lá pôde melhorar seu wrestling, além de outras habilidades. Nem o idioma o assusta mais.

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“Estou fazendo aulas de inglês duas, três vezes por semana. Preciso aprender tudo o que posso e me comunicar melhor. De quebra, ainda aproveitar mais a vida”, diz.
Lutador à moda antiga, seu marketing é seu desempenho dentro do octógono. Lyoto é contra troca de farpas como forma de promoção de ventos, algo que cresce cada vez mais entre atletas brasileiros. Campeão dos penas do UFC, José Aldo, por exemplo, se rendeu à prática no último duelo contra Chad Mendes, em outubro, em busca de valorização financeira. Machida não recrimina, mas frisa que é algo impensado para ele.
Lyoto Machida já foi campeão dos meio-pesados do UFCMárcio Mercante / Agência O Dia

“Vim de uma arte marcial tradicional, que sempre teve a ideia do samurai, do guerreiro, como um cara que tinha respeito pelo seu oponente. Acredito que o lutador carrega responsabilidade, pois vira um exemplo”, declara, sem duas caras.

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“Não concordo com esse tipo de atitude, de falar uma coisa na frente das câmeras, depois tirar a máscara e virar outra pessoa. O que eu sou dentro do octógono sou na minha vida. Respeito quem faz isso, mas não faz o meu estilo”, completa, convicto. Toda mudança tem seus limites.
MOTIVAÇÃO PARA VOLTAR COM TUDO
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A luta contra CB Dollaway não tem sequer o peso de um ‘title shot’ — quando o lutador ganha a chance de disputar o cinturão em caso de vitória. Porém, o próprio presidente Dana White disse que o Dragão pode voltar às cabeças em 2015. A meta, então, é se manter motivado.
“Quero lutar com o CB e dar o meu melhor. Quando penso assim, consigo treinar bem e me motivar. Quero mostrar para a geração que vem aí que cada luta é importante, não apenas o ‘title shot’. Cada passo, cada atitude e cada momento são importantes”, frisa Lyoto.
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