Novo piloto brasileiro na F-1, Felipe Nasr diz: 'Sauber terá carro competitivo’

Jovem, de 22 anos, participou de três temporadas na GP2

Por O Dia

Rio - Aos 22 anos, Luiz Felipe de Oliveira Nasr terá a grande oportunidade da carreira. Após três temporadas na GP2 (com quatro vitórias, todas em 2014, 20 pódios e uma pole) e uma como piloto de testes da Williams — onde destacou-se e recebeu elogios —, o brasiliense começará para valer sua história na Fórmula 1. Mais nova aquisição da Sauber, ele guiará o carro amanhã e terça-feira (seu companheiro Marcus Ericsson treina hoje e quarta) nos testes de pré-temporada no circuito de Jerez de La Frontera, na Espanha. Em grave crise financeira, a equipe suíça teve sua pior temporada em 2014, mas Nasr, que contou com forte patrocínio para assinar contrato, aposta em um 2015 diferente. Confiante e sem medo da pressão, ele espera somar pontos em seu primeiro ano, se destacar e se manter por muito tempo na F-1.

O DIA: O que espera de seu primeiro ano pela Sauber? É importante já mostrar serviço de cara? E quais os objetivos?

NASR: Espero muito trabalho, dedicação e evolução. O importante é mostrar serviço sempre, desde que você começa a correr. Um ano ou outro fora da média pode acontecer, mas o bom mesmo é mostrar o que você sempre pode entregar. Em 2015 quero aprender os circuitos que não conheço e ajudar a Sauber a marcar pontos.

Felipe Nasr vai disputar temporada da F-1Reprodução Internet

O DIA: A Sauber teve muitos problemas financeiros em 2014 e saiu sem pontuar na temporada. Isso preocupa ou dá para acreditar em um carro competitivo?

NASR: Problemas financeiros e técnicos são cíclicos na F-1 e tem sempre a próxima volta para se recuperar. A Sauber saiu zerada de pontos, mas aprendeu muito e tem um novo projeto, com um novo motor Ferrari. Tenho certeza de que terá um carro competitivo.

O DIA: Você e seu companheiro de Sauber, Ericsson, tiveram batalhas duras na GP2. A rivalidade daquela época vai continuar?

NASR: Já conversamos durante o GP Brasil, em Interlagos, estivemos juntos na festa de fim de ano da Sauber e agora a situação é diferente, estamos na mesma equipe, temos que unir forças. A rivalidade, porém, sempre vai existir entre dois pilotos.

O DIA: O que mais aprendeu como piloto de testes da Williams em 2014? Acha que seu desempenho influenciou para chegar à F-1?

NASR: O ano com a Williams foi sensacional, funcionou exatamente como pensávamos. Aprendi muito sobre métodos e procedimentos na F-1, coisas que vou levar para o resto da vida. Em todos os treinos e simuladores que fiz na Williams pude mostrar o que posso fazer e, é claro, que as notícias se espalham e, sim, influenciou muito para eu conseguir a vaga.

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O DIA: Qual a importância de Felipe Massa para a sua evolução em 2014?

NASR: O Massa me ajudou muito, até mesmo conseguiu que eu tivesse um treino a mais pela Williams. Tanto ele quanto o (Valtteri) Bottas me receberam de braços abertos e sempre foram sinceros nas conversas. É bom ter apoio quando você chega a novos ambientes.

O DIA: Você negociou com equipes para entrar na F-1 em 2014, mas não foi possível. O que deu errado?

NASR: Steve Robertson (empresário do piloto) vem conversando com diversas equipes há muito tempo. Acertar com uma depende apenas do momento, não dá para ficar fazendo adivinhações. Com a Williams acertamos para 2014 porque eles estavam renovando muita coisa (motor, engenheiros, piloto) e queriam mais apoio na base. Com a Sauber foi a oportunidade de continuar progredindo na minha carreira.

O DIA: Olhando para trás, acha que foi melhor ficar como piloto de testes em 2014 para aprender mais?

NASR: Na verdade você tem que olhar sempre pra frente. Mas não se pode negar o passado e o ano de 2014 na Williams foi muito, muito bom. Em todos os sentidos. Está ótimo da maneira que está. </MC>

O DIA: Na GP2 você fez boas corridas e teve bom desempenho, mas não conseguiu o título. O que acha que faltou? Ficou satisfeito com a quantidade de vitórias?

NASR: É outra coisa que acontece com corridas, você sempre quer mais. Mas o meu desempenho foi muito bom, considerando que mesmo correndo contra equipes que dominam a categoria há anos eu incomodei muito. Além das vitórias fiz corridas ótimas, largando de trás e terminando no pódio. Deixei a minha marca na categoria.

O DIA: O que mudou na sua vida desde o anúncio da Sauber que você seria o piloto?

NASR: Muito mais compromissos com os patrocinadores, muito mais reuniões com futuros apoiadores e muito mais entrevistas. O resto vai retomar agora, com os testes coletivos da F-1 em Jerez.

O DIA: Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet se mostraram felizes com a entrada de mais um brasileiro na F-1, mas o Brasil não conquista um título desde 91, com Ayrton Senna, e não tem uma vitória desde 2009. Está preparado para a pressão por resultados?

NASR: Fico feliz com o incentivo do Emerson e do Nelson, eles conhecem e é bom saber que também me apoiam. Quanto à pressão, isso é uma coisa que todos nós que queremos ser pilotos profissionais estamos acostumados.

O DIA: Além do talento, você tem um patrocinador forte. Até que ponto isso ajuda na hora de negociar com uma equipe? Na F-1 de hoje só talento basta para conseguir vaga em uma equipe média?

NASR: O talento é o ingrediente que não pode faltar nunca. Mas ele tem que ser temperado com muita dedicação e muito apoio. As equipes são empresas comerciais também, com sócios e até acionistas, e que buscam, portanto, um melhor resultado econômico. Para isso, elas sabem que precisam investir para ter os melhores técnicos e pilotos para que possam atrair os maiores investidores. É pura aritmética.

O DIA: Quem é seu ídolo na Fórmula 1? Por quê?

NASR: Na F-1 de hoje gosto muito do Kimi (Raikkonen), do (Fernando) Alonso e do (Sebastian) Vettel. Dos anos que eu só assistia pela televisão, gostava do (Michael) Schumacher. E da F-1 histórica cresci escutando as histórias fantásticas do Ayrton Senna.

O DIA: Uma curiosidade fora da F-1. Você é botafoguense. Acompanha os jogos? O que achou do rebaixamento no Brasileiro?

NASR: Você foi lembrar logo isso? Rebaixamento é muito ruim, espero que sirva para “bater o pé no fundo da piscina” e voltar com tudo para a Série A, que é onde o Fogão merece estar.

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