Sem dificuldade, Bangu bate por 2 a 0 o Bonsucesso pelo Campeonato Carioca

No campo do Madureira, alma do futebol do Rio se mostra viva com Bangu e Bonsucesso

Por O Dia

Rio - Em meio à troca de notas oficiais de clubes e de xingamentos entre dirigentes, a essência do futebol do Rio de Janeiro vive. Os 910 convictos espectadores que marcaram presença ontem no estádio da Rua Conselheiro Galvão, em Madureira, para ver a vitória por 2 a 0 do Bangu sobre o Bonsucesso — gols de Sérgio Raphael e Marcudinho — tiveram a impressão de uma volta a um passado não tão distante.

Bangu derrotou o Bonsucesso por 2 a 0Ernestto Carriço

Torcida muito próxima dos jogadores, bancos de reservas simples, feitos de madeira, e um um placar desenhado na parede com os números móveis: elementos necessários para uma verdadeira tarde carioca de futebol, com direito a dois clubes oriundos do subúrbio.

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A harmonia entre os torcedores, o clima cordial e a receptividade entre quem foi prestigiar seus times do coração estavam no ar. Na cantina do modesto, mas bem cuidado estádio do Madureira, as conversas eram muitas, mas o sentimento entre os torcedores era a nostalgia de um tempo quando os quatro gigantes se arriscavam nas canchas suburbanas.

“O maior charme do Campeonato Carioca era ver o Flamengo em Moça Bonita, o Vasco jogar na Rua Bariri. Infelizmente a Ferj tirou isso de nós torcedores de times pequenos. Não consigo entender muito essas interdições de estádios menores, só enfraquecem a competição”, afirmou o banguense Nilo Souza, de 50 anos.

Nilo, aliás, não era um ‘gato pingado’. Junto com ele, tantos outros torcedores de Bangu e Bonsucesso. Mas nada de coração dividido. Amor único. Mesmo com os vistosos cabelos brancos, muitos deles mostram disposição e fôlego de garoto para acompanhar a paixão clubística com direito a loucuras, não importando a distância.

“Quando o Bonsucesso estava na Série B do Carioca eu fui a cada buraco só para acompanhar meu clube. Ele é a minha vida, conheci o futebol vendo o Bonsuça jogar na Teixeira de Castro”, disse José Carlo Rosa, de 60 anos.

Em campo, quando a coisa estava começando a ficar feia para o Bangu, que vencia por 1 a 0 mas via o Bonsucesso buscar o empate a todo custo, o técnico Mário Marques teve sensibilidade de colocar o jovem Marcudinho, de apenas 19 anos, que entrou na segunda etapa e fez o gol que selou a vitória alvirrubra.

“Fiquei muito feliz com esse gol na minha estreia como profissional, espero poder dar muitas alegrias a essa torcida fiel do Bangu”, afirmou o herói de uma tarde tipicamente carioca.


Reportagem de Ulisses Valentim

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