Por fabio.klotz

Portugal - Mattheus é mais um jogador criado nas divisões de base do Flamengo que não se firma e deixa o clube. O meia, que acertou com o Estoril, de Portugal, participou do título do clube na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2011. Dos jogadores que estiveram em campo na decisão contra o Bahia, apenas o goleiro César e o zagueiro Frauches ainda continuam no clube.

Mattheus mostra confiança em brilhar com a camisa do EstorilDivulgação

“No Flamengo é sempre assim. Quem vem de fora é mais bem visto do que o prata da casa. Quem sobe não joga 100%, não tem sequência para ganhar confiança. Nenhum jogador tem isso. Esse é o principal motivo. Jogador sem confiança não joga em nenhum lugar”, afirmou o meio-campo, que foi apresentado esta semana no clube português.

Ser filho de Bebeto é um peso extra que o meio-campo tem de carregar - ainda mais com o pai tendo feito sucesso no Flamengo. O jovem jogador diz não carregar essa cobrança internamente, mas admite que na Europa será menos cobrado por isso. Com contrato até o meio do ano com o Estoril, Mattheus garante que não guarda mágoas do Flamengo:

“Não tenho mágoa nenhuma. Muito pelo contrário. Tenho a motivação de brilhar aqui no Estoril. Só tenho mais vontade de vencer. A passagem foi válida”, afirmou o jogador, que tem contrato com o Rubro-Negro até o fim de 2016.

“Não digo que isso atrapalhou, mas todos querem comparar. As pessoas cobram mais por ser filho de jogador. Na Europa é diferente, não olham com esse olhar. No Brasil, criam um rótulo que não tem como tirar”, avalia Mattheus, que levou para Portugal alguns conselhos de Bebeto, considerado um dos maiores ídolos da história do Deportivo La Coruña:

“Ele me disse que o pessoal é muito profissional na Europa. Pediu para bater nessa tecla. Ser humilde, me dedicar e mostrar meu talento.”

O Estoril faz parte de um projeto da Traffic e a chegada de Mattheus foi comemorada pelo presidente do clube, Tiago Ribeiro, que na condução do clube conseguiu a classificação para a Liga Europa nas últimas duas temporadas.

“O Mattheus é um jogador de muita qualidade que buscamos para o projeto. Buscamos o equilíbrio entre jogadores portugueses, africanos com experiência em Portugal e brasileiros. O fato de já ter uma rodagem e não ter uma projeção muito forte ainda está no perfil que buscamos para conseguir fazer um bom trabalho”, declarou o dirigente.

Meta do clube é revelar jogadores

O projeto do Estoril não é ambicioso. Nas duas últimas temporadas, atingiu a quarta e a quinta posição e conseguiu uma vaga na Liga Europa. Esse ano, está em nono, mas sem grandes pressões.

“A ida para a Liga Europa é consequência. Quando chegamos estávamos na segunda liga e tínhamos que levar o clube à Série A, que era um patamar melhor. Nos estabilizamos, fizemos mudança no CT e no elenco. Nosso objetivo é conseguir manter o padrão e revelar jogadores”, afirmou o presidente Tiago Ribeiro.

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