Por fabio.klotz

Rio - Grande domingo do futebol com Maracanã cheio, rivalidades no ponto máximo e muita esperança de que tudo transcorra em paz, o que, aliás, tem sido uma boa rotina nos últimos tempos no Maracanã. Flamengo x Vasco, um jogo capaz de fazer esquecer um pouco a crise crônica do futebol do Rio e, de quebra, do próprio país, em fase dificílima na economia e na política. Mesmo assim, a emoção quase garantida do jogo não assegura alta qualidade técnica pelo que se tem visto ultimamente.

Marcelo Cirino é artilheiro do Flamengo no CarioaErnesto Carriço

Há pequenos pontos que ainda prometem qualidade, como as duas duplas de ataque - Alecsandro e Cirino no Flamengo e Dagoberto e Gilberto no Vasco. Possibilidade de muitos gols? Em clássico nunca há favorito, principalmente nesse, porque o equilíbrio é absoluto e, na fase atual, a oscilação é tanta que ninguém pode prever coisa alguma. Tudo pode depender de um lance fortuito, de alguém em dia iluminado ou da própria performance dos goleiros.

Dagoberto está com moral no VascoCarlos Moraes

De um lado, os rubro-negros vão torcer com o habitual otimismo de quem está acostumado a um excelente retrospecto local e ainda têm um time bom para este campeonato. Do outro, a torcida vascaína que há muito tempo não tem tanto motivo para acreditar.

Culpado e vítima

Luiz Antonio ainda é promessa de grande jogador, mas dificulta a sua ascensão. Como tantos no meio, vem de origem humilde e não consegue lidar com personagens sombrios à sua volta. Traficantes e milicianos tentam se aproveitar até da sua popularidade, como no caso de Adriano. Outros, por irresponsabilidade, como Bernardo. No caso de Luiz Antonio, a coisa é mais complexa porque a "vítima" parece ter-se utilizado dos métodos espúrios dos seus "amigos". Sem precisar disso.

O rompimento

Há tantos problemas no futebol do Rio e os presidentes de Fluminense e Botafogo arrumam sarna pra se coçar com essa história de rompimento de relações. Há dois lados na questão: em um deles, o Botafogo tem razão porque Siemsen gosta de impor seus métodos, não importa se atropelem o bom senso - e, historicamente, o clube parece disputar uma competição à parte com o Botafogo. Por outro, o Botafogo perde conteúdo ao se unir a Eurico e à federação em suas demandas.

Peso imenso

Renan inicia série de três jogos no Botafogo que pode até definir o seu futuro no futebol. Começou como promessa, participou de seleções de base e impressionou por seu porte. Depois se enrolou, substituiu mal os titulares e raramente se impôs. O ponto mais baixo foi no ano passado, tragado pelo caos do clube. Agora volta a substituir o melhor goleiro do país. Se falhar, ficará em situação difícil. Neste domingo, contra a Cabofriense, terá bom teste, mas o clássico diante do Vasco será decisivo.

Calor de inverno

A Fifa só escolheu o Catar para sede da Copa de 2022 por razões políticas e, segundo muitos, por corrupção. Ela já começou errada, sabendo-se também que seria inviável na época normal em função das temperaturas escaldantes. Os europeus estão chiando porque haverá atravessamento de suas competições. Mas é tarde para chorar. Não se pode querer impor uma Copa no verão do Catar. Todos vão pagar um preço por essa volúpia de estranha confraternização universal da Fifa.

A Fifa não pode ter poderes absolutos

É benéfico para a organização do futebol mundial que a Fifa seja poderosa. Sua ação fiscalizadora e administrativa impede abusos, violações e facilitou a consolidação do futebol em países carentes. Mas há um limite. No caso do Brasil, a intenção do Governo de proibir reeleições sucessivas na CBF e nas federações teve o objetivo de democratizar as entidades. A Fifa não poderia ficar contra, a não ser que olhe para o mundo como um reflexo distorcido de si própria e temendo perder privilégios.

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