Por pedro.logato

Rio - A torcida do Flamengo dirá, com razões, que o Vasco venceu com um pênalti inexistente, mas o lance surgiu em um momento de superioridade vascaína. Bem diferente de todo o primeiro tempo em que se viu um jogo equilibrado, com raras chances de gol em que o esquema de Vanderlei funcionava com os seus três jogadores de contenção — Márcio Araújo, Jonas e Luís Antonio. O Vasco se perdia em cruzamentos sobre a área sem efeito, e o Flamengo teve a única chance em belo chute de Alecsandro que exigiu grande defesa de Martín Silva, o craque do jogo. Depois do intervalo, Vanderlei quis ganhar o jogo ao tirar Luís Antonio e colocar Arthur Maia em campo. O time deveria ficar mais ofensivo mas isso não aconteceu e o Vasco tomou conta até que fez o gol no polêmico pênalti. Depois, foi só uma pressão desordenada do Fla, um recuo perigoso do Vasco e uma portentosa defesa de Martín Silva em conclusão de Gabriel. O Vasco, depois de longo tempo, quebrou a escrita e parte agora para uma improvável final com o Botafogo.

Jogadores do Vasco comemoram classificaçãoCarlos Moraes

DOIS JOGOS

Flu x Botafogo do Engenhão foi, na verdade, uma partida que pareceu conter dois jogos completamente diferentes, até com outras equipes. O avassalador primeiro tempo do Botafogo surpreendeu — com boa atuações de Gegê e Pimpão. No segundo tempo, o extremo esforço de um time limitado e o desgaste da semana pesaram e o Flu, com Robert, foi bem melhor. Mas, no cômputo geral, a vitória do Botafogo foi justa, apesar do impedimento no primeiro gol.

HERÓI INESPERADO

Nem o mais otimista ou supersticioso torcedor do Botafogo poderia imaginar que viria exatamente de Renan, o reserva de Jefferson que dava calafrios, o toque de heroísmo do jogo. Ele já cometera sem necessidade o pênalti em Gérson e seu histórico no clube não era bom. Mas se superou nos pênaltis, fez o gol da classificação com frieza e revelou, mais uma vez, o lado inesperado do futebol, que o torna o melhor esporte. Um símbolo de sua resistência e também a do Botafogo.

O IMPONDERÁVEL

Parecia que o Botafogo já tinha batido no teto da meta, como dizem os economistas. Mas foi além. Tinha contra si o desfalque do seu único craque, a derrota no primeiro jogo, a partida desgastante do meio de semana, enquanto o Flu descansava, e ainda o regulamento injusto que o obrigava a ganhar por dois gols, desconsiderando a igualdade nas vitórias simples. A ausência de Fred ajudou, mas quem poderia imaginar uma decisão dramática com 11 pênaltis? Foi bem Botafogo.

OUTROS TEMPOS

O Flu até poderia ter se classificado porque tem um elenco razoável, superior aos de Botafogo e Vasco. Mas não possui a força de antes sem Conca. O time tem claras limitações, é muito jovem, com uma defesa insegura, e Wagner não é muito confiável. Fred (foto) passa a ser referência absoluta. Se há pretensões de ser competitivo a nível nacional são necessários reforços. Difíceis com a atual crise econômica. Resta sobreviver com alguma dignidade e brilhos eventuais.

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