Após cinco anos na Espanha, Wellington Silva finalmente terá chance no Arsenal

Atacante conseguiu obter o passaporte europeu e integrará o elenco do time inglês a partir da próxima temporada

Por O Dia

Espanha - Depois de cinco anos perambulando entre times da primeira e segunda divisões da Espanha, Wellington Silva, revelado pelo Fluminense, finalmente terá a chance de estrear pelo time que o contratou em 2010: o Arsenal. Com o passaporte europeu na mão, o atacante foi convocado pela comissão técnica do clube inglês e fará parte do elenco que participará da próxima pré-temporada. Além disso, o jovem terá o vínculo prorrogado para ter mais tempo de mostrar o seu futebol com a camisa dos Gunners.

Alegre por finalmente ver a chance de jogar pelo Arsenal chegar, Wellington contou sobre a rotina e as dificuldades que enfrentou para se adaptar à Espanha. 

De passaporte na mão%2C Wellington Silva está de malas prontas para o Arsenal na próxima temporadaarquivo pessoal

"Foi muito complicado, porque eu cheguei com 18 anos só. Minha família não pôde vir e eu sofri muito por ficar sozinho. Fiquei um ano no Levante sem jogar e isso complicou mais ainda. Foi difícil me acostumar ao idioma e cultura diferentes. Precisei ficar quatro anos e meio na Espanha para conseguir o passaporte europeu. Tive de ter muita paciência, sempre tentei fazer minha parte treinando, cuidando da minha saúde, recebendo apoio da família e dos amigos e vejo que hoje valeu a pena passar por tudo isso. Finalmente recebi o passaporte na semana passada e agora estou pronto para voltar para o Arsenal. Apesar do Almería estar em uma situação complicada na tabela, eu estou feliz pelo meu desempenho individual, já que eu consegui jogar bastante, tive minutos aqui. A cada partida venho melhorando e evoluindo. Faltam seis jogos para terminar a temporada e não tenho motivos para ficar triste, reclamando de nada, só posso agradecer por tudo que aprendi nesses anos aqui", contou.

O atacante, de 22 anos, admitiu que ficou decepcionado quando soube que não iria chegar e ficar no Arsenal por conta da falta de documentação. Somente cinco anos depois, Wellington finalmente vai poder realizar o sonho de vestir a camisa dos Gunners. Apesar da ansiedade, o jogador garante que está tranquilo e preparado para enfrentar o maior desafio da sua vida.

Parceiros em seleções de base%2C Wellington Silva e Neymar se reencontram no duelo entre Barça e Almeríaarquivo pessoal

"Quando eu cheguei, já queria estar no Arsenal, mas precisava do documento e até fiquei um pouco triste por não poder ficar. Já que tive de ser emprestado, procurei dar o meu melhor onde eu tivesse de jogar. Pude aprender, crescer muito como pessoa e atleta. Agora já tenho outra cabeça. Há pouco tempo o pessoal do Arsenal me ligou e me deu a notícia de que estarei no primeiro time e serei observado. Isso me deixa tranquilo e motivado para mostrar meu trabalho. Estou muito feliz pela oportunidade e agora só depende de mim conseguir ficar", disse.

Apesar da modesta campanha com o Almería, é o 17º na tabela do Espanhol e briga contra o rebaixamento, o atacante teve a chance de jogar contra grandes ídolos do futebol mundial, como Messi, Cristiano Ronaldo e Bale. Um desses astros é um velho conhecido dele. Companheiros nas seleções de base do Brasil, Neymar e Wellington se reencontraram na partida entre Barcelona e o seu time no último dia 8. 

Wellington se diz preparado para finalmente estrear pelo time principal do Arsenalarquivo pessoal

"Para mim foi uma alegria muito grande. Já tinha jogado na Seleção sub-17 com ele em 2009. Agora ele está no Barcelona, virou um astro mundial e foi muito legal jogar contra ele. Ele lembrou de mim na hora que me viu. Conversamos antes e depois do jogo, foi muito bom reencontrá-lo. Ele é o astro da nossa Seleção e fico feliz por tudo que ele conquistou. Ele como pessoa é nota 10. Nessa temporada pude vir para um time de Primeira Divisão, depois de uma passagem pela Segunda, e encontrei um nível mais exigente. Fiquei muito feliz de jogar com times dessa grandeza, porque me fez aprender ainda mais e me deu mais motivação e força para continuar me preparando. Depois dessa experiência, sinto que estou pronto para enfrentar os grandes jogos pelo Arsenal."

Confira outros trechos da entrevista:

Adaptção à Espanha sozinho

O idioma é um ponto muito importante, porque para treinar, para sair para comer e nao entender o que as pessoas falam, tudo era complicado. No início era muito dificil compreender o que as pessoas falavam. A distância da família foi a pior parte, porque eu sempre estive perto deles. Até os 18 anos, nunca tinha ficado tanto tempo longe e isso foi choque muito grande, mas foi preciso fazer isso para aprender. Hoje não posso reclamar de nada, porque isso tudo foi para me moldar e fez com que eu evoluísse como pessoa. Agora já sei falar tudo e a família vem para cá de vez em quando.

Problemas na adaptação aos times e sucessivos empréstimos

Graças a Deus não tive problema com ninguém em momento algum. Só aquelas discussões normais de treino, de não gostar de uma entrada ou de uma jogada, mas nada demais. Eu sou do tipo que quer sempre fazer amizade, brincar, rir e se dar bem com as pessoas. Sou muito brincalhão com os meus companheiros de equipe. Precisei dar mais valor a essa relação, porque com a minha família longe era com eles que convivia todos os dias. Uma parte que realmente era complicada era a questão do tempo, os empréstimos eram sempre curtos e quando eu ia me acostumando ao time, tinha de mudar. Os três primeiros anos foram muito difíceis, mas esse ano vim para o Almería, pude jogar regularmente e principalmente na Primeira Divisão, tudo foi ficando mais fácil de lidar. Agora com o passaporte nas mãos, tenho portas abertas na Europa, mas quero agarrar a oportunidade no Arsenal e me manter por lá.

Diferença entre os torcedores brasileiros e europeus

Hoje em dia nada se compara com o Maracanã lotado. Antes de vir para a Europa, eu tive a experiência de marcar um gol, com o estádio cheio, minha família presente, foi muito marcante, um sonho de infância realizado. Aqui na Espanha é muito diferente. O público é mais tranquilo, comportado e só quer assistir ao jogo. No Brasil a torcida xinga, canta, pula, aproveita o jogo para se divertir mesmo. Aqui o pessoal é muito comportado.

Expectativa para trabalhar com Wenger

Wenger é muito bom em trabalhar com jovens, sempre faz questão de valorizar a prata da casa e sempre dá espaço para a garotada. Por isso eu fiquei tranquilo quando acertei com o Arsenal, tinha certeza de que teria minha chance. Não é o estilo dele comprar jogador toda hora. Ele gosta mesmo de moldar o atleta, ter paciência, trabalhar em cima do jovem para manter na equipe ou vender e fazer caixa para continuar tendo estrutura. Eu gosto e admiro muito o trabalho que ele faz. Esse estilo é muito bom para mim, porque eu cheguei para treinar lá com 15, 16 anos e ele me conheceu ali. Apesar de ter começado no Fluminense, eu me sinto jogador da base do Arsenal pelo tempo que fiquei treinando lá. Não tenho dúvida de que terei oportunidades com ele. Se não for agora, será depois, mas tenho certeza de que minha hora vai chegar. Apesar de ter o passaporte na mão e a possibilidade de jogar na Itália, na Alemanha, meu foco é realizar o sonho de jogar pelo Arsenal, ter sucesso por lá e ser feliz.

Campeonato Inglês e Liga dos Campeões

É sensacional essa oportunidade de jogar Campeonato Inglês. Só de pensar nisso eu já fico muito feliz e ansioso. Seria outro sonho jogar a Liga dos Campeões, o melhor campeonato do mundo na atualidade. Apesar da expectativa, tenho de pensar em uma coisa de cada vez e ir buscar pouco a pouco, sem queimar etapas. Primeiro vai ter a pré-temporada, com os amistosos para eu poder mostrar meu trabalho. Só quero chegar lá, ter a oportunidade para fazer a minha parte e conseguir me manter na equipe. Se surgir a chance de entrar em campo na Liga, será mais um sonho realizado, estar ali entre os melhores jogadores do mundo. Hoje eu sei que estou preparado para esses grandes jogos.

Wellington espera conseguir uma vaga entre os convocados para as Olimpíadas no Rio%2C em 2016arquivo pessoal

Chance na seleção olímpica

Acredito que posso ter chances, sim. Não tenho dúvidas de que agora atuando pelo Arsenal eu vou ter mais visibilidade para ser lembrado. Aqui no Almería fica muito mais difícil ser notado. No ano passado, o Gallo me convocou e eu tive a oportunidade de fazer parte da seleção olimpíca. Acho que fiz minha parte e fui bem na chance que tive. Espero poder ser lembrado nas próximas convocações. Jogando pelo Arsenal e tendo espaço lá, minhas chances aumentam de ter lugar entre os convocados. Ano que vem temos a Olimpíada e vai ser uma briga muito intensa, já que são apenas 18 vagas e todo mundo vai querer o seu espaço. É o unico título que a Seleção não tem. Seria muito especial poder participar. Só de representar o meu País já é algo importante. Seria ainda mais inesquecível conseguir essa conquista na minha cidade, com a Amarelinha, é um cenário de sonho. Para chegar lá, primeiro preciso pensar em me firmar no Arsenal, para poder ter alguma chance de ter a minha vaga entre os 18 já que a concorrência será gigantesca. Não tenho dúvidas de que se eu fizer meu trabalho bem feito, estarei com chances de ser lembrado pelo Gallo.

Problema com Muricy na saída do Fluminense

Realmente tive um problema no fim da minha passagem por lá, mas sempre fui muito grato por tudo que passei no Fluminense e fiz questão de agradecer quando saí. A discussão com o Muricy foi uma coisa boba, por causa do pessoal que trabalhava comigo e colocou coisas na mídia que não eram devidas. Foram divulgadas algumas coisas que eu estava conversando entre amigos, que foram publicadas e mal interpretadas. A situação ficou meio chata, mas não falei nada com a intenção de prejudicar ninguém. Depois disso, liguei para ele (Muricy), pedi desculpa e não ficou nada errado entre nós. Tenho um respeito muito grande e acho um treinador fantástico. Em relação ao Flu, eu não tenho palavaras para agradecer. Eu fui criado lá, me formei, ganhei títulos e fui muito feliz no período em que fiquei no clube. Sempre me dediquei ao máximo e tenho um carinho especial. Se um dia eu tiver chance de voltar, ficarei muito feliz e motivado.

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