Por pedro.logato

Rio - Embora seja exagero dizer que essa decisão salva o Campeonato Carioca, isso é quase verdade. Depois de mais de três meses de excesso de jogos, nível técnico baixo e estádios vazios, os jogos decisivos foram emocionantes, polêmicos, empolgaram o torcedor e reacenderam a rivalidade com direito a lances eletrizantes, gols no finzinho, disputa emocionante nos pênaltis com 22 cobranças e por aí vai. A beleza do futebol também é vista em uma situação como essa em que dois times guerreiros, motivados, não necessariamente brilhantes, seduzem o torcedor e fazem esquecer um pouco toda a crise do futebol do Rio com a sua Federação usurpadora e grandes clubes divididos. Quem sair campeão hoje poderá comemorar com orgulho e justiça porque fez por onde. Houve até mistérios e dúvidas cercando o clássico que aumentaram o suspense do torcedor. Jefferson iria jogar ou não? Seria melhor Doriva começar de saída com Bernardo arriscando os seus prós e contras? É o fascínio do próprio jogo que fará história na comemoração do vencedor e na amargura do derrotado. Os dois são protagonistas de um dia glorioso do futebol.

Botafogo e Vasco disputam título neste domingoAlexandre Brum

DECISÃO CAUTELOSA

Se Jefferson se considerasse apto ao jogo e os preparadores endossassem a sua recuperação, não haveria como René Simões deixá-lo de fora. Ainda assim, correria o risco de que o goleirão falhasse por qualquer razão e todos criticassem a volta apressada. De qualquer forma, a sua atuação ficaria sob crivo feroz. A decisão em conjunto de preservá-lo foi tecnicamente a melhor mas, se Renan falhar, é possível que a ausência de Jefferson seja muito lamentada e até injustamente criticada.

RAÇA OU HABILIDADE?

A dúvida vascaína prende-se mais a uma questão tática e de postura em campo. Com Bernardo , um time mais lento, com possibilidade maior de jogadas individuais e lançamentos precisos. Com Marcinho ou Rafael Silva, opção pelo que já vinha dando certo e por um estilo de mais intensidade. Marcinho é um jogador que alterna bons e maus momentos e Rafael Silva tem se destacado quando entra na fase final com oportunismo e velocidade. Escolha difícil, mas todos motivados.

CAMINHOS PARECIDOS

Apesar da diferença de idade e de tempo no batente, René Simões e Doriva ficaram parecidos ao longo da campanha por razões diferentes. Doriva foi instado por Eurico a jogar ofensivamente e aceitou. René sempre disse que o time, mesmo limitado, tinha DNA ofensivo. Mas eles não descuidaram da defesa. A do Vasco é a melhor pelos valores individuais e só saiu da curva no 5 a 4 do Friburguense. A do Botafogo safou-se pelo empenho. Ótimo porque foram duas fórmulas equilibradas.

O FUTURO DE GERSON

Gerson, o mais promissor dos garotos do Flu, fez por onde não ser convocado para a seleção sub-20, preferindo ficar no clube por algum tempo e então bater asas rumo a um destino qualquer no exterior. É difícil avaliar cada decisão. Mesmo na medíocre seleção, ele estaria na vitrine e dificilmente cumpriria ciclo mínimo de amadurecimento no Brasil. Em grande parte falido, o futebol brasileiro não segura quase ninguém e deixa aos garotos e seus empresários uma decisão capital.

O MARACANÃ AINDA CONTINUA MUITO MAL RESOLVIDO

Os responsáveis pelo consórcio que administra o Maracanã dão explicações técnicas, algumas procedentes, mas, ao longo do tempo, têm mudado o gerenciamento e as condições de concessão mostrando insegurança e inexperiência. O estádio é subutilizado, não satisfaz as necessidades dos grandes e a questão do preços escalonados dos ingressos é um equívoco, cuja imagem emblemática e melancólica é a da parte central do estádio vazia e o público atrás dos gols. Hoje, decisão, é um jogo diferenciado, a exceção que confirma a regra.Está na hora de repensar o Maracanã e,com competência, há possibilidade de aumentar a sua capacidade para pelo menos 70 mil pagantes.

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