Por pedro.logato

Rio - Há tanto tempo sem o título carioca, o Vasco mereceu amplamente a conquista porque venceu sem ressalvas, com um futebol de alto nível, competitivo e baseado, principalmente, na força de sua defesa, que, além do ótimo goleiro, tem a melhor dupla de zagueiros do campeonato. Ontem houve quase um repeteco do primeiro jogo, com equilíbrio, um início avassalador do Botafogo, que logo se desfez, e, com o passar do tempo, a supremacia da maior consistência vascaína. René tentou surpreender com a escalação-surpresa de Luís Ricardo, mas não funcionou. Com 20 minutos, o jogo se equilibrou e o Vasco passou a levar mais perigo até se repetir um vacilo de Marcelo Mattos. No primeiro jogo, a falta desnecessária que originou o gol de Rafael Silva. Ontem, a distração que permitiu a retomada de Gilberto, o belo lançamento de Guinãzu e o gol de Rafael Silva, o talismã. A vantagem poderia permitir muitas facilidades ao Vasco na fase final, mas a luta dos dois times manteve o nível e o Botafogo, até bravamente, empatou com Diego Jardel e assustou. Depois da expulsão de Fernandes, complicou e, no finzinho, veio o tiro de misericórdia. O Vasco foi um campeão legítimo em uma final de guerreiros.

Eurico voltou ao Vasco com título do EstadualMárcio Mercante

O UNGIDO

Rafael Silva acompanhava Doriva desde a temporada em São Paulo e sua chegada ao Vasco não surpreendeu. Ele acabou sendo decisivo primeiro nas suas entradas sempre oportunas durante a campanha e, na decisão, com dois gols preciosos em momentos estratégicos. No finzinho do primeiro jogo, vitória que balizou taticamente a partida de ontem quando, novamente no fim de uma fase, ele não desperdiçou a chance que ganhou no passe de Guiñazu. Deixou o seu nome na história.

A INVENÇÃO

Os técnicos de futebol gostam de bolar uma sacada que talvez os consagrem. Essas surpresas só fazem marola, pois o futebol se decide por várias razões. Ao escalar o lateral Luís Ricardo no meio, René Simões tentou uma formação jamais testada e, em tese, enfraqueceu o setor ofensivo do Botafogo. A saída prematura de Arão desarvorou todo o meio campo. O equívoco à La Professor Pardal não anula seu bom trabalho no Carioca. O time chegou até onde ninguém imaginava.

DISTORÇÃO

Ninguém, com um mínimo de bom senso e isenção, pode considerar que foi um excelente campeonato porque o Brasil vive uma vazante de craques e, particularmente, a Federação do Rio faz um grande esforço para piorar as coisas. Mas isso não justifica que certos órgãos da mídia minimizem a decisão ou que analistas reduzam tudo a terra arrasada. Há tempo de sobra para criticar o que está errado. A festa do torcedor e a força da decisão merecem louvação. Se não, parece chororô.

FALSA VITÓRIA

O filipino Manny Pacquiao (foto) disse, após a luta com Floyd Mayweather, que tinha vencido o combate e que a decisão dos árbitros concedendo a vitória ao americano era outra questão. Estava certo. Durante 12 rounds, Pacquiao acertou mais golpes e tomou a iniciativa, agressivo e intenso. Mayweather suportou os golpes e contra-atacou pouco. Não houve ameaça de nocaute. Mas a lógica recomendava vitória de Pacquiao. Pareceu um arranjo político para manter o campeão.

FINAIS ESTADUAIS TROUXERAM EMOÇÕES DISTINTAS

uem esperava que o Palmeiras ganhasse no embalo perdeu a aposta. O Santos se aproveitou bem da Vila Belmiro, onde raramente perde, e se impôs nos pênaltis. Em Minas Gerais, apesar do cartaz da invicta Caldense, o Atlético-MG usou a tradição, a torcida e até o imponderável para vencer com gol de Jô, que não balançava a rede há mais de um ano. O Inter descansou da Libertadores e atropelou o Grêmio porque é mais time. E, enquanto o Operário confirmava em alto estilo a zebra paranaense, o Bahia levava sua torcida à loucura, recuperando-se de um 0 a 3 no primeiro jogo para uma goleada por 6 a 0 e o título de forma sensacional. Grande domingo!

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