Por renata.amaral

Portugal - O ex-jogador português Luís Figo anunciou nesta quinta-feira que não concorrerá mais às eleições para a presidência da Fifa, que serão realizadas no dia 29, e alegou como justificativa que o processo eleitoral demonstrou uma grave falta de transparência democrática. Com a decisão, sobram na disputa apenas o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein e o atual mandatário da entidade, o suíço Joseph Blatter, no cargo desde 1998.

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Em comunicado recebido pela Agência EFE, a candidatura de Figo enumerou os motivos que o levaram a desistir das eleições e lembrou as razões pelas quais se candidatou ao processo eleitoral.

"Minha candidatura foi fruto de uma decisão individual, após ouvir muita gente relevante no mundo do futebol internacional. Reuni o apoio necessário para apresentar minha candidatura e as reações foram tão grandes que tomei ainda mais consciência de que minha decisão tinha sido a correta. A Fifa precisa de uma mudança e acho que de forma urgente", disse.

Figo não concorrerá à presidência da FifaReuters

Ao elaborar um balanço sobre os meses de candidatura, o ex-jogador afirmou que recebeu o apoio de pessoas que também desejam mudanças, mas contou que se sentiu envergonhado com algumas situações.

"Viajei e conheci pessoas extraordinárias, que também se identificam com a necessidade de mudança para limpar a Fifa e afastar essa imagem de organização obscura, vista como um espaço propício para a corrupção. Mas também presenciei, em vários lugares do planeta, cenas que envergonhariam os que querem um futebol livre, limpo e democrático", relatou.

Figo citou como exemplo de situações decepcionantes algumas observações sobre o último congresso da Concacaf.

"Vi presidentes de federação que um dia compararam os líderes da Fifa ao Diabo e, no outro, compararam as mesmas pessoas a Jesus Cristo. Ninguém me contou, eu mesmo presenciei", ressaltou.

Entre os motivos que o fizeram renunciar à disputa, Figo deixou claro que a falta de diálogo para propor soluções a problemas prejudicou o desenvolvimento do processo eleitoral.

"Os candidatos não tiveram permissão para ir às federações durante os congressos. Não existiu um único debate público sobre os programas de cada um. Será que alguém acha normal as eleições de uma das organizações mais importantes do planeta não terem um debate público? Alguém que acha normal que um candidato nem sequer apresente um programa eleitoral para o dia 29?", criticou.

Em clara alusão a Blatter, o português questionou os motivos de não ter sido apresentado "um programa para os presidentes das federações saberem em que votarão". Segundo ele, "o processo eleitoral é tudo, menos uma eleição".

"É por esse motivo que, após pensar individualmente e compartilhar opiniões com outros dois candidatos neste processo, entendo que o que acontecerá no dia 29 de maio em Zurique não é um ato eleitoral normal. E não sendo assim, não contem comigo", ratificou.

Ao agradecer pelo apoio recebido durante a campanha, o ex-candidato denunciou a falta de representatividade de algumas regiões na defesa de interesses.

"Que fique claro que guardo muito respeito por todo o universo do futebol mundial, desde a África, onde recebi tanto incentivo, à Ásia, onde tenho e manterei grandes relações, passando pela América do Sul, onde uma nova geração ganha espaço, e pela América Central e do Norte, onde tantos foram silenciados quando queriam falar", comentou.

Para finalizar o comunicado, Figo alfinetou novamente o processo eleitoral da Fifa e declarou que o esporte não será beneficiado com o resultado da eleições.

"Não tenho medo de eleições, o que acontece é que não pactuo e nem aguento um processo no qual o futebol não sairá vencedor", concluiu.

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