Uma fortuna nas mãos de José Maria Marin

Ex-presidente da CBF teria recebido mais de R$ 20 milhões para negociar direitos comerciais da Copa América

Por O Dia

Rio - O ex-presidente da CBF, José Maria Marin seria um dos cinco beneficiários de propina no valor de US$ 110 milhões (R$ 346 milhões) paga pela empresa chilena Datisa, de acordo com investigação da Procuradoria de Nova York. O dinheiro seria dado por terem conseguido que a Conmebol e a Concacaf cedessem os direitos mundiais de transmissão das edições da Copa América de 2015, 2019 e 2023, além da Copa Centenário de 2016, evento comemorativo nos EUA.

José Maria Marin está envolvido em escândalo de corrupção da FifaEfe

O esquema teria sido fechado em janeiro de 2014, quando Marin presidia a CBF e era do comitê-executivo da Fifa. À época, o representante da Confederação Brasileira de Futebol na Conmebol era Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF, não citado nas investigações.

Em cada edição, os presidentes da Conmebol, da CBF e da AFA (Associação do Futebol Argentino) embolsariam US$ 3 milhões cada um (R$ 9,6 milhões); os presidentes das outras confederações levariam US$ 1,5 milhão cada (R$ 4,7 milhões) e ainda sobrariam US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) para um décimo-primeiro dirigente não identificado.

Segundo a investigação, o valor de R$ 346 milhões em propina ainda não foi integralmente pago, já que seria parcelado durante a vigência do contrato. Até agora, teriam sido repassados US$ 40 milhões (R$ 126 milhões) — US$ 6 milhões (R$ 19,2 milhões) só para Marin.

Ele também teria recebido R$ 2 milhões anuais em propinas de parceiros comerciais para ceder direitos da Copa do Brasil — esse esquema teria começado na década de 1990. Além disso, a própria CBF também foi implicada em propinas de US$ 20 milhões (R$ 63 milhões) para contratos comerciais da Copa América de 2019, que será no Brasil.

Fluxograma do crime da FifaInfografia O Dia

Polêmico

DESDE OS ANOS 60

Filho de imigrantes espanhóis, José Maria Marin, de 83 anos, tem uma longa carreira política, iniciada na década de 60, como vereador em São Paulo. Foi deputado estadual, de 1971 a 1979. É acusado de ter sido o delator do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pela ditadura em outubro de 1975.

GOVERNADOR

Em 1979, deixou o mandato de deputado estadual para se tornar vice-governador de São Paulo na gestão de Paulo Maluf, na Arena, partido ligado à ditadura militar. Em 1982, com a renúncia de Maluf para concorrer a uma vaga na Câmara Federal, Marin assumiu o governo interinamente e ficou até 1983.

NO ESPORTE

Marin presidiu a Federação Paulista de Futebol de 1982 a 1986, quando foi o chefe da delegação na Copa do México e passou a ganhar espaço na CBF.

NO COMANDO

Com a renúncia de Ricardo Teixeira, Marin assumiu a presidência da CBF em 2012 e comandou o Comitê Organizador da Copa de 2014. No Mundial, viu o Brasil ser goleado por 7 a 1, no maior vexame na história do futebol brasileiro. Deixou a CBF em abril, substituído pelo amigo Marco Polo del Nero.

ZÉ DAS MEDALHAS

Num flagrante dos mais ridículos, logo após assumir a CBF, câmeras de televisão o filmaram colocando no bolso uma medalha destinada aos campeões da Copa São Paulo de Juniores, título conquistado pelo Corinthians.

BANIDO E EXPULSO

Banido pela Fifa devido às denúncias de corrupção, Marin</MC> perderá o cargo de vice-presidente da CBF. A decisão será oficializada assim que Del Nero voltar da Suíça. O prédio da sede da entidade, na Barra, batizado de José Maria Marin na gestão do próprio, deverá mudar de nome.

Dirigente fez papel de espião do FBI

De vilão a espião. O americano Chuck Blazer, ex-membro do comitê executivo da Fifa e ex-secretário-geral da Concacaf, bem que poderia ser personagem de filme de Hollywood.
Em 2011, foi acusado de ter recebido uma grande quantia em propinas nos 21 anos em que ocupou o cargo na Concacaf — que lhe rendeu o apelido de ‘Sr. Dez por Cento’.

Para não ser processado, fez um acordo com o FBI e passou a cooperar com as investigações sobre possíveis irregularidades na escolha da Rússia como sede da Copa de 2018.
Blazer começou então a gravar o áudio das reuniões com executivos da Fifa. Afastado do futebol desde 2013, está internado em um hospital de Nova York para tratar um câncer.

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