Kleber Leite nega envolvimento em escândalo da Fifa e ataca J. Hawilla

Empresa do ex-presidente do Flamengo foi alvo de operação do Ministério Público e da Polícia Federal

Por O Dia

Rio - Na noite desta quarta-feira policiais federais foram às sedes da Traffic, no Humaitá, e da Klefer, em Botafogo, da qual um dos proprietários é Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo, para recolher documentos, computadores e inclusive o celular pessoal do empresário. 

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Kleber Leite publicou um texto para esclarecer as suspeitas de que a Klefer, empresa na qual é sócio, estaria envolvida com a investigação de corrupção na Fifa. O empresário explicou seu vínculo com José Hawilla, presidente do grupo Traffic envolvido com o escândalo, deflagrado nesta manhã, e não o poupou das críticas.

Kleber Leite negou qualquer tipo de envolvimento no escândalo de corrupção da FifaAndré Luiz Mello

“Soube que neste período, J. Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável! Que fim de vida”, disse Kleber em comunicado.

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O ex-presidente do Flamengo não foi citado diretamente nas investigações, mas acabou envolvido. Tanto é que recebeu a visita da Polícia Federal na noite desta sexta-feira em sua empresa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A operação esteve relacionada ao escândalo da Fifa, deflagrado nesta manhã. Os agentes foram em busca de documentos e saíram por volta das 20h40 do prédio em três carros.

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"Fui surpreendido pelo noticiário dando conta que por problemas com o fisco americano, e ante a possibilidade de ser preso, negociou com quem de direito, e através de uma delação premiada fez uma série de acusações, sendo uma delas a de que teríamos nós da Klefer, a exemplo dele, réu confesso, pago propina para a obtenção do contrato mencionado aqui", disse em outro trecho do comunicado.

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A Klefer atua no mesmo ramo da Traffic, uma das empresas citadas no escândalo. Embora a Klefer não tenha sido citada nominalmente na investigação sobre propina no futebol, a suspeita é que ela tenha feito uma parceria irregular com a Traffic.

Entenda o caso

Na madrugada desta quarta-feira no Brasil, manhã em Zurique, policiais da Suíça prenderam dirigentes e membros da Fifa em um luxuoso hotel. Os cartolas estavam na cidade para o 65º Congresso da entidade, que elegerá o seu novo presidente nesta sexta-feira. Entre os presos está o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. As autoridades suíças relataram que os detidos devem ser extraditados para os Estados Unidos, onde a procuradoria de Nova York os investiga pelo recebimento de propinas desde o começo da década de 1990 até os dias de hoje.

Os dirigentes são acusados de envolvimento em um esquema de corrupção através do qual "delegados da Fifa e outros de organizações dependentes receberam propinas e comissões - de representantes de meios de comunicação e de empresas de marketing esportivo - que somam mais de US$ 100 milhões", segundo o Ministério suíço. Em troca, os agentes corruptores "recebiam direitos midiáticos, de publicidade e patrocínio em torneios de futebol na América Latina".

Veja o comunicado na íntegra

"No final ano de 2012, o futebol sul-americano vivia momentos conturbados. As dez federações do nosso continente, insatisfeitas com o que recebiam da Traffic pela participação na Copa América, se rebelaram e, junto com a Confederação Sul-Americana, romperam o referido contrato com a Traffic, e elegeram a empresa argentina Fullplay, como agência responsável pela captação de recursos para a Copa América. J. Hawilla, representando os interesses da Traffic, apelou para o judiciário, entrando nos Estados Unidos com uma série de ações contra as Federações, Confederação Sul-Americana, e cada um dos presidentes das Federações e, também, contra o presidente da Confederação Sul-Americana, Nicolaz Leoz. Deflagrada estava uma batalha jurídica de difícil solução. A Confederação Sul-Americana determinou à todas as Federações que nenhuma delas dali para frente firmasse qualquer acordo comercial com a Traffic e, quem naquele momento tivesse qualquer relação comercial em curso, que fizesse o possível para romper. A CBF recebeu este comunicado da Sul-Americana e, de imediato, encaminhou para o seu departamento jurídico, já que havia um contrato entre CBF e Traffic, em que o objeto era a Copa do Brasil, contrato este que iria até dezembro de 2014. O jurídico da CBF desaconselhou o rompimento do contrato, alegando que, apesar da determinação da Confederação Sul-Americana, não havia nenhum motivo que justificasse o rompimento, e que se assim fizesse a CBF, certamente haveria uma derrota garantida no judiciário brasileiro. Ainda neste parecer, o jurídico da CBF aconselhou sim, a que o contrato não fosse renovado, pois não havia nenhuma cláusula que a obrigasse a isso.

O parecer foi acatado pelo presidente da CBF, o que possibilitou a entrada da Klefer como pretendente em assumir a Copa do Brasil, e a proposta que fizemos, totalizando 128 milhões de reais, com reajuste anual, por oito edições, foi aceita e o contrato assinado no dia 08 de dezembro.

Paralelo a este tema, aconteceu algo curioso. Como tinha um bom relacionamento com J. Hawilla (Traffic), Hugo Jinks (Fullplay) e com os presidentes das Federações, acabei sendo a pessoa que uniu as partes litigantes neste imbróglio da Copa América e, depois de inúmeras reuniões, houve o acordo para que a Traffic retirasse a ação na justiça americana, sendo formada uma sociedade composta por Traffic, Fullplay e TyC (Torneos y Competencias), empresa argentina de comunicação, sociedade esta que passou a ser a detentora dos direitos da Copa América. Na realidade, juntei as partes e promovi o diálogo. A Klefer, empresa da qual sou sócio, não tinha, como não tem, nenhum interesse comercial ou relação com a Copa América.

Com tudo voltando ao normal, recebi em Punta del Este um telefonema de J. Hawilla, fazendo um apelo quase que desesperado, alegando que sua empresa já não tinha mais propriedades importantes, estando restrita apenas a um terço da Copa América, o que para ele era muito pouco, pois tinha a intenção de vender a Traffic e, sem direitos importantes, ninguém iria se interessar. Apelou para a nossa velha amizade, quase que implorando para que a Klefer dividisse com a Traffic o contrato que havíamos firmado com a CBF. Levei o tema para os meus sócios e, mais no emocional, entendemos que poderíamos aceitar a Traffic como parceira no projeto. Após algumas reuniões, o nosso contrato foi assinado, com a Klefer participando de duas edições no contrato CBF/Traffic e, a Traffic, participando das oito edições do contrato CBF/Klefer. Deste ponto, até hoje, tudo transcorreu normalmente. Neste período, praticamente não mais estive com J. Hawilla, que há dois anos havia fixado residência em Miami. Hoje, fui surpreendido pelo noticiário dando conta que por problemas com o fisco americano, e ante a possibilidade de ser preso, negociou com quem de direito, e através de uma delação premiada fez uma série de acusações, sendo uma delas a de que teríamos nós da Klefer, a exemplo dele, réu confesso, pago propina para a obtenção do contrato mencionado aqui.

A nossa resposta é muito simples. Jamais usamos deste expediente para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 (TRINTA E DOIS!) anos de vida da Klefer. Talvez por isso, tenhamos um tamanho normal para uma empresa de Marketing Esportivo. Em segundo lugar, o valor pago à CBF é o maior indicador de que este foi o limite do investimento. Agora mesmo, ante a crise que vivemos, são grandes as dificuldades em se conseguir o equilíbrio desejado. Desafio a qualquer empresa de consultoria afirmar que o preço que é pago pela Klefer à CBF, pelos direitos pertinentes à Copa do Brasil, não seja mais do que justo.

Os contratos e toda a documentação aqui mencionada, estão à disposição. Aqui, não há nada a temer.

Soube que neste período, J. Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável!!! Que fim de vida…

Para encerrar, acuso que recebemos na Klefer as visitas do Ministério Público e da Polícia Federal, em ato de cooperação com o Governo Americano, e que todos os documentos solicitados foram prontamente entregues. A Klefer, através de seus dirigentes, está inteiramente à disposição das autoridades."

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