Por edsel.britto

Rio - Não há como negar que a contratação de Guerrero foi de impacto, a mais importante do Flamengo e do futebol carioca nos últimos tempos. Dentro de condições normais, tem tudo para dar certo porque o Rubro-Negro já tem um time razoável e com um atacante corajoso e artilheiro só tende a se firmar como o melhor do Rio.

Futebol tem seus caprichos e às vezes fere a lógica, mas não havia ninguém no mesmo nível que estivesse dando sopa no mercado. Mas a diretoria violentou as próprias convicções, por mais que negue essa evidência. Pressionado pela campanha pífia e pela degola de treinadores em série, Bandeira de Mello não resistiu à pressão e não reforçou o time dentro da normalidade, como apregoa.

Ele gasta só de luvas quase R$ 20 milhões e Guerrero vai ganhar um salário diferenciado no Rio. Resta saber se isso não causará problemas no grupo e como tudo será administrado. A torcida tem razões para acreditar e comemorar. O fraco futebol carioca ganhou, afinal, um grande atacante que, até pelo temperamento forte e audácia, tem o perfil do Flamengo.

Guerrero, que já treina com a seleção do Peru, só irá se apresentar ao Flamengo após a Copa AméricaDivulgação

FLA-FLU QUENTE

O Fla-Flu tem algum charme especial e esse aparece na hora certa. No Fla, com a estreia de Cristóvão e a contratação de Guererro. No Flu, com a necessidade de afirmação de Enderson Moreira e de um time em busca de recuperação. Apesar das colocações ruins na tabela, há tempo de reação pela mobilização interna e pela pequena distância em relação aos líderes. Um bom resultado vai dar moral aos novos envolvidos, mas o empate seria o mais natural e deixaria todo mundo calmo.

PRA VALER

O Vasco vem de uma série de resultados ruins contra adversários inferiores em casa. Por isso, o desafio de hoje, no Horto, contra o Atlético-MG será forte. O time de Doriva precisará se empenhar muito, se concentrar sem exageros no seu bom sistema defensivo e tratar de surpreender o adversário no contra-ataque. Tarefa difícil, mas não impossível. O Galo tem um dos melhores times do Brasil, é candidato ao título e só foi caiu na Libertadores pelo Inter em dois jogos equilibrados.

O INOCENTE

Amedrontado, Marco Polo Del Nero preferiu voltar rápido ao Brasil a se arriscar a uma eventual prisão ou pagar o mico de ficar dando entrevistas como sucessor de Marín, um dos maiores envolvidos no escândalo da Fifa. Ele quer se livrar do impossível: de que nada tem a ver com os negócios suspeitos, com o grupo que mandava há décadas no futebol brasileiro e de que as ligações perigosas seriam inofensivas. Del Nero quer parecer um inocente no meio do bacanal.

A REELEIÇÃO

Com os votos da África e de boa parte das Américas nas mãos, não havia como Joseph Blatter perder a reeleição na Fifa. O escândalo surgiu tarde demais e não permitiu uma articulação europeia liderada por Platini. Como seu nome não estava diretamente envolvido nas falcatruas, Blatter se segurou. Mas dificilmente o escândalo não respingará na sua administração. Ele está com os dias contados, pois a investigação tende a apontar mais culpados e mais esquemas de corrupção.

CADA VEZ MAIS SE IMPÕE O FUTEBOL DE COMPETIÇÃO

A fase do futebol na América do Sul tem pouco brilho técnico e raros jogadores são de alta categoria. Na reta final da Libertadores, times mais técnicos como Atlético-MG e Cruzeiro, no Brasil,o Racing, na Argentina, e o Santa Fé, da Colômbia, caíram fora. Um time limitado e guerreiro como o Guaraní, do Paraguai, se classificou, assim como o futebol de correria do mexicano Tigres. O Inter tem algum brilho com D’Alessandro e Aranguíz e o River Plate mostrou muita força psicológica.

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