Por jessica.rocha
Racha na cúpula da Concacaf pode ter deflagrado início das investigaçõesReprodução Internet

Suíça - Uma verdadeira puxada de tapete teria sido o gatilho para a investigação do FBI que resultou na prisão de sete dirigentes envolvidos com a Fifa. O barril de pólvora não foi aceso na bucólica Suíça, mas nos escritórios em Nova York da Concacaf, entidade que comanda o futebol nas Américas do Norte, Central e Caribe.

De acordo com o jornal inglês ‘The Sunday Times’, em dezembro de 2010, durante o processo de escolha para as Copas de 2018 e 2022, o trinitino Jack Warner, mandatário da entidade e um dos vice-presidentes da Fifa, teria afirmado ao americano Chuck Blazer, seu secretário-geral, que votaria nos EUA como sede de 2022 para apoiar o continente.

Após a eleição do Catar, Blazer teria descoberto, por meio do catari Mohammed Bin Hammam, membro executivo da Fifa e presidente da Federação Asiática, que Warner teria recebido uma propina de US$ 10 milhões para votar nos árabes. Desde então, as denúncias de corrupção sobre a escolha do Catar começaram a ser investigadas pelo FBI.

Meses depois, Blazer foi preso em Nova York por causa de uma dívida de US$ 11 milhões com a receita federal. Interrogado pelas autoridades, ele aceitou colaborar com as investigações em troca de sua liberdade. O cartola americano passou a ser então um espião infiltrado nas reuniões do alto escalão da Fifa e da Concacaf.

RENÚNCIA AO CARGO

Blazer foi preso em Nova York por causa de uma dívida de US%24 11 milhões com a receita federalReprodução Internet

Quando o escândalo sobre a Copa de 2022 começou a pipocar, Warner foi obrigado a renunciar à presidência da Concacaf. Sobre ele também pesava a acusação de ter recebido outros US$ 10 milhões para garantir a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. Blazer sumiu do mundo do futebol em 2013 e desde então permanece internado em um hospital no estado de Nova York para se recuperar de um câncer no intestino. Warner, 72 anos, se entregou na quinta-feira passada à polícia de Trinidad e Tobago, mas pagou fiança para responder o processo em liberdade.

PAGAMENTO À FIFA NÃO FOI SUBORNO

Ex-presidente do Comitê Organizador Local da Copa de 2010, na África do Sul, Danny Jordaan, reconheceu que o organismo que dirigiu pagou, em 2008, US$ 10 milhões à Fifa, mas negou que tinha havido suborno. As declarações de Jordaan, publicadas ontem no jornal sul-africano ‘Sunday Independent’, ocorrem dias depois que uma investigação do FBI acusou dirigentes da Fifa de receber propina da África do Sul em troca do apoio na votação para o país-sede do Mundial.

O governo sul-africano e a federação local negaram todas as acusações. Segundo Jordaan, os US$ 10 milhões foram repassados à Concacaf para promover o desenvolvimento do futebol no Caribe e nas Américas Central e do Norte.

O presidente da Concacaf era Jack Warner, que ocupava também a vice-presidência da Fifa é quem, segundo o FBI, recebeu o suposto suborno.

“Como podemos ter pago suborno pelos votos quatro anos após ter ganho o processo?”, indagou Jordaan.

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