Revista divulga carta que confirmaria sociedade entre Teixeira e Rosell

Documento publicado pela "Época" comprovaria a ligação entre o ex-presidente da CBF com o ex-mandatário do Barça, onde o brasileiro seria sócio oculto em duas empresas

Por O Dia

Rio - Parceiros comerciais na última década, Ricardo Teixeira e Sandro Rosell mantinham uma sociedade secreta através de duas empresas, de acordo com a edição da revista "Época" desta semana. A publicação traz um documento que comprovaria a relação direta entre os ex-presidentes da CBF e do Barcelona, o que configuraria um conflito de interesses, uma vez que Teixeira representava a confederação nos acordos com a fornecedora de material esportivo da Seleção, da qual Rosell já foi dirigente.

A carta, considerada sigilosa pela Polícia Civil do Distrito Federal, foi apreendido em 2011 no computador de Vanessa Precht, uma das sócias do ex-mandatário do Barcelona. Sem data ou assinatura, o documento tem como destinatário Sandro Rosell e teria como remetente "um especialista do mercado financeiro" que estaria insatisfeito após não receber um pagamento de Teixeira, Rosell e do empresário Cláudio Honiggman, que completaria a sociedade.

O trio foi indiciado no começo de 2015 pela Polícia Federal do Rio de Janeiro. Teixeira é acusado dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documento público, já que teria comprado um apartamento por R$ 2 milhões, mas declarou que o valor do imóvel era de R$ 720 mil.

Ricardo Teixeira seria sócio oculto em duas empresas de Sandro Rosell, ex-presidente do BarcelonaDivulgação

A carta trazida pela revista também detalha a compra de uma corretora, a Alpes, em 2008, por cerca de R$ 25 milhões, a transação teria sido uma operação para movimentar o dinheiro dos sócios. Teixeira e Rosell teriam outros dois sócios neste empreendimento, em uma parceria secreta. Por não ter recebido o suposto valor que lhe era devido, o autor do documento estaria ameaçando revelar os verdadeiros donos do negócio.

A relação próxima de Teixeira e Rosell foi revelada em 2013, em uma reportagem da "Folha de S. Paulo", na qual mostrou que uma das empresas do ex-presidente do Barcelona pagou cerca de R$ 3 milhões para a empresa da esposa do ex-mandatário da CBF na venda de salas comerciais no Leblon, dois anos antes. Segundo o jornal inglês "Daily Telegraph", o ex-dirigente do Barcelona também teria feito um pagamento em nome de uma das filhas de Teixeira em 2011.

Em 2008, a Alianto, empresa de uma sócia de Rosell que depois teve ligação com Teixeira revelada, recebeu cerca de R$ 9 milhões de verbas públicas para organizar um amistoso entre Brasil e Portugal, em Brasília. Rosell também teria sido usado para o desvio de parte do valor que a CBF recebia por amistosos da seleção brasileira. A empresa responsável por organizar as partidas recebia os lucros e repassava parte para contas em nome do espanhol nos Estados Unidos.

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