'Achavam que eu era o Bellucci, mas hoje me reconhecem', diz Marcelo Melo

Brasileiro curte o título nas duplas de Roland Garros

Por O Dia

Rio - De desconhecido de boa parte do público a responsável por recolocar o nome do Brasil entre os vencedores do tradicionalíssimo torneio de Roland Garros, após um hiato de 14 anos - desde o tri de Gustavo Kuerten. O tenista Marcelo Melo colhe hoje os bons frutos após conquistar, pela primeira vez na carreira, o título nas duplas, ao lado do croata Ivan Dodig, ao bater na final os irmãos americanos Bryan. Mineiro de Belo Horizonte, Melo pensa agora em voar ainda mais alto: faturar Wimbledon, que começa dia 29, e estar no lugar mais alto do pódio nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

De verde, Marcelo Melo ergue o troféu de Roland Garros ao lado de Ivan DodigReuters

O DIA: Nove dias depois da conquista do título de Roland Garros, o que mudou na sua carreira?

MARCELO MELO: A ficha ainda está caindo, mas posso dizer que já mudou muito. Eu me sinto mais seguro e respeitado. Hoje, pessoas que nunca imaginei me param nas ruas e me dão parabéns. Antes, muitos achavam que eu era o Bellucci, mas hoje me reconhecem. É gratificante.

Qual foi a primeira sensação após o último ponto? O que passou pela sua cabeça naquele momento?

A gente sempre acredita nos sonhos e durante a semana fomos amadurecendo essa conquista. Fizemos dois jogos fantásticos e vimos que tínhamos chances. Sempre acreditei que ia chegar, mas o engraçado é que, quando o jogo acabou, eu simplesmente não acreditava. Uma das coisas que mais falei com o Ivan era que a gente havia conseguido. Foi incrível.

Na final, o Guga estava na arquibancada torcendo por você. Como foi ter esse apoio?

Eu conheço o Guga há muito tempo, é uma pessoa próxima, sempre conversamos muito. Mas foi legal ver que ele está tão interessado, me ajudou muito emocionalmente. Ele estava preocupado comigo, pois já esteve naquela situação e sabia exatamente como eu me sentia. Foi muito importante.

O torneio de Wimbledon começa no dia 29. Depois de vencer na França, como está sua preparação?

Muitos não sabem, mas o nosso objetivo inicial era Wimbledon. Afinal, a grama é o nosso piso favorito. Temos uma programação a seguir, mas a confiança aumentou muito. Bati na trave em 2014, mas este ano estamos mais visados e sabemos que não teremos moleza pela frente.

A conquista de Roland Garros aumentou a expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Você acredita que temos chances de conquistar uma medalha de ouro em casa?

Conquistar o ouro em seu país é o sonho de qualquer atleta. Para mim seria igual ou até mais importante do que conquistar um torneio do Grand Slam. Eu e Bruno Soares (terceiro colocado no ranking de duplas da ATP) tivemos bons resultados jogando juntos nos últimos torneios internacionais. Acredito que até os Jogos de 2016 estaremos mais preparados. Temos chances, mas prefiro não pensar ainda. Em uma Olimpíada, tudo é diferente.

Durante Roland Garros, muitos brasileiros torceram por você por meio das redes sociais. Em 2016, como vai ser jogar ao lado da torcida aqui no Brasil?

Já jogamos no Brasil e é muito diferente, o pessoal vibra a cada ponto. É muita energia. Eu e Bruno treinamos juntos há muito tempo e espero dar alegrias ao nosso país. Tenho certeza de que será incrível.

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