Por pedro.logato


Rio - A torcida e boa parte da mídia, apesar dos 7 a 1 do Mundial, parece não terem se acostumado com o novo status da seleção brasileira, longe dos bons tempos, com apenas um supercraque e muito nivelada a dezenas de outras. Não se trata de catastrofismo, nem de ruminar frustrações, mas essa Copa América vai ser bem difícil. Vários concorrentes, como Argentina, Chile e Uruguai, são obstáculos muito pesados. Contra a Colômbia, quarto no ranking da Fifa, o Brasil foi superado no toque de bola e se inibiu diante de uma equipe com estilo leve, ofensivo, de maior habilidade e que merecia mais do que o 1 a 0 no primeiro tempo. Depois, faltou audácia e a Colômbia exagerou na cautela. Mesmo com maior posse de bola, faltou categoria à Seleção e sua grande chance só surgiu pela lambança da defesa colombiana. Neymar, nervoso e instável, não resolveu e sua tensão contagiou o time. Com esse nível, a Venezuela pode complicar, mas a tendência é o Brasil seguir adiante, só que não ganhar o título.

Confusão envolvendo Neymar terminou com expulsãoReuters

O PIOR JÁ PASSOU

Após trancos e barrancos, a seleção sub-20, contrariando até algumas expectativas, chegou à final do Mundial. Na fase preliminar, até que teve performance razoável, mas, nas oitavas e nas quartas, jogou duas prorrogações — contra Portugal foi dominado e chegou aos pênaltis por milagre. Na semifinal, contra Senegal, melhorou e aproveitou os vacilos dos africanos. Neste sábado, de madrugada, haverá certo equilíbrio contra a Sérvia, mas a tradição do Brasil ajuda.

PARA SE ISOLAR

O empate do meio de semana entre Náutico e Paysandu foi excelente para o Botafogo, que ficou dois pontos à frente de de um e três do outro, com um jogo a menos. Vencendo o Boa Esporte, hoje, em casa, abrirá cinco pontos do Náutico e, pelo menos, sete do quarto colocado. Se o Botafogo já era referência, virou alvo de todos e não pode relaxar.Será o primeiro jogo com Giaretta titular, mas as esperanças da torcida continua sendo Willian Arão e Pimpão, os melhores.

SHEIK COM A GALERA

A primeira entrevista de Sheik foi um primor de promoção pessoal e de juras de amor ao clube. Sheik sabe vender seu peixe e certamente vai levar um grande público, amanhã, ao Maracanã — até porque é um clássico de muita rivalidade. O Fla ainda está em plano inferior ao Atlético-MG, mas é possível que o jogo seja decidido no emocional e, com isso, Sheik pode brilhar. Ele lança bem e dará novas opções ao ataque. Não é mais um craque, mas virou referência nesse Fla carente.

UM FILME BÚLGARO

É muito difícil, até no circuito alternativo, a exibição de um filme búlgaro, mas os cinéfilos ganharam um bom exemplar com ‘A lição’, um drama que tem alguns pontos de contato com a atual realidade brasileira. A atuação de Margita Gosheva (foto) recebeu elogios no mundo inteiro junto com o filme. Há uma boa estreia americana — ‘Enquanto somos jovens’ —, com dupla carismática: Ben Stiller e Naomi Watts.E que ninguém perca ‘Cauby - faria tudo outra vez’.

ALÉM DE BOLA, FALTA UM LÍDER NA SELEÇÃO BRASILEIRA

O problema não é novo e foi sentido em toda a sua extensão na Copa do Mundo. Com um time instável e precipitado, se deixou abater em excesso pela perda de Neymar e deu demonstrações explícitas de fragilidade emocional — como no choro convulsivo de Thiago Silva contra o Chile.Neymar é um megacraque, mas ainda imaturo para a função, até porque já carrega o time nas costas. O jogador de maior personalidade é David Luiz, mas ele perdeu a posição e é meio estabanado. Está difícil.

Você pode gostar