De olho na etapa da África, Mineirinho e Toledo miram permanência no topo

Brasileiros se preparam para a primeira fase de Jeffreys Bay que começa nesta quarta; Para Mineirinho, ser líder do ranking mundial do WSL não é uma tarefa tão fácil quanto pensam

Por O Dia

Rio - Os surfistas Adriano de Souza, o Mineirinho, e Filipe Toledo se preparam para um nova prova de fogo no Circuito Mundial de Surfe (WSL), que desta vez terá como palco a praia Jeffreys-Bay, na África do Sul. Às vespéras do campeonato, os brasileiros, que assumem a ponta do raking mundial, enxergam a pressão de perto e apostam em suas permanências entre os melhores do mundo.

Na coletiva digital, realizada nesta terça-feira pela Oi que, além de patrocinar Gabriel Medina, anunciaram também Mineirinho, Filipe Toledo e, representando o surfe feminino, Silvana Lima, como atletas patrocinados pela empresa. Na ocasião, os integrantes da Brazilian Storm ou Tempestade Brasileira,  falaram das expectativas para a competição. 

Com bom retrospecto na África do Sul, Adriano de Souza, que é líder do ranking, com 28.000 pontos, espera poder repetir a dose e se consagrar bicampeão na etapa de J-Bay deste ano: "Temos confiança quando temos um bom histórico. Vou tentar ir buscando espaço para uma nova história, um novo caminho, para que eu possa sair daqui com bom resultado. Sei que será difícil. A vontade de vencer é ainda maior. Esporte é bem individual. Que essa força de vontade e treinamentos façam com que eu possa estar ganhando aqui na África".

Adriano de Souza%2C o Mineirinho%2C e Filipe Toledo%2C apostam nas ondas de J-Bay, na África do Sul, para continuarem no topo do surfe mundialDivulgação

Já Filipe Toledo ainda vive os vestígios de cair em Fiji após a conquista histórica no Rio de Janeiro. O integrante mais novo da Tempestade Brasileira comentou que estava focado e treinando bastante para retomar ao pódio já na etapa de J-Bay, na qual falou com carinho. 

"Estava na Califórnia depois de Fiji, fiz treinamento físico. Torci o joelho, mas não foi nada sério. Logo depois fui pro Panamar. Peguei ondas boas, foi bom para tirar o peso nas costas de todo mundo falando. Acho que essa etapa da África todo mundo sonha e morre de saudade. Uma onda para quem tem pouca experiência, para quem está iniciando. Temos que nos espelhar nos surfistas mais experientes, porque se formos depender da nossa experiência, fica difícil. Temos que focar para que o resultado possa vir", disse Filipinho.

Entre altos e baixos nas ondas, Mineirinho relembrou sua última vitória em 2015, que ocorreu em Margaret River, e os tropeços no Rio de Janeiro e em Fiji logo após a conquista na Austrália. O atual número um do ranking aproveitou para ressaltar a dificuldade em se manter no topo mundial. 

"Realmente eu estava em ritmo forte no início do ano e me ajudou bastante. Assim que saí da Austrália, eu sofri pressão por ser um evento em casa. Me preparei da melhor forma possível, mas nao foi o suficiente. Ser líder do ranking nao é uma tarefa simples quanto parece. Esse resultado no Rio de Janeiro me deixou para baixo, eu estava em casa. Isso acabou me prejudicando em Fiji. Até pegar o ritmo, voltar às expecattivas, demora. Hoje eu sinto que a etapa de J-Bay será um inicio para eu retomar esse ritmo", acreditou Mineirinho. 

Enquanto os holofotes se voltam para o surfe masculino, Silva Lima, vice-campeã mundial em 2008 e 2009 e única representante brasileira na elite, espera poder reverter a atual fase vivida pelo cenário feminino, que ainda luta para cair nas graças do povo. 

Vice-campeã mundial em 2008 e 2009 acredita que o surfe feminino irá ganhar destaque com o passar dos anosDivulgação

"Acredito que com esse apoio da Oi isso possa estar mudando. Os destaques vão para os meninos, mas as meninas precisam continuar acreditando. Um dia o esporte vai abrir as portas para elas. Eu estou com 30 anos e não desisti. Continuo acreditando. Este ano eu ainda não tive nenhuma vitória, é complicado. Mas quero estar entre as tops 5. Com bastante foco sei que a minha hora vai chegar e o resultado também", finalizou a surfista.

Confira as baterias da primeira fase da etapa de J-Bay:

1.Taj Burrow (AUS), Michel Bourez (TAH), Brett Simpson (EUA)
2. Julian Wilson (AUS), Miguel Pupo (BRA), Alejo Muniz (BRA)
3. Owen Wright (AUS), Kai Otton (AUS), C.J. Hobgood (EUA)
4. Filipe Toledo (BRA), Adam Melling (AUS), Dane Reynolds (EUA)
5. Mick Fanning (AUS), Matt Banting (AUS), Tomas Hermes (BRA)
6. Adriano de Souza (BRA), Kolohe Andino (EUA), Slade Prestwich (AFS)
7. Josh Kerr (AUS), Sebastian Zietz (AFS), Dusty Payne (HAV)
8. Kelly Slater (EUA), Matt Wilkinson (AUS), Glenn Hall (IRL)
9. Nat Young (EUA), Wiggolly Dantas (BRA), Adrian Buchan (AUS)
10. Ítalo Ferreira (BRA), Jadson André (BRA), Fred Pattachia Jr. (HAV)
11. Bede Durbidge (AUS), Jordy Smith (AFS), Ricardo Christie (NZL)
12. Joel Parkinson (AUS), Gabriel Medina (BRA), Keanu Asing (HAV)


Confira outros trechos da entrevista com Filipe Toledo e Mineirinho:

SURFE DAQUI A 10 ANOS

Mineirinho: "Espero que hoje o surfe, tanto na parte feminina e masculina esteja no alto patamar que possamos enxergar. Vejo o esporte como uma qualidade de vida. Vejo no esporte uma formação de jovens. E que eles possam interagir conosco no Circuito Mundial. Que essa relação entre o fã e o atleta esteja cada vez mais próxima daqui para frente e espero ainda estar no Circuito Mundial, defendendo o Brasil e dando alegria ao Brasil.

EXPECTATIVA PARA J-BAY

Filipe Toledo: "J-Bay é uma das melhores ondas do mundo. É a mais tradicional da história do surfe. Todo mundo sente saudade de voltar todo ano. São etapas diferentes uma das outras. Me sinto bem na Austrália também. Mas considero a de Fiji, itaiti e way, são as tres mais difícies e exige nosso máximo. Tenho que me superar. Tenho muita experiência pela frente. A cada ano que passar, eu espero evoluir cada vez mais".

INTEGRANTE MAIS NOVO DA BRAZILIAN STORM

FT: "É muito gratificante. Me sinto muito feliz de estar representanto o Brasil. Estar entre os melhores do mundo no surfe muito novo. Feliz de poder fazer parte de tudo isso, de ter esses caras ao meu lado. Participar da historia do surfe do brasil está sendo muito bom".

SURFE NAS OLIMPÍADAS 2020

M: "Será um orgulho de representar o Brasil nas Olimpíadas. Está sendo um grande feito. Nós brasileiros, teremos grandes chances de viver esse momento histórico para o país. Será um exemplo para que em 2020 possamos engrenar e interagir com esses atletas olímpicos. Tenho certeza que COB apoiará essa decisão. Não sei se os outros paises, que não possuem praias, poderão se preparar. Diferente dos americanos, dos brasileiros, que têm praias para treinarem e pensarem nesse campeonato. Mas se tivermos essa vaga que possamos estar representando bem o Brasil".

FT: "Vai ser um orgulho. Um sentimento bom de poder representar o brasil nas Olimpíadas, poder estar fazendo parte disso. Espero que isso se concretize o mais rápido possível e, que possamos estar recebendo essa confirmação de poder estar representando o Brasil e estar participando de toda essa evolução do surfe.

Reportagem de Jéssica Rocha.


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