Por edsel.britto

Toronto - Das 17 mulheres que compunham a equipe brasileira de natação em Toronto, dez eram estreantes em Jogos Pan-Americanos. Um grupo jovem, que tem tentado diminuir a diferença que ainda as separa da elite mundial e usa o crescimento da pernambucana Etiene Medeiros, de 24 anos, como principal fonte de inspiração.

Para que a evolução seja coletiva, a estratégia adotada foi a de pensar em conjunto numa modalidade individual. Etiene, por estar em evidência, rejeita uma posição de comando. "Não tem de existir líder, a gente precisa apenas pensar de forma produtiva", avisa. Com 29 anos e uma final olímpica na carreira, partiu de Joanna Maranhão estimular atividades entre as meninas para fortalecer essa corrente.

"São várias gincanas. Teve uma em que sorteamos nomes, e a gente tinha de tomar conta da menina que a gente pegou no sorteio, sempre incentivando antes das provas. Teve uma brincadeira de recortar várias palavras de revistas, colar no papel e explicar por que escolheu essa palavra. Várias brincadeirinhas pequenas que no fim tiveram um valor muito grande. Muitas meninas pegaram a palavra sonho. Todas nós temos o sonho de estar no Pan-Americano, nas Olimpíadas", contou Larissa Oliveira, de 22 anos e três vezes medalhista no Pan de Toronto, todas em provas de revezamento (prata no 4x200m livre e bronzes no 4x100m livre. "A gente quer muito a mesma coisa, melhorar e evoluir. Não queremos estar nas Olimpíadas só por estar", completou.

Ettiene Medeiros conquistou o primeiro ouro da natação feminina brasileira na história do PanSátiro Sodré/CBDA

É difícil mensurar o quanto as gincanas da equipe influenciaram nos resultados dentro da piscina, mas o fato é que o Brasil deixa o Pan de Toronto com oito medalhas em provas femininas, entre eles o primeiro ouro de uma mulher na competição, com Etiene Medeiros, campeã dos 100m costas - foram também duas pratas e cinco bronzes. A campanha superou a edição dos Jogos de quatro anos atrás, em Guadalajara, em um pódio.

Ainda da parte de Etiene, o tempo de 59s61 a coloca como a sétima mais rápida do mundo em 2015 nos 100m costas. Já os 24s55 que lhe renderam a prata nos 50m livre são a oitava melhor marca da temporada. Outras medalhistas, como Joanna Maranhão (bronze nos 200m borboleta e 400m medley) e Manuella Lyrio (bronze nos 200m livre), porém, registraram tempos nem não lhes dariam pódio no último Mundial, em 2013, em Barcelona.

É justamente o próximo Mundial, com início em agosto na cidade russa de Kazan, que as meninas do Brasil acreditam ser possível reforçar essa evolução, com marcas que as credenciam como potenciais finalistas olímpicas nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. "Vai ser o primeiro passo para que acreditem mais na gente, aos poucos vamos construir a ideia de ganhar medalhas", disse Etiene Medeiros. "É essa união que está fazendo todo mundo ir junto. A natação feminina cansou de ver uma e ficar batendo palma. A gente quer ir junto, queremos bater palmas por nós todas", completou Larissa Oliveira.

*Reportagem de Thiago Rocha

Você pode gostar