Por pedro.logato

Rio - Quando se fala de futebol em crise, não é só o brasileiro, mas o da América Latina. Talentos até existem, mas estão praticamente todos em atividade na Europa, seduzidos por altos salários. A final da Libertadores foi desse jeito. Muita correria, intensidade, alguma violência, excesso de faltas e o triunfo da camisa e do torcedor do River Plate. Foi um exemplo de dedicação e de lampejos de competência, como no primeiro gol, em passe esplêndido de Vangione que Alario completou com cabeçada irretocável. Um belo momento para lembrar que, de vez em quando por esses lados, há um grande futebol. A força da tradição e uma alucinada torcida levaram o River Plate ao tricampeonato com um poderoso 3 a 0. Na atual circunstância, é o que temos de melhor abaixo da linha do Equador.

River Plate conquistou o terceiro título da LibertadoresReuters

PREÇO ALTO

Guerrero já deu e vai dar alegrias à torcida do Flamengo, mas sua rara condição de grande atacante causa problemas. Talvez o menor deles seja o desfalque eventual para a sua participação nos jogos da seleção peruana — é melhor rezar para que esses jogos do Fla não sejam tão decisivos. O pior é que, se continuar brilhando, ele dificilmente irá durar muito no futebol brasileiro.

MAIS REFORÇOS

O Vasco não deixa de trazer reforços e não foi por falta deles que se encontra na atual situação. Só que quase todos fracassaram, casos de Gilberto, Dagoberto e Marcinho. Nenê andava parado e é meio problemático. Jorge Henrique é instável, embora veloz e taticamente útil. O problema é formar um time muito mexido com tanta urgência no meio do temporal.

INDECISÕES

Ricardo Gomes anda indeciso em relação às mudanças para o perigoso jogo contra o Santa Cruz, amanhã, em Recife. Tem suas razões, pois ninguém garante nada nesse frágil elenco, mas, partindo do zero, é melhor confiar na experiência de recém-contratados como Serginho, Lindoso (de quem ninguém fala mais) e dos uruguaios. Insistir com Otávio e Diego Jardel não resolverá.

IRREVERÊNCIA

A irreverência, a criatividade e o bom humor do ‘Meia Hora’, nosso irmão do DIA,mereceu a homenagem cinematográfica em forma de documentário de Angelo Defanti. O poder crítico e debochado da ironia é eficaz contra o politicamente correto. Destaque também para o documentário sobre o vôlei de Helena Sroulevich — ‘Ouro, suor e lágrimas’.

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