E se eu fosse... veterinária

Fabiana Beltrame conta que teria se dedicado a cuidar dos animais se não tivesse seguido a paixão pelo remo

Por O Dia

Fabiana Beltrame ganhou a medalha de prata em TorontoCarlos Moraes

Rio - A paixão da família por animais fez com que Fabiana Beltrame tivesse desde cedo um outro olhar para essa causa. Ao testemunhar de perto o resgate de bichos abandonados, nas ruas de Florianópolis, graças ao carinho e ao empenho dos pais, a remadora descobriu o verdadeiro significado da palavra amizade. O amor incondicional dos cachorrinhos despertou na catarinense o desejo de ser veterinária. Um sonho que ficou em segundo plano graças a outra grande paixão: o remo. O esporte lhe rendeu títulos e projeção mundial, mas Fabiana até hoje não imagina sua vida sem a companhia de um animalzinho.

“Desde pequena, sempre gostei e tive cachorro. Eu tinha essa vontade (de cursar Veterinária), mas os caminhos não me levaram para esse lado. Primeiro porque lá na minha cidade, em Florianópolis, não tinha curso de Veterinária. Eu teria que sair dali e não daria para continuar remando. Então, decidi fazer Educação Física”, explica Fabiana.
O carinho pelos animais foi herança dos pais. “Minha mãe pegava o cachorro na rua, o tratava e ele ficava bonito. Lembro de uma vira-lata que o meu pai trouxe da rua. E tem uma que eu me lembro muito e que viveu muito tempo, uma pinscher, a Tita. Meu pai a trouxe já adulta, mas ela viveu muitos anos, procriou muito e na minha rua um monte de gente tinha os filhotinhos dela. Era bem legal. Fez falta quando ela morreu porque o animal se torna da família”, recorda.

Hoje, aos 33 anos, morando no Rio, a principal remadora do país curte a schnauzer Bel, uma companhia também para a sua filha, Alice, de 5 anos de idade.

“É importante ter essa convivência com os animais desde o início, até para perder o medo”, diz Fabiana. Ela ressalta que Bel faz muito sucesso com os amigos. “Ela é muito boazinha e não dá trabalho algum. Quando a gente viaja, tem sempre uma alma boa que fica com ela. E todos se apaixonam”, ressalta.

O ritual das viagens é sempre uma mistura de sentimentos, desde a despedida até o retorno após as competições. “Quando a gente começa a mexer em mala, ela fica maluca correndo de um lado para o outro. Dá pena porque ela sabe que a gente vai viajar”, conta Fabiana. Mas a volta para casa é sempre com festa: “É até emocionante. Ela sabe quem gosta dela”.


Fabiana Beltrame sonhava em ser veterináriaMárcio Mercante

Para a remadora, os animais dão uma lição de vida diária aos seus donos. “Eles têm lealdade. Não importa se a gente chega mal-humorado ou bravo em casa, eles estão sempre receptivos. É um amor que não tem explicação. Eu leio muito sobre isso e várias pesquisas falam que os cachorros se sentem como se fossem os nossos filhos. Quando a gente chega em casa, é sempre uma alegria, é algo cativante, não dá para imaginar a minha vida sem ter um animalzinho”.

Antes da aposentadoria das competições, programada para o fim de 2016, Fabiana quer realizar o sonho de disputar sua quarta Olimpíada, no Rio. Como ela compete no single skiff peso leve, que não é uma prova olímpica, terá que se juntar a uma parceira para o double skiff peso leve, mas não descarta disputar a categoria pesado.

Depois que parar de competir, a remadora do Vasco pretende voltar para Florianópolis. “Vou morar em casa e pretendo ter outros animais, adotar um vira-lata”, planeja ela, que não vai abandonar o remo. “A paixão é a mesma. É um esporte que eu vou parar de competir mas não de praticar. Vai comigo para a vida toda”.

A possibilidade de concretizar o antigo sonho de cursar Veterinária também não está descartada: “Pretendo trabalhar na área do remo. Quero ajudar o esporte de alguma forma, mas nada impede que possa fazer um curso depois”.

Agradecimento ao Instituto de Especialidades em Medicina Veterinária


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