Por fabio.klotz

Rio - Cicatrizar as feridas abertas com a traumática eliminação da Seleção na Copa de 2014, com o vexame de 7 a 1 para a Alemanha, e recuperar a confiança de uma torcida carente e desinteressada são os maiores desafios do técnico Dunga nas Eliminatórias para o Mundial de 2018. Nesta quinta-feira, ele deu o passo inicial à espinhosa missão ao divulgar na sede da CBF a lista dos 23 jogadores para as duas primeiras partidas: contra o Chile, dia 8 de outubro, em Santiago, e a Venezuela, dia 30, em Fortaleza.

'Chegou o momento mais importante e estamos preparados'%2C garante DungaEstefan Radovicz / Agência O Dia

“Estamos tendo uma oportunidade de mudar essa situação. O que aconteceu na Copa do Mundo é mais ou menos como em 1950. Vai ser sempre aquele amargo. É uma cicatriz que está ali, não tem como mexer. Não tem como esquecer, mas faz parte do passado e temos que pensar no presente”, analisou Dunga.

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E o presente é incerto, assim como o futuro, desde que a seleção brasileira perdeu a essência do futebol-arte. Para piorar, alguns dos eternos fregueses sul-americanos evoluíram tanto que já há quem acredite que a Seleção possa ficar fora de um Mundial pela primeira vez em sua história.

“Mesmo quando o Brasil tinha seleções consideradas fantásticas, sempre houve dificuldade (de classificação à Copa). Não vai ser diferente, os adversários cresceram e muito. Mas confiamos em nossos jogadores, no trabalho que faremos e vamos nos classificar”, garantiu.

E, logo nos dois primeiros jogos, a Seleção não terá a sua maior estrela. Expulso no fim da partida contra a Colômbia, na Copa América, Neymar vai cumprir suspensão de duas partidas e está fora. A CBF entrou com um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte para tentar liberá-lo, mas ainda não obteve resposta. Sem o craque, o técnico resolveu apostar todas as fichas na base criada nas últimas convocações e em duas novidades: o lateral Rafinha, do Bayern de Munique, e o meia corintiano Renato Augusto, que vestiu a Amarelinha com Mano Menezes.

“Renato tem boa visão, experiência no futebol alemão e se readaptou ao futebol brasileiro”, elogiou.

E, para cumprir a missão, Dunga aposta no coletivo. “Quem é mais forte, a matilha ou o lobo? Um não existe sem o outro. Se o grupo é forte, as individualidades aparecem. Ninguém ganha sozinho.”

Técnico critica culto em hotel

Dunga criticou duramente a presença de um pastor evangélico na concentração, em Boston (EUA), e deixou claro que não permitirá novos cultos na Seleção.

“Não permiti. Nem eu, nem o Gilmar e nem a Seleção. Tudo aqui é feito com transparência. Temos uma sala onde os jogadores podem receber familiares e pessoas mais próximas. A Seleção não é local de exposição religiosa e política. Ali representamos o nosso país e temos que nos concentrar no futebol”, justificou.

Apesar da proibição, o técnico deixou claro que seus atletas têm total liberdade religiosa.

“Não sou contra nenhuma religião. Respeito todas, mas ali não é o local para esse tipo de exposição”, completou.

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