Por jessica.rocha

Alemanha - Após ser convocado por Dunga para defender a seleção brasileira nas duas primeiras partidas das eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, depois dos cortes de Danilo e Daniel Alves, lesionados, o lateral direito Rafinha enviou uma carta à CBF e pediu dispensa, nesta terça-feira. Mas o desejo do jogador de defender a seleção alemã não deve ser fácil de se tornar realidade.

De acordo com o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo internacional, Rafinha não poderá entrar em campo pela seleção tetra campeã mundial.

"Se eu fosse dar um parecer, eu diria que não. Todos nós sabemos que o direito é flexível. E é possível que advogados e tribunais possam dar interpretações diferentes. Portanto, sempre digo que interpretações são cabíveis e logicamente julgamentos diferentes podem acontecer. Isso temos em qualquer esfera do judiciário e especialmente na Fifa, onde por vezes vemos alguns julgamentos que são um pouco diferenciados. Mas me parece que a melhor linha de raciocínio é seguindo exatamente o que está escrito no artigo 8º, no regulamento de aplicação do Estatuto da Fifa, que trata das condições para troca de associação. Ela leva crer que o jogador não poderia por ter atuado, em 2005, no Mundial sub-20", afirmou ao programa "Redação Sportv" nesta quarta-feira.

Rafinha revelou desejo de atuar pela seleção alemãDivulgação

Carlezzo ressaltou ainda que a participação do lateral no mundiais da categoria de base sub-20, em 2005 e sub-23, em 2008, podem travar a troca.

"No seu regulamento, a Fifa trata tanto de competição oficial como competição oficial A, que seriam Copa do Mundo e eliminatórias, e as demais competições oficiais seriam todas que a Fifa organiza. O Mundial Sub-20 é uma competição oficial. E na época do Mundial Sub-20, o Rafinha não possuía nacionalidade alemã. O que eu tenho lido é que esse processo estaria em trâmite ainda. Portanto, o jogador poderia, em tese, trocar de seleção, porque todos jogadores podem trocar uma vez. Contudo, ele não satisfaria esse requisito de ter já a nacionalidade alemã quando ele participou de uma competição oficial da seleção brasileira", acrescentou.

O advogado explicou o que é necessário para que um atleta consiga obter a segunda nacionalidade esportiva.

"Esse tipo de procedimento deve ter uma chancela da Fifa, para que o jogador obtenha essa segunda nacionalidade esportiva. Ele deve enviar uma solicitação escrita à Fifa, ao comitê do estatuto do jogador, anexando uma série de documentos, que vão desde ambos os passaportes que ele possua até uma declaração da CBF dos jogos que ele atuou, com datas específicas e competições, e algumas declarações da parte dele, dando conta que ele sabe que esse pedido, caso deferido, será irreversível", finalizou.

Até o momento, Rafinha não se pronunciou publicamente sobre o assunto, na verdade, sua última aparição nas redes sociais, foi para parabenizar Ricardo Lewandowski, companheiro de Bayern de Munique, pela atuação de gala na partida diante do Wolsburg, quando os atuais campeões alemães venceram por 5 a 1, com cinco gols do polonês.

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