Carinho para o Brasil embalar

Dunga admite que está perdendo o sono para reencontrar bom futebol da Seleção e pede o apoio dos torcedores. Nesta terça-feira, o desafio é a Venezuela

Por O Dia

Ceará - Em busca por dias melhores para a seleção brasileira tem atrapalhado o sono de Dunga e de sua comissão técnica. O desafio é voltar a dar alegrias ao torcedor e, para cumprir a missão, a esperança é que o time desperte logo nas Eliminatórias para a Copa de 2018 e vença de forma convincente a Venezuela, hoje, às 22h, no Castelão.

“Nós queremos carinho, mas o torcedor também quer um pouco de alegria, e nós temos plena consciência disso. Eu e minha comissão técnica não dormimos muito bem. Tentamos buscar algo porque o futebol sempre foi uma das alegrias do povo. O Tom Cavalcante (humorista) esteve no hotel ontem (domingo) e disse que o Brasil precisa de humor, uma alegria para o torcedor sorrir um pouco. Eu não sou muito de dar risada, mas também gosto”, afirmou Dunga, em entrevista coletiva.

Brasil luta pela primeira vitória nas EliminatóriasEstefan Radovicz / Agência O Dia

Vindo de derrota por 2 a 0 para os chilenos, em Santiago, na estreia nas Eliminatórias, o treinador comentou como o grupo atual reage às críticas, em comparação com a sua geração. “Talvez a reação deles não seja igual. Para o torcedor, a reação mais sanguínea era a nossa, e isso pode ter outro significado para quem está fora. Mas eles têm indignação. Estamos cobrando para que haja cobrança entre eles. Eu era um pouco exagerado, eles são mais tranquilos”, comparou.

Dunga também rebateu as críticas que a seleção brasileira recebeu dos ex-jogadores Romário e Ronaldo. “Temos que respeitar, mas será que eles não passaram pela mesma situação quando estiveram aqui? O Cafu está aqui, peguem o currículo dele, era cobrado até o último jogo. Esses ídolos teriam que refletir. Muitos deles conseguiram confirmar, passaram por situações adversas e foram vencedores. Quem está do outro lado poderia se colocar um pouquinho no nosso lugar”, respondeu Dunga.

Em Fortaleza, o treinador testou Filipe Luís no lugar de Marcelo e Lucas Lima na vaga de Oscar. Lucas Moura também foi observado na posição de Willian. Mas Dunga não confirmou a equipe titular para enfrentar os venezuelanos.

“Temos que buscar as melhores opções, talvez mudar taticamente, analisar o que podemos introduzir, buscar jogadores em melhor situação física. Mas temos que dar confiança, não podemos trocar a cada jogo”, despistou o treinador da Seleção.

Daniel Alves: ‘A Seleção não pode pagar o pato’

O lateral-direito Daniel Alves, do Barcelona, pediu que os torcedores não misturem o momento da seleção brasileira com a situação política do país.

“Somos a linha de frente dos disparos. Quem representa o país e veste a camisa fica sujeito a isso. Não conseguiríamos dar sequência à nossa vida se ficássemos preocupados com os tapas que recebemos”, advertiu o jogador.

“Sabemos que a credibilidade da Seleção não é a mesma, mas estamos buscando essa estabilidade, retomar essa confiança. A Seleção não pode pagar o pato. Se eu pudesse pedir algo, seria isso. Estamos pagando pela revolta do povo brasileiro com outras coisas”, acrescentou.

Cerca de mil torcedores acompanharam a parte final do trabalho da Seleção no Estádio Presidente Vargas. Os mais aplaudidos pela torcida foram dois ex-jogadores: o preparador de goleiros Taffarel e o auxiliar pontual Cafu, campeões mundiais.

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