Suspeita no lugar mais alto do pódio

Brasileiros revelam desconfiança que rondava os atletas da Rússia

Por O Dia

Rio - O escândalo de doping envolvendo a equipe de atletismo da Rússia não foi uma surpresa para os brasileiros. Antes mesmo de a bomba estourar, já havia uma forte desconfiança entre os atletas durante as competições de que algo não estava certo. Só faltava a confirmação, que veio a público esta semana por meio da Agência Mundial de Antidoping (Wada, em inglês).

Evento da Nike com atletas olimpicos e paralimpicos na cidade da musicaErnesto Carriço

“É uma coisa que a gente já desconfiava, mas não tínhamos prova. Não foi surpresa tão grande. É uma cultura que eles têm lá na Rússia e, pelas notícias que eu vi, se o atleta não fizer parte do esquema, não entra na equipe e nem tem bons técnicos. É estranho, pois é um país que ganhava muitas medalhas, mas hoje a gente entende o porquê”, afirmou Fabiana Murer, que tem na russa Yelena Isinbayeva uma das grandes adversárias no salto com vara. Fabiana diz não se preocupar com a possível suspensão do atletismo russo em 2016: “Não vai fazer diferença se ela vai estar ou não nos Jogos. Só tenho que pensar mesmo em fazer resultados.”

Também presente no evento promovido pela Nike, ontem, na Cidade das Artes, na Barra, Mauro Vinícius da Silva, o Duda, lamentou o escândalo: “A gente escutava conversas que alguns russos estavam sabotando, mas sem provas. Agora está sendo confirmado. Isso é triste. Não dá para colocar a mão no fogo por ninguém. Tomara que seja só mesmo na Rússia.”

Medalhista de bronze na maratona em Atenas-2004, Vanderlei Cordeiro de Lima torce por uma nova fase do atletismo, com mais transparência: “São casos impactantes, já vivenciamos situações nos EUA. Alguns resultados da Rússia em outros eventos já eram duvidosos. A punição deve existir, mas não para todos, não pode generalizar. É um momento importante para o esporte, para que seja mais transparente.”

O escândalo envolvendo a Rússia pode ser apenas a ponta do iceberg. Outra potência no atletismo, o Quênia está sob suspeita após a divulgação de testes de sangue realizados em 2012 e 2013 que apontaram substâncias proibidas.

A Wada está insatisfeita com a falta de comprometimento da federação local na luta contra o doping e o país pode ser suspenso das competições por quatro anos, assim como a Rússia, que terá seu futuro decidido pela Federação Internacional (IAAF) amanhã.

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