2015: Um ano para esquecer no Rio

Com o pior desempenho na história e sem perspectiva, futebol carioca perde o protagonismo no Brasileirão

Por O Dia

Rio - O estado que dominou o Brasileiro na década de 80, com seis títulos em dez anos, deixou o jogo virar e não consegue mais se recuperar. Antes protagonista, o futebol do Rio se encontra em crise na maior competição nacional, com o pior desempenho na história e sem perspectiva de melhora a curto prazo. Para piorar, pela terceira vez seguida um dos quatro grandes é rebaixado na Série A, algo inédito.

Com exceção do Botafogo, campeão, mas da Segunda Divisão, todos os outros clubes do Rio tiveram desempenho pífio. Foram três rebaixamentos, com Vasco (Série A), Macaé (Série B) e Madureira (Série C), e campanhas insignificantes dos três representantes (Volta Redonda, Resende e Duque de Caxias) da Série D, que não tem rebaixamento. Para completar, Flamengo e Fluminense nem ficaram entre os dez primeiros, encontrando-se mais perto da luta contra a queda que do G-4.

Vasco sofreu o terceiro rebaixamento em oito anosAndré Mourão

“O mal desempenho é um reflexo do que foi o futebol do estado nos quatro ou cinco primeiros meses. Falta de organização, falta de planejamento e a questão financeira teve um peso muito grande também. Se fosse só em uma ocasião, tudo bem, mas nas três séries os times caíram, e os problemas foram praticamente iguais. Houve ilusão no Carioca e todos se mostraram bem frágeis quando foram jogar, não só a Série A”, afirmou o ex-jogador e comentarista Junior.

Em crise financeira, os clubes também sofrem com outro problema: a falta de bons jogadores no mercado carioca. “Os clubes estão endividados e não podem fazer altas contratações. Há também outra situação. Os clubes médios estão na pior fase da história, acabam não revelando ninguém e o futebol carioca fica sem qualidade, sem boa mão de obra”, analisa o ex-jogador Jairzinho.

O pior de tudo é que, quatro anos antes do pior desempenho dos clubes, o futebol carioca vivia seu grande momento no Brasileiro de 2011, com os quatro grandes no top-10 pela primeira vez na Era dos pontos corridos, com três no G-4. Além disso, o Rio vinha de três títulos (Flamengo, em 2009, e Fluminense em 2010 e 2012), o que parecia ser um reencontro com as glórias do passado após anos de maus resultados. Mas a realidade foi outra. “Acho que essa diferença é pelos poucos craques que a gente ainda tinha em 2011. A falta de referências faz o futebol perder em todos os sentidos”, disse Jairzinho.

Fluminense chegou a figurar no G-4, mas fez pior campanha no returnoAndré Mourão

Para Júnior, o problema é mais amplo e preocupante: “A estrutura dos clubes teve uma influência muito grande no rendimento geral. Quando você tem os jogadores de referência, como em 2011, é a cereja na torta. Mas os clubes não precisam de ídolos, e sim de elenco, tanto que o desempenho de 2011 praticamente não se repetiu mais desde então.”

DESDE 1996, REBAIXAMENTO IGUALA TÍTULOS

Brigas entre dirigentes, Estadual inchado e pouco atrativo, incompetência administrativa. A lista de motivos para o mau momento do futebol carioca é grande. As conquistas ajudaram a maquiar as mazelas ao longo dos anos, mas é inegável a queda. Desde o primeiro rebaixamento do Fluminense no Brasileiro, em 96, até o do Vasco, este ano, os grandes do Rio têm o mesmo número de quedas e títulos nacionais.

Flamengo terminou o Brasileiro no meio da tabelaAlexsander Ferraz / A Tribuna

São nove rebaixamentos, contando o Fluminense em 2013 — que caiu no campo, mas contou com a punição à Portuguesa para se salvar no STJD. Em compensação, foram nove títulos nacionais dos cariocas: cinco Brasileiros e quatro Copas do Brasil.

“A falta de planejamento atrapalha muito. Os clubes não têm dinheiro suficiente para investir e, quando tentam, não conseguem acertar”, analisou o ex-zagueiro Mauro Galvão.

Colaborou o estagiário Yuri Eiras