Somos todos Wendell: a história de uma maioria no futebol brasileiro

Vencedor do Prêmio Puskas, Wendell Lira chama atenção para os jogadores que têm salários longe das grandes cifras

Por O Dia

Rio - Wendell começou em um time grande e era uma promessa das divisões de base. Algumas lesões o atrapalharam e ele rodou por diversas cidades atrás de uma chance que o fizesse aparecer para os grandes clubes. Essa história foi lida muitas vezes nesta semana quando Wendell Lira ganhou da Fifa o Prêmio Puskas de gol mais bonito de 2015. Mas o Wendell em questão tem 24 anos e hoje joga na Cabofriense. Ele faz parte de uma maioria no futebol brasileiro que está longe dos salários milionários de Neymar, Fred e Alexandre Pato e se vira como pode.

Wendell Lira e o inseparável troféu pelo gol mais bonito de 2015Divulgação / Facebook Vila Nova

“Quando estava no Bangu, em 2015, pensei em parar de jogar futebol. Fiquei desempregado após o Carioca e só voltei agora. Pensei em desistir. Cheguei a trabalhar em Ribeirão Preto com meu pai para ganhar um dinheirinho. Ele tem uma van onde fazia entregas para supermercados. Ajudava ele a carregar e descarregar as caixas. Foi muito difícil para mim”, afirmou o Wendell Alex dos Santos, que se identificou muito com a história do xará famoso.

“Fico feliz pela história dele. É parecida com a minha. Começou num grande clube, girou, girou, girou e também pensou em desistir. Fiquei feliz de verdade”, disse.

Já Wendel Geraldo Maurício Silva conseguiu atingir seus objetivos. Aos 33 anos, atuou por grandes clubes, como Cruzeiro, Santos e Vasco e teve até passagem na Europa, com muito sucesso no Bordeaux, da França, e uma breve passagem pelo Nacional, de Portugal. Agora, no Goiás, ele não esquece as raízes e os momentos difíceis que teve no futebol.

“Eu vim de uma família humilde no interior. Fui criado numa cidade de quatro mil habitantes. Não tinha grandes condições e fui para o Cruzeiro fazer peneira. Você tem apenas dez, vinte minutos para mostrar o que pode. Treinei em campo de terra. Foram muitas dificuldades. Ser jogador de futebol é uma profissão tão difícil como ser arquiteto, engenheiro. Você tem que abdicar de muita coisa”, lembra.

Wendel venceu no mundo da bola e vai encarar Wendell Lira em breveDivulgação

O nome Wendell é de origem alemã e significa ‘andarilho’. Um adjetivo que combina bem com a mudança de times, algo comum para um jogador. Juntos, os três defenderam 25 equipes. E o sonho de dar uma vida melhor para a família é outro fator igual entre eles.

Duelo de xarás

No Brasil, mais de 80% dos jogadores profissionais recebem menos de dois salários mínimos (R$ 1.760). Uma profissão muito difícil para todos, inclusive os Wendells.

“O futebol no Brasil mudou muito. O cara tem que estar num clube que dê condições, que o pagamento não atrase... Os que cumprem vão bem. Aqui na Cabofriense não faltou nada, vai dar certo. Quem sabe não me destaco e realizo o sonho de ir para a Europa ou quem sabe até China, o lugar onde tem dinheiro agora”, projeta Wendell Alex, sonhando com dias melhores.

Quis o destino que a estreia de Wendel Geraldo no Goiás seja justamente contra o agora famoso e internacional Wendell Lira, que fará seu primeiro jogo oficial pelo Vila Nova no próximo dia 31: “Fiquei muito satisfeito de ele ter saído vencedor do prêmio. Vou desejar boa sorte a ele. Que continue sereno. É um rapaz humilde, de família e que está colhendo tudo que plantou.”

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