Com estrutura ruim, estádio do Campo Grande pode ser usado no Brasileirão

Destruído, com graves problemas, Ítalo del Cima pode ter ajuda do governo para abrigar Fla, Flu e Botafogo em 2016

Por O Dia

Rio - A esperança de dias melhores está prestes a desembarcar na estação ferroviária de Campo Grande. Bem perto dali, o clube que carrega o nome do bairro espera receber a tão aguardada obra de recuperação do Estádio Ítalo del Cima. Sem poder contar com Maracanã e Engenhão, Flamengo, Fluminense e Botafogo estudam utilizar o estádio como alternativa no Brasileiro, mas há um desafio pela frente: superar o tempo curto para recuperar um estádio em ruínas.

A Sportlink, empresa de marketing esportivo contratada para arrumar uma casa temporária para os três clubes nesta temporada, ainda estuda a viabilização da reforma, que prevê o aumento da capacidade do estádio para 22 mil pessoas. A intenção é construir estruturas fixas atrás dos gols, e provisórias nas laterais. O maior obstáculo para confirmar a reforma é o curto prazo, já que Maracanã e Engenhão serão entregues ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos em abril, e o Brasileiro começa em maio.

Mato alto no acesso do vestiário destinado aos times visitantesAlexandre Brum / Agência O Dia

A obra, estipulada inicialmente em R$ 20 milhões, contaria com o apoio do governo do Estado. Em reunião com Humberto Costa, presidente do clube, o Secretário de Esportes do Rio, Marco Antônio Cabral, garantiu que concederá isenção de ICMS pela Lei de Incentivo ao Esporte ao patrocinador do projeto.

“A obra tem que estar pronta no dia quinze de maio. Temos quatro meses, de janeiro até abril”, afirma João Henrique Areias, presidente da Sportlink, que critica o atraso na escolha do local: “O estudo para a reforma já poderia ter sido feito há mais tempo. Até hoje ninguém sabe dizer exatamente as datas que Maracanã e Engenhão ficarão fechadas”.

Mato alto e ônibus abandonado numa área interna do Ítalo Del CimaAlexandre Brum / Agência O Dia

Inaugurado em 1960, o Ítalo del Cima não recebe uma partida aberta aos torcedores desde 2010 por causa da falta de um laudo de segurança emitido pela Defesa Civil. E não é para menos: arquibancadas destruídas pelo tempo, tomadas por ervas daninhas — até mesmo um tomateiro cresce entre os degraus —, banheiros sem vasos sanitários e corredores escuros, úmidos, que não lembram nem de longe os bons tempos do estádio, que em 1992 chegou a ser palco de um Fla-Flu pelo Carioca.

“As arquibancadas e a cobertura precisam de manutenção na estrutura, e o gramado terá que ser mudado porque é antigo. A iluminação também precisa ser trocada”, explica Humberto Costa. Apesar das dificuldades, o dirigente vê com bons olhos uma possível reforma: “Seria um ótimo legado para Campo Grande e toda a Zona Oeste. Temos BRT e estação ferroviária perto”.

Avarias numa das arquibancadas do estádio Ítalo Del CimaAlexandre Brum / Agência O Dia

SEM DINHEIRO, TIME NÃO ATUA DESDE 2014

O estado crítico do Ítalo Del Cima reflete bem a atual situação do Campo Grande Atlético Clube. Campeão da Taça de Prata em 1982 — o equivalente à Série B do Brasileiro —, o Galo da Zona Oeste não disputa uma competição profissional desde 2014, quando participou da Série C do Carioca. Sem dinheiro, teve de pedir licença à Ferj.
Afastado das competições profissionais desde então, o planejamento para 2016 depende única e exclusivamente da tão sonhada reforma do estádio.

Enorme poça d' água e mato alto numa área interna do Ítalo Del CimaAlexandre Brum / Agência O Dia

“Estamos dependentes da obra para definir o planejamento da equipe para este ano. Vamos esperar a reforma começar”, afirma João Ellis Neto, vice-presidente de futebol do Campusca, que participou da elite do futebol carioca pela última vez em 1995.

Matéria de Yuri Eiras com a supervisão de Flávio Almeida

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