A missão do vôlei brasileiro

Seleções brasileiras buscam o terceiro ouro olímpico na Rio-2016

Por O Dia

Rio - Em Barcelona-1992, o Brasil surpreendeu os favoritos com uma geração de jogadores talentosos. Doze anos depois, a Seleção masculina faturou mais um ouro apostando na mescla de juventude e experiência. Já no feminino, o título inédito em Pequim-2008 veio com uma campanha invicta, com um set perdido, enquanto em Londres-2012 a atuação brilhante de Sheilla contra a Rússia marcou o bicampeonato. O caminho até a consagração do vôlei brasileiro é lembrado por Sheilla, pelo ponteiro Dante e pelos técnicos José Roberto Guimarães e Bernardinho. Em agosto, no Rio, a missão será a mesma para homens e mulheres: a briga pelo terceiro ouro olímpico.

BARCELONA-1992

JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES

“Em 1992, o que mais me marcou naquele grupo foi a inocência daquele time, a vontade e a paixão pelo vôlei. Eram garotos, que só tinham uma coisa na cabeça: o amor pelo vôlei. E aquilo se transformou em energia e numa forma diferente de jogar, que encantou a todos e mudou a tática e a estratégia do vôlei pelo mundo afora. Nós pensávamos que seríamos quarto colocados na competição, estava de bom tamanho. Mas o time começou a jogar tão bem e de uma forma diferente das outras seleções que foi difícil de ser marcado. E a gente acabou ganhando das melhores seleções do mundo.”


Comandados por José Roberto Guimarães%2C meninos do Brasil levaram o seu primeiro ouro em BarcelonaArquivo O Dia

ATENAS-2004

BERNARDINHO

“A campanha de Atenas começou em 2001. O processo se iniciou ali, com a formação de um novo grupo, conquistando competições importantes. Tínhamos a mescla de jogadores experientes, como o Nalbert. O próprio Giba e o Gustavo também vinham de experiências olímpicas, tinham uma rodagem e se juntaram a outros jogadores que chegavam naquele momento, caso do Serginho, do André Nascimento... Vários jogadores jovens estavam surgindo no vôlei nacional.
Foi a hora de construção para que a gente chegasse com uma geração extremamente talentosa. O Giovane vinha de uma experiência enorme, com um ouro olímpico conquistado 12 anos antes. Essa mescla de experiência e juventude num trabalho de quatro anos nos levou à medalha de ouro.”

DANTE

“Nós entramos focados 100% na Olimpíada em Atenas (2004). A gente fez um trabalho bacana para se preservar e se blindar ao máximo. Fomos ganhando os jogos. A final contra a Itália foi um dos mais emocionantes. Você sentia a adrenalina porque estava vendo seu sonho se realizar. Fizemos um jogo impecável, com sangue nos olhos. Tive que substituir, na época, o capitão (Nalbert), o cara em que eu me espelho, com todos os fundamentos afiados, de um volume de jogo impressionante, de um passe excepcional. Surgiu o problema no ombro dele e teve que fazer a cirurgia. Substituí-lo foi a grande afirmação na minha carreira. Lembro do Giovane falando comigo: ‘É o seu momento. Você vai substituir o nosso capitão e está pronto para essa situação.’ O Nalbert foi um dos caras que conversaram comigo durante a Olimpíada, me deu muita força e ele sabe que sou eternamente grato pelas palavras dele.”

Em Atenas%2C geração comandada por Bernadinho se consagrou Arquivo O Dia

PEQUIM-2008

JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES

“Nesse ciclo (para os Jogos de Pequim-2008), a gente passou por poucas e boas. Perdemos alguns campeonatos: o Mundial de 2006, o Pan de 2007, no Rio. Mas a gente tinha perdido poucos jogos naquele ciclo. Na realidade, tínhamos mais de 90% de vitórias. Culminou de dar tudo certo na Olimpíada de 2008, apesar de o time ser considerado de ‘amarelonas’, que sempre falhava no momento mais crucial do jogo. E a gente precisava mostrar que realmente tinha condições de ganhar uma grande competição. Como acabou acontecendo, nós ganhamos a Olimpíada perdendo apenas um set. Foram oito jogos ganhos.”


Em Pequim%2C meninas quebraram escrita e levaram o ouro olímpicoArquivo O Dia

LONDRES-2012

SHEILLA

“Apesar de ter chegado à Seleção em 2002, antes do ciclo de 2004, eu posso falar que 2008 foi o meu primeiro ciclo completo de Olimpíada. Era tudo meio novidade. Já tinha ido duas vezes ao Grand Prix, mas o primeiro que venci foi no ciclo de 2008. Já para 2012, a gente teve um ciclo muito difícil. Teve a saída da Fofão, a pressão das levantadoras novas chegando e dúvidas internas se a gente conseguiria fazer tão bem quanto em 2008. A conquista do ouro olímpico foi marcante com a superação que a gente teve, com aquele jogo contra a Rússia, e a situação que a gente reverteu dentro da Olimpíada.”

JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES

“Eu sabia, pelas experiências anteriores, que 2012 seria muito difícil por causa da exposição. Já tínhamos ganho uma grande competição, já tínhamos realizado um grande feito. Tivemos altos e baixos durante a Olimpíada de 2012 até o jogo contra a Coreia. Perdemos por 3 a 0 para um time que pelo menos essa geração não tinha perdido ainda. Depois jogamos com China e Sérvia, nos classificamos em quarto do nosso grupo e cruzamos com a Rússia. Aquele jogo foi épico. Nunca esqueço os momentos de dificuldade que nós passamos, naqueles seis match points que a Rússia teve. Depois, o jogo contra o Japão foi mais tranquilo e contra os Estados Unidos na final foi outro perrengue porque nós começamos perdendo de 25 a 11 e depois viramos. O que mais me chamou a atenção foi a atitude do time nesses jogos em que estivemos quase fora. Como tínhamos passado por momentos muito difíceis durante essa trajetória, nós estávamos mais preparados para passar por dificuldade do que os Estados Unidos. Isso me chamou a atenção.”

Seleção feminina vem credenciada pelo bicampeonato olímpicoArquivo O Dia


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