Polícia Civil investiga 'quadrilha da bola' e manipulação de jogos no Carioca

Operação Game Over prende oito suspeitos

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira a Operação Game Over para desbaratar uma quadrilha que manipulava resultados de futebol no Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará. Oito pessoas foram presas. Jogos do Vasco e do Botafogo, contra o Quissamã, pelo Carioca de 2013 estariam sob suspeita. A investigação, que durou nove meses, concluiu que os resultados eram manipulados para beneficiar apostadores de Indonésia, Malásia e China que agiam pela Internet. Estes teriam um esquema de pagamento de propina a dirigentes, técnicos e jogadores. Para não chamar a atenção, os alvos eram jogos das séries A-2, A-3 do Paulista (profissional e sub-20), do Carioca e do Cearense.

Vasco 3 x 1 Quissamã%2C pelo Carioca de 2013%3A jogo está na lista de suspeitos da investigaçãoAlexandre Brum / Agência O Dia

O ex-jogador Márcio Rocha, 36 anos, que atuou na Indonésia por oito anos, foi preso nesta quarta-feira à tarde em Belford Roxo, e a polícia suspeita que ele seja o elo entre os apostadores e os clubes brasileiros. Outro atleta detido na operação foi o goleiro Carlos Luna, que no ano passado defendeu o América de São José do Rio Preto (SP) na Série A-2.

Suspeitas no Carioca

O site Globoesporte.com teve acesso a alguns relatórios da investigação - que corre em segredo de Justiça - e entre as partidas que estão sendo colocadas como suspeitas de manipulação há duas do Campeonato Carioca de 2013 (Botafogo 4 x 0 Quissamã e Vasco 3 x 1 Quissamã) e uma pela Copa Rio de 2015 (Audax 3 x 0 Duque de Caxias).

Os dois primeiros jogos registraram um movimento anormal de apostas um pouco antes do intervalo em relação ao número de gols. Já a partida pela Copa Rio teve um movimento muito acima da média nas apostas sobre o resultado exato. Nesse caso, os investigadores acreditam que pessoas ligadas aos dois clubes tenham sido aliciadas.

Em março deste ano, jogadores do Barueri denunciaram à polícia dirigentes do próprio clube, que teriam obrigado os atletas a entregar o jogo para o Rio Preto, pela Série A-3 do Paulista. Os cartolas teriam se encontrado com apostadores asiáticos antes do jogo e acertado o marcador em 4 a 0, o que, de fato, aconteceu. Segundo o relatório de investigações, as apostas em torno do placar exato superaram em muito a média.

De acordo com a delegada Kelly de Andrade, da Polícia Civil de São Paulo, essa foi a primeira fase da operação, que terá desdobramentos.

“Estamos numa primeira fase, que foi à rua para que pudéssemos deter os indivíduos, ouvi-los e para conseguir mais provas para saber a extensão da atuação da quadrilha. A investigação continua”, afirmou Kelly, que não revelou quantos jogos estariam sob investigação.

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