Estrelas da natação brasileira ficam chocadas com abandono de troféus

Atletas reclamam do descaso da CBDA

Por O Dia

Rio - Perplexidade, surpresa e indignação. Foi assim que atletas reagiram após saber do abandono de 45 troféus pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), resgatados por acaso pelo ex-jogador de futebol e secretário de Esportes e Lazer de Três Rios, José Roberto Padilha, como retratou reportagem de domingo no Ataque.

José Roberto posa com os troféus que foram desprezados no Julio de LamareMárcia Vieira / Agência O Dia

“Você me pegou de surpresa. Eu só consigo pensar que é o simbolismo do descaso com tudo. Não preciso repetir o quanto a gente se esforça para ganhar. Fica provado que não estão querendo o bem do esporte, apenas enriquecer. Dá um pouco de medo pelo que vem pela frente, por esta nova geração que vem por aí”, desabafou, indignada, a nadadora Joanna Maranhão ao saber que uma das relíquias era o troféu por equipe do Sul-Americano de Natação, que disputou em 2006, na cidade de Medellín, na Colômbia.

Ttroféu do XXVI Sul-Americano de Natação está danificadoMárcia Vieira / Agência O Dia

O mesmo sentimento de tristeza foi compartilhado pela ex-nadadora Gabriela Silva. Ela estreou em Sul-Americanos justamente em Medellín: “Os troféus são o retrato exato do que acontece. A CBDA não se preocupa com os atletas. Eles só dão suporte e apoio a quem consegue chegar ao topo.”

Medalha de ouro nos 100m e prata nos 50m peito, também no Sul-Americano de Medellín, o ex-nadador Eduardo Fischer não escondeu a decepção. “É espantoso, triste e muito lamentável. Mostra que não há nenhum apreço pelo esporte em si.”

Principal nome dos saltos ornamentais do país há duas décadas, e com participação em cinco Olimpíadas, Juliana Veloso não ficou surpresa ao saber que o troféu do Sul- Americano de Saltos Ornamentais, de 2008, em São Paulo era uma das peças deixadas de lado.

“Não me surpreende não, em nada. Já vi tanta coisa acontecer que eu já disse que um dia vou escrever um livro. Quando eu vi a cara do Coaracy (Nunes, presidente da CBDA) na TV, pensei: ‘Demorou muito para acontecer’. Ele quase saiu ileso, são 28 anos. E é o último ano dele. Quase que deu, né? Mas a família Veloso ele nunca enganou, não”, criticou Juliana, referindo-se à ação do Ministério Público Federal, que acusa Coaracy Nunes de improbidade administrativa.

Uma das pioneiras da maratona aquática no Brasil, Maria da Penha Rodrigues da Cruz lamentou o descaso com todos os troféus, especialmente o do II Pan-Americano de Águas Abertas, 10km, em Salinas, no Equador, em que ganhou o vice campeonato por equipe.

“Primeiro é o descaso com o atleta. A gente que é da natação e de outras modalidades sabe o quanto é difícil o treinamento, a falta de apoio, de patrocínios. Naquela mesma competição, meu treinador deixou a mulher grávida, prestes a ter um bebê, para me acompanhar. Isso mostra o quanto a gente dá valor. E, para eles, fica de lado”, lamentou.

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O atacante de pólo aquático Henrique Muniz também criticou tanto descaso. “Fico triste que a história de tanta luta, esforço e conquistas do polo quase se perca assim. Eles não conseguem guardar nem um trofeuzinho, imagina cuidar de outras coisas mais importantes”, disse o jogador, vice-campeão por equipe do Sul-Americano de 2012, em Belém, um dos troféus resgatados por acaso.

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