Arena Condá: palco de futebol e de união para a Chapecoense

Estádio vai receber velório coletivo, que será realizado assim que os corpos chegarem ao Brasil

Por O Dia

Rio - Vitorino Condá, líder indígena da tribo Kaingang no século XIX, ficou conhecido no Oeste de Santa Catarina após brigar com o governo brasileiro para que sua tribo mantivesse a posse das terras, mesmo após a colonização. Assim como o cacique que batiza o nome do estádio, a diretoria da Chapecoense luta, em meio a tragédia, para que clube e torcedores se mantenham unidos, na dor e no amor pela cidade.

A Arena Condá está sendo preparada para um velório coletivo, que será realizado assim que os corpos chegarem ao Brasil - a previsão de chegada é neste sábado. A intenção é que a torcida se despeça dos jogadores em uma cerimônia no gramado do estádio, no final de semana.

Três carretas, cedidas por moradores de Chapecó, levarão os corpos do aeroporto até a Arena. Luiz Antônio Palaoro, vice-presidente jurídico, espera milhares de torcedores no último adeus aos heróis. “Pensamos na ordem de 100 mil torcedores neste dia de dor. Os caixões em princípio devem estar lacrados. É um episódio que estávamos todos despreparados. O estado de Santa Catarina é quem vai preparar todo o cerimonial do velório”, disse.

Arena Condá vai receber velório coletivoVanderlei Tecchio / Prefeitura de Chapecó/ Divulgação

A estrutura para receber a cerimônia já está sendo montada: as traves do campo foram retiradas para dar espaços às estruturas metálicas, e equipes de segurança do estado inspecionaram o estádio. Cerca de 200 voluntários trabalharão na cerimônia.

A solidariedade ultrapassou os limites do município de Chapecó. Torcedores de outros clubes fizeram uma campanha nas redes sociais para se associar ao clube, e o quadro de sócios dobrou. “Ontem abrimos em nosso site o programa de sócio-torcedor. Treze mil sócios querem se associar de fora de Chapecó. Tínhamos até então nove mil sócios pagantes. E estes que se inscreveram eram para ser pagantes”, disse Ivan Tozzo, vice-presidente da Chapecoense.

LIBERAÇÃO DOS CORPOS

Em ação conjunta com a Polícia Federal brasileira e com especialistas do Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP-SC), peritos do Instituto Médico Legal (IML) de Medellín devem encerrar hoje o trabalho de identificação das 71 vítimas do acidente. A tendência é que os corpos retornem ao Brasil até amanhã. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou quatro aeronaves para realizar o transporte dos corpos ao país.

“Queremos que seja um processo rápido, para os corpos já sejam levados por aviões ao Brasil. É uma forma de mostrar respeito às vítimas e aos familiares que sofrem”, disse o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez.

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