Pais do atacante Kempes não se conformam com a morte do filho

Família do jogador, considerado herói da família, vive em São Gonçalo

Por O Dia

Rio - A morte de um herói. Assim o atacante Kempes era visto pela família. Não era um filho, pai, marido ou irmão. Era um herói. Nascido em Carpina, Zona da Mata pernambucana, há 34 anos, o filho de Seu Amaro e Dona Maria das Graças tinha uma história tipicamente brasileira.

Apaixonado por futebol, em especial por Santa Cruz e Fluminense, Amaro Gonçalves, de 62 anos, batizou os todos filhos com o sobrenome de Mário Kempes, argentino artilheiro da Copa de 1978, realizada na terra de Maradona. Nasceram Cleber Kempes, Everton Kempes e Eric Kempes. Nome de argentino, coisa de brasileiro.

Como se não bastasse, fez de tudo, juntou todos os tostões para que o trio tomasse gosto — e jeito — para o futebol. Dos três, no entanto, só o filho do meio vingou. E após peregrinar, como retirante da bola, pelos dois extremos do mundo, estava perto da glória maior: a decisão da Copa Sul-Americana.

Pai de Kempes%2C Amaro Gomes%2C exibe a camisa ChapeDaniel Castelo Branco

“Morreu o meu herói. Meu filho era uma pessoa muito especial. Deixa como legado dois filhos e o amor por todos nós. Nos ajudou a comprar minha casa, formou o irmão em Educação Física, estava sempre presente. Vai ficar na minha lembrança para sempre como herói”, disse Amaro, profundamente emocionado, em Alcântara, bairro de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

A vida de Kempes, de fato, não foi fácil. Como diz a gíria futebolística, cavucou minhoca em barro duro por muito tempo. Começou no desconhecido Vitória do Espírito Santo, passou pelo Estrela do Norte-ES, Sertãozinho-SP, 15 de Campo Bom-RS e mais sete clubes até parar no Japão, onde atuou pelo Cerezo Osaka e JEF United, da Segunda Divisão. De volta ao Brasil no ano passado, se destacou pelo Joinville e foi parar na Chape este ano, marcando 16 gols pelo time catarinense.

Não realizou o sonho do pai. de jogar pelo Fluminense, nem o dele próprio, de defender o Palmeiras, seu time de infância. Esperava que a conquista da Sul-Americana o levasse, futuramente, para um dos dois clubes. O destino, no entanto, foi cruel com o filho de Amaro e Maria das Graças.

Mãe de Kempes%2C Maria das Graças(ao centro) mora em São GonçaloDaniel Castelo Branco

“Ele me ligou na sexta-feira, quando completei 62 anos, disse que me amava muito. É isso o que fica. A gente já tinha combinado de passar Natal e Ano Novo juntos, como sempre fizemos. Nunca nos separávamos”, contou o pai do jogador.

Ao lado de esposa, ele viajaria ontem para Chapecó a fim de esperar a chegada do corpo do filho. Não foi possível. A mãe de Kempes mal conseguia falar ou ficar de pé. Só fazia chorar, copiosamente. A viagem foi adiada para a manhã de hoje, mas ninguém sabe se, de fato, será feita.

“Está muito difícil, meu filho. Me perdoe. Não consigo falar nada”, disse Maria das Graças.

SOLIDARIEDADE DO ÍDOLO

Referência eterna para a família, o ex-atacante Mario Kempes, hoje comentarista da ESPN argentina, mandou suas condolências aos brasileiros, especialmente à família do xará falecido na terça.

Conhecer Mario Kempes seria a glória tanto para Everton como para Seu Amaro. O desejo acabou interrompido de forma trágica. “Meu sonho agora era ter meu filho de volta”, disse Amaro, aos prantos.

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