Por luis.araujo
Rio - Jogador mais bem pago do planeta — vai receber R$ 357 mil por dia no Shanghai Shenhua —, Tévez é uma das novas atrações do emergente futebol chinês. Oscar também. Ele trocou o Chelsea pelo Shangai SIPG, onde vai faturar R$ 230 mil a cada 24 horas — e só fica atrás, em vencimentos, de Tévez, Messi e Cristiano Ronaldo. De olho nas cifras, outros 22 brasileiros (até agora, já que Marinho está perto do Changchun Yatai) vão disputar a temporada de 2017 da Superliga Chinesa, mais novo e milionário eldorado do futebol mundial.
Renato Augusto é um dos principais nomes brasileiros na China atualmenteLucas Figueiredo / CBF / Divulgação

Nomes como Renato Augusto, Hulk, Alan Kardec e Elkeson vão desfilar o talento que Deus lhes deu em gramados perfeitos e em estádios quase lotados — a média de público na edição passada do ‘Chinesão’ foi de 24.158 pessoas por jogo. A meta é engordar a conta bancária. Mas há, também, o prazer de contribuir para o desenvolvimento do futebol local — como fez Zico, no Japão, nos anos 1990.

“Não seria hipócrita de falar que a parte financeira não pesou. Surgiu uma chance, muito boa, no Beijing Guoan, mas encaro como um desafio jogar em um mercado diferente de onde já havia atuado”, diz Renato Augusto, com passagem pelo alemão Bayer Leverkusen.

Seu pensamento se assemelha ao de Elkeson. O meia do Shanghai SIPG destaca o projeto que o governo chinês e empresários têm feito para desenvolver o futebol no país: “São investimentos altos em contratações, estrutura, estádios, centros de treinamento e tudo que envolve o esporte. Fazer parte dessa revolução é gratificante e me motiva a buscar maiores conquistas no futebol asiático.”
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SELEÇÃO NEM TÃO DISTANTE
Elkeson ainda nega as críticas em relação à baixa qualidade técnica do futebol praticado por lá: “Meu primeiro clube foi o Guangzhou Evergrande, que era comandado pelo italiano Marcello Lippi. Trabalhar com um treinador desse gabarito foi um avanço na minha carreira. Também tive o prazer de ser comandado por Canavarro, Luis Felipe Scolari, Sven Göran Eriksson e, agora, André Villas Boas. Eles contribuíram para o meu desenvolvimento. Aprendi muito desde que cheguei aqui.”
Tite afirmou que tem observado todos os jogadores brasileiros na ChinaPedro Martins / MoWA Press

Outro mito em relação ao futebol chinês — de que atuar no país dificultaria uma possível convocação para a seleção brasileira — é desmentido tanto por quem nunca foi chamado quanto por quem já teve o prazer de vestir a Amarelinha. 

“O jogador tem que buscar se manter em alto nível, seja lá onde ele jogue. É o que sempre procuro fazer. Tite me conhece bem, as pessoas que trabalham com ele também, e o fato de estar longe do país nunca me preocupou”, frisa Renato Augusto, um dos destaques do Brasil nas Eliminatórias para a Copa da Rússia-2018.

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BOLA VAI ROLAR EM FEVEREIRO
A tarefa de agradar a Tite não parece ser das mais difíceis. Afinal, o nível técnico da competição (ainda) não é dos melhores — na edição de 2016 foram feitos 639 gols em 240 partidas (média de 2,66). O atacante Alan Kardec que o diga. Contratado em julho de 2016 pelo Chongqing Lifan, ele disputou dez partidas e balançou a rede sete vezes.
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“Tite olha para todos os cantos do mundo. Jogadores que atuam na China têm sido chamados por ele e se destacado na Seleção, casos de Renato Augusto e Paulinho (volante do atual hexacampeão, o Guangzhou Evergrande). O futebol chinês está se fortalecendo com jogadores importantes, de status internacional, e isso aumenta a visibilidade. É um país desenvolvido, com grandes expectativas para o futuro”, avalia Kardec.
Oscar acabou de desembarcar na China e irá reforçar o Shangai SIPGAFP

O atacante elogia até quem não foi chamado por Tite. “Temos o Ricardo Goulart, que fez uma temporada muito boa — foi eleito o melhor jogador do Chinês nos dois últimos anos, vice-artilheiro da edição de 2015 e campeão em 2016 pelo Guangzhou. Tenho certeza de que, se eu mantiver um bom nível de atuação, as oportunidades na Seleção aparecerão”, prevê.

Companheiro de Paulinho e Ricardo Goulart no Guangzhou, Alan (ex-Fluminense) avisa que nem tudo é só cifrão e bola no país mais populoso do mundo: “Todo lugar tem suas peculiaridades, mas me chama a atenção a forma como os chineses tratam os estrangeiros. Eles são muito educados e receptivos”.
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Em fevereiro, porém, o bicho vai pegar. “O Shanghai SIPG trouxe Oscar, que estava na Seleção e vai nos ajudar a brigar por coisas boas nesta temporada. Creio que em 2017 outro time possa surpreender o poderoso Guangzhou Evergrande”, diz Elkeson.