Por bferreira

Rio - O filho, Bruninho, já havia dito que era hora de Bernardinho desacelerar e ter mais tempo para a família. E a decisão do pai de deixar o comando da Seleção masculina de vôlei se confirmou esta semana. Não será mais possível ver o exigente comandante à beira da quadra defendendo o Brasil, mas Bruninho diz que o treinador deixa um grande legado.

Bernardinho com o filho Bruninho após o ouro no Rio 2016Severino Silva / Agência O Dia

“Os valores que ele deixa são de determinação e trabalho. Desde que entrou principalmente na Seleção masculina, em 2001, com essa geração que encantou a todos, ele colocou essa filosofia que ficou para sempre. Ele inspira as pessoas com essa paixão pelo que faz. Esse é o legado que ele vai deixar não só no vôlei”, afirma Bruninho.

A decisão do pai de não comandar mais a Seleção já vinha sendo conversada entre a família. “Foram anos maravilhosos. Ele contribuiu muito para o vôlei e para o esporte brasileiro, mas chegou a hora de cuidar mais dele, da saúde, e aproveitar mais. Ele saiu da maneira certa. Depois de tudo o que passou nos últimos anos, ter conquistado esse título foi muito bacana. Ele vai encontrar novos desafios”, destaca Bruninho, referindo-se ao ouro olímpico nos Jogos do Rio, em agosto.

Bruninho e Bernardinho trabalharam juntos durante anos na SeleçãoMárcio Mercante / Agência O Dia

O levantador sabe que é normal que Bernardinho sofra um pouco neste início longe da Seleção. “Mas disse para ele: nada é eterno na vida e não se pode querer ficar para sempre fazendo uma coisa. Ele fez o dele muito bem feito”, completa o filho.

Capitão da equipe campeã olímpica na Rio-2016, Bruninho diz que, quando entravam em cena o líder e o técnico da Seleção, o convívio entre pai e filho ficava um pouco de lado. “Às vezes, acontecem atritos que fazem parte de uma equipe em prol da melhoria do time e de objetivos comuns. Essas discussões agora não vão mais acontecer e vamos poder curtir um pouco mais”, diz Bruninho, grato pela chance de ter sido comandado pelo pai: “Foi muito importante para a minha carreira. O início foi mais conturbado por causa do nossa relação e tudo mais. Mas ele me acrescentou muito como atleta e pessoa. Ter visto tantas mensagens de atletas e ex-atletas que jogaram com ele foi muito gratificante.”

Bruninho já conhece bem Renan dal Zotto, o novo técnico da Seleção, com quem trabalhou no início da carreira, tendo sido campeão da Superliga pela Cimed na temporada 2005/2006. “O Renan está quase oito anos fora do circuito, mas é um cara muito competente. Vencemos um campeonato juntos. Ele entende muito e é apaixonado pelo vôlei. Tenho carinho grande pelo Renan, que vai fazer de tudo para o Brasil chegar sempre ao pódio”, destaca Bruninho.

Bernardinho segue comandando as meninas do Rexona-Sesc. O time carioca, que lidera a Superliga, estará em quadra hoje, às 20h30, contra o Renata Valinhos-Country, em Valinhos (SP). Já o Fluminense enfrenta o Rio do Sul (SC), às 20h15, fora de casa.

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