Por jessyca.damaso

Rio - Impossível não notar o inquieto par de olhos verdes de um gigante de 1,92 metro, que não deixa passar batido nenhum detalhe no Boavista. Sempre foi assim, desde que o menino humilde de Campos dos Goytacazes saiu de casa determinado a vencer no futebol. Se a vida de goleiro Thiago Alves foi curta — parou aos 27 anos —, a de dirigente pode levá-lo ao topo. Trabalho e dedicação não faltam ao jovem diretor de futebol do Boavista, de 38 anos, para ajudar o clube de Saquarema a dar o voo mais alto de sua história.

Atento a todos os detalhes%2C o diretor de futebol Thiago Alves sempre acompanha de perto os treinosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Braço direito e esquerdo do gestor do clube, João Paulo Magalhães, Thiago fez minucioso mapeamento, com um analista de desempenho, que resultou na contratação de 18 jogadores, incluindo oito medalhões do futebol carioca, e do técnico que mais conquistou títulos estaduais, Joel Santana. Um projeto ambicioso, que Thiago espera que supere o de 2011, quando a equipe foi vice-campeã da Taça Guanabara contra o Flamengo.

"Eu não falo de título, digo que o Boavista vai incomodar. Vai fazer um trabalho à altura do planejamento e do empenho de cada profissional que está aqui. Tenho certeza de que vamos fazer uma grande competição", garante o dirigente, que abandonou a carreira de goleiro pelo excesso de (auto) cobrança. Exigente ao extremo, não se via mais no nível desejado.

"Acordei um dia achando que não rendia mais o desejado. Eu sempre me cobrei muito. Era sempre o primeiro a entrar em campo e o último a sair. Vim de uma família humilde e sabia que, para vencer no futebol, não podia fazer nada mais ou menos", revelou.

Com o fim precoce da carreira, Thiago voltou aos estudos. Na mesma época, recebeu um convite dos gestores do Boavista, João Paulo, e do irmão dele, o falecido Zé Lucas, para ser treinador de goleiros. Não aceitou, pois não se achava pronto para a função. Meses depois o telefone tocou novamente. Era de novo João Paulo, que ofereceu uma nova função, a de supervisor de futebol. Thiago aceitou. Desde então, Thiagão como é chamado carinhosamente por todos no clube, já fez de tudo. De montar vestiário a compras no supermercado. Não demorou a virar gerente geral, e, desde 2014, foi promovido a diretor de futebol.

"Não quero que meu atleta passe as dificuldades que passei. Aqui, tudo que a gente promete, cumpre. Salários em dia e a melhor estrutura de trabalho para disputar de igual para igual com os médios e buscar um algo a mais com os grandes", afirma Thiago, que sonha chegar longe como dirigente.

"Amo o futebol. Lutei muito como jogador... E não venci", diz, com os olhos marejados. "Não consegui o que queria e prometi para mim mesmo que nesta função vou ser o melhor do país. Quero chegar um dia à seleção brasileira", revela, emocionado.

Um longo caminho o separa do seu objetivo. Mas, se depender do entusiasmo dos novos contratados, o primeiro degrau pode ser o Campeonato Carioca de 2017. "Temos toda a estrutura para jogar e fazer um bom campeonato. O elenco é bem forte e queremos disputar o título", garante o experiente zagueiro Renato Silva, ex Flamengo, Fluminense e Botafogo.

O goleiro Felipe, que conquistou dois Cariocas pelo Flamengo, também esbanja confiança. "Sabemos que dois dos quatro grandes podem estar focados em duas competições diferentes. Queremos aproveitar essas brechas e surpreender. Quem sabe a gente vai chegar à final?", afirma. O goleiro Rafael, que atuou por Vasco e Fluminense, também está otimista. "O projeto de trazer jogadores e mesclar com os mais jovens é muito bom. Deve dar jogo este projeto aí", aposta.

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