Após bronze no Rio, Arthur Nory encara pódio como missão em próximos desafios

Brasileiro irá disputar em breve o Mundial de Ginástica no Canadá

Por O Dia

Rio - Os momentos vividos em agosto de 2016, especialmente no dia 14, estão bem vivos na memória de Arthur Nory. O macarrão no almoço, a vontade de comer chocolate, a energia vinda da torcida na Arena Olímpica do Rio não saem da cabeça do ginasta ao relembrar a data em que ele mudou de patamar no cenário da ginástica artística. Nos Jogos do Rio, o brasileiro virou um medalhista olímpico com o bronze no solo, mesma prova em que Diego Hypolito conquistou a prata. E é com esse status que Nory — garantido no grupo que vai disputar o Mundial de Montreal, de 2 a 8 de outubro, no Canadá — encara mais um ciclo olímpico rumo a Tóquio-2020.

“Eu lembro muito de momentos (da Olimpíada), do aquecimento, do que comi, que foi macarrão. Não podia comer chocolate. Lembro que só estava pensando em depois comer um cookie. Sou viciado em cookie (risos). A partir de determinado momento lá, eu desliguei da arbitragem e da arquibancada. Só deixei a energia da torcida ali naquele momento. Esvaziei a cabeça e pensei: ‘Faz essa série, é a última que você vai fazer e vai brilhar, Nory’. Depois, teve o cookie de recompensa e inclusive foi meu técnico quem me deu (risos)”, conta o ginasta.

Arthur Nory virou um medalhista olímpico com o bronze no soloMaira Coelho

Quando está treinando com a seleção brasileira no centro do Time Brasil, no Parque Olímpico, é impossível não lembrar dos Jogos. “Tem a nostalgia. A gente passa na frente e vêm as imagens na cabeça de como foi o dia a dia, como foram os treinos no ginásio de aquecimento para a Olimpíada. Bate aquela coisa de quero mais, quero viver tudo isso de novo. Vou trabalhar muito para isso. Porque a gente trabalhou bastante para chegar lá. Teve muita pressão e teve muita coisa que a gente tem que abrir mão. Passaria tudo isso de novo para viver isso de novo”, afirma.

Após a Olimpíada do Rio, Nory teve que se submeter a cirurgias no ombro e no pé direitos: “Estou de alta desde julho. Mas não dá para lutar contra o tempo. Tem que trabalhar a cabeça. Estou vindo de uma Olimpíada, de um resultado bem expressivo, e sei que tenho que lidar com essa pressão agora e a cobrança”.

Brasileiro passou por cirurgias após conquistaMaira Coelho

Nory sabe que a medalha olímpica o colocou em outro patamar para as futuras competições. “Toda a competição que eu for terá esses olhos. Até Tóquio, vai ser o medalhista olímpico de solo. Sempre vão esperar mais. É manter a calma e fazer aquilo que eu treino”, pondera.

No último fim de semana, ele competiu na etapa da Copa do Mundo em Varna, na Bulgária, e ficou com o bronze no solo. Agora, vive a expectativa pelo Mundial. Na última edição, em 2015, ele ficou em quarto lugar na barra fixa. “Naquele Mundial, a gente estava muito focado para classificar uma equipe inteira (para a Rio-2016). De repente, veio essa final. Aquilo me motivou, mostrando que seria possível chegar numa final com as pessoas que admiro. Pensei: ‘Estou aqui com as pessoas que tenho foto no armário, que me inspiram’. Fui para o Rio focado na barra, mas aí veio a medalha no solo”.

Será a quarta participação de Nory em Mundiais. “A gente sempre espera buscar o máximo de finais possíveis. Quero voltar a me ambientar de novo. Tem muita gente nova e o código (de pontuação) mudou”, diz ele, de olho em Tóquio: “Passa muito rápido. É focar no que tenho de melhor. Fiz cirurgia para zerar tudo”.

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