Entenda como a Islândia conseguiu a proeza de conquistar uma vaga para a Copa

A pequena ilha localizada no Círculo Polar Ártico está no Mundial pela primeira vez na história

Por O Dia

Islândia - Uma pequena ilha localizada completamente dentro do Círculo Polar Ártico, com uma área um pouco maior do que o estado de Santa Catarina e com uma população igual à do bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Se por causa de suas dimensões é complicado apontá-la no mapa-múndi, o futebol fez esse favor à Islândia, de colocá-la com destaque no mapa do mundo da bola.

Islândia se garantiu no Mundial da RússiaEFE

A vitória por 2 a 0 sobre Kosovo, na semana passada, valeu aos islandeses o direito de disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. Uma festa que transformou a pacata capital Reykjavik num mar de gente, que não se cansava de comemorar. Mas como pode um país com apenas 330 mil habitantes e 103 mil km2, o menor a disputar um Mundial colocar-se em um lugar de destaque entre tantas outras potências? Sorte? Nada disso. A vaga obtida para a Rússia é fruto de um trabalho que começou a ser posto em prática no início dos anos 2000.

"Desde esse período, foram criados mais de cem minicampos, localizados em escolas de todo o país, permitindo que crianças das mais variadas idades joguem futebol sempre que quiserem. Além disso, houve um investimento na capacitação de novos treinadores, quando a Uefa lançou o programa Convenção de Treinamento, que também envolveu os clubes. Hoje, todas as categorias de base, desde os mais novos (5 a 6 anos) têm treinadores bem qualificados. Até mesmo as crianças estão nas mãos de pessoas que sabem o que estão fazendo", afirma Omar Smarason, diretor de marketing da Federação Islandesa de Futebol (KSI), em entrevista por e-mail ao Ataque.

O primeiro brilho da Islândia no cenário internacional foi a classificação para a fase de grupos da Eurocopa Sub-21 em 2011, na Dinamarca. Era um excelente sinal. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, alcançou a repescagem, mas foi eliminada pela Croácia. Em 2016, a classificação à Eurocopa ganhou corpo com a campanha. Ficou em segundo no grupo, à frente até mesmo de Portugal, que mais tarde conquistaria o título. Nas oitavas, vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1. A comemoração da torcida, com palmas compassadas ao melhor estilo viking, ganhou o mundo. Aproximadamente 5 mil islandeses foram a Paris ver o jogo contra a França pelas quartas. Um número impressionante, que corresponde a 1,5% da população. Para efeito de comparação, é como se 3 milhões de brasileiros fossem ao exterior para ver um jogo.

Um bom número que ilustra o crescimento do futebol islandês é o de jogadores que atuam no exterior. Até 1998, 73% dos atletas da seleção jogavam no país, que engatinhava em um futebol semiamador. Hoje, todos atuam fora da Islândia. Mas se em campo só existem 'estrangeiros', no banco de reservas há um legítimo representante do futebol de raiz islandês. Heimir Hallgrimsson, 50 anos, foi assistente do sueco Lars Lagerback na campanha da Euro-2016. Mas a KSI confiou em suas mãos o comando do time nas Eliminatórias. Hallgrimsson está distante do estereótipo de técnico-estrela. Trabalha meio período como dentista, em sua cidade natal, Vestmannaeyjar, e depois dá expediente na KSI. Ex-jogador, ele não abre mão de frequentar os bares para, entre uma cerveja e outra, ouvir a opinião dos torcedores.

Reportagem de Flávio Almeida

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