'Nenhum evento no Brasil me cobrou teste', diz atleta que lutou grávida

Kinberly Novaes, de 24 anos, espera seu primeiro filho e só descobriu após participar de evento de MMA em Joinville (SC)

Por O Dia

São Paulo - Tudo ocorria normalmente para que a lutadora brasileira, Kinberly Novaes, de 24 anos, estreasse em um torneio internacional de MMA. Após participar do Noxii Combat, em Joinville, Santa Catarina, no dia 17 de maio, e vencer a adversária, Kinberly foi contratada pelo RFA, um dos principais torneios do mundo. Mas, com dificuldades para bater o peso, ela descobriu estar grávida há seis meses.

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Kinberly venceu o Noxii Combat%2C em maioReprodução Facebook

“Eu estava treinando para minha estreia internacional, que seria no dia 21 de agosto, nos Estados Unidos, só que nas últimas semanas de treino eu estava sentindo muita dificuldade pra perder peso. Sentia até outros sintomas, mas o que começou a me preocupar mais foi a dificuldade para perder peso. Faltando de quatro a três semanas para a luta, comecei sentir que a minha barriga estava meio inchada e não conseguia perder peso. Achei que fosse uma prisão de ventre, alguma coisa de intestino, porque acontece muito quando estou fazendo dieta para lutar e já aconteceu outras vezes de ficar com o intestino preso e me atrapalhar. Mas dessa vez eu estava com mais dificuldade que o normal", contou a lutadora ao iG.

"Procurei um médico, porque comecei a ficar com medo que fosse algo mais sério ou alguma doença de intestino, de apêndice, algo assim. Fui no pronto-socorro e expliquei para o médico toda a situação. Assim que ele olhou para a minha barriga, já me perguntou se eu não estava grávida. Tinha certeza que não e falava: ‘Não, imagine, não estou grávida. Eu ia saber se estivesse’. Ele teria de fazer um raio-x pra ver meu intestino, mas não poderia ser feito caso eu estivesse grávida. E eu estava teimando com ele, porque isso não passava pela minha cabeça, mas ele falou: ‘Você primeiro vai fazer um exame de sangue de gravidez, e se o resultado for negativo a gente faz o raio-x do seu intestino’. Foi assim que descobri que estava grávida”, relatou.

Lutadora profissional de MMA desde 2011, Kinberly afirmou também que nunca fez testes de gravidez antes das lutas, o que é uma obrigatoriedade da Comissão Atlética Brasileira de Artes Marciais Mistas.

“Eu nunca tinha visto antes (casos parecidos com o dela). Na verdade, o exame de gravidez, eu, particularmente, nunca fiz para lutar, nenhum evento no Brasil nunca me cobrou teste de gravidez. Para essa luta nos Estados Unidos, eles fariam quando eu chegasse lá”, ressaltou.

A lutadora, porém, garantiu que uma ecografia morfológica, realizada na última quinta-feira, mostrou que seu bebê está em ótimas condições.

“Na ecografia, eles conseguiram dizer o tempo com exatidão do meu filho. O médico falou: ‘Está de 24 semanas e meia’, ou seja, quase seis meses. Depois disso, ele já falou que estava tudo perfeito, tamanho normal, todos os órgãos, todos os ossos, tudo saudável”, acrescentou Kinberly.

Natural de Joinville, a atleta disse ainda que, mesmo com a sua estreia internacional adiada, o sonho de chegar ao maior torneio de MMA do mundo segue vivo.

“Eu luto na categoria peso-palha (até 52kg), a última criada, e acredito que estou bem perto de chegar lá (no UFC). Se eu fizesse a luta do dia 21 de agosto ficaria bem mais perto, mas acredito que, quando eu voltar, em breve estarei lá no mesmo jeito”, disse. E ainda completou. “O meu tamanho não me permite subir de peso”, sobre um possível encontro com Ronda Rousey na categoria peso-galo (até 61kg).

Outro lado

Questionada sobre esse assunto, a Comissão Atlética Brasileira de MMA informou que, quando o evento é chancelado pela entidade, é obrigatória a apresentação de nove exames, dentre eles, o teste de gravidez para atletas femininas. Ainda de acordo com a organização, a responsabilidade dos exames é do atleta e o envio para a Comissão pode ser feita pelo próprio ou pelo promotor responsável pela luta.

Perguntado sobre o caso de Kinberly, a Comissão informou que não poderia comentar, pois “o evento não foi chancelado pela Comissão Atlética Brasileira de MMA”.

Por meio de seu Facebook, o promotor do Noxii Combat, Bruno Barros admitiu seus erros e afirmou que atitudes serão tomadas para as próximas edições do evento. Leia:

"1 - Pedi a todos os atletas que apresentassem os exames de HIV e Hepatite, porém, não exigi isso deles como condição para lutar. Falha minha!

2 - Em exames de HIV e Hepatite, não constam no resultado se existe uma gravidez. Então, infelizmente, mesmo que todos tivessem apresentado, ainda assim ela lutaria. Outra falha!

3 - Não tinha conhecimento da necessidade desse tipo de exame, reconheço que nunca me passou isso pela cabeça, porém, se tivesse seguido o padrão dos grandes evento saberia. Mais um erro que cometi!

De todo o coração, tentei fazer tudo da melhor maneira possível em todos os quesitos: Mídias, Local do Evento, Passagens, Hospedagem, Translados, Alimentação, Pagamento após o evento (mesmo sendo valores abaixo do que mereciam, mas era o que estava em minhas condições), enfim... tudo o que estava ao meu alcance para que eles fossem tratados como os verdadeiros responsáveis pelo show e ainda assim falhei na questão dos exames e com isso aprendi a lição!

Em relação ao evento, nas próximas edições EXIGIREMOS que todos os exames sejam apresentados com 15 dias de antecedência e incluiremos o de gravidez como procedimento!

Dei hoje pessoalmente parabéns a Kin e ao Jacson pela bênção em suas vidas, graças a proteção de Deus, o bebê está bem e com certeza virá ao mundo muito saudável alegrando mais ainda a vida deles!"

Reportagem de Felipe Barbosa

Fonte: iG

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